sexta-feira, 4 de outubro de 2013

A Igreja deve se despojar de um perigo gravíssimo: o perigo do mundanismo



Assis: Discurso do Papa aos pobres assistidos pela Cáritas

ASSIS, 04 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Em Visita Pastoral a Assis, nesta Sexta-feira, 4 de outubro, o Papa Francisco encontrou com pobres assistidos pela Cáritas. Apresentamos, a seguir, as palavras do Pontifice dirigidas aos presentes.
Disse-me meu irmão bispo que é a primeira vez em 800 anos que um Papa entra aqui. Nestes dias, nos jornais, na mídia, se fazia muita fantasia. “O Papa vai despojar a Igreja, lá”. “De que despojará a Igreja?”. ” Se despojará das vestes dos bispos, cardeais, se despojará de si mesmo.” Esta é uma boa oportunidade para fazer um convite à Igreja a se despojar. Mas a Igreja somos todos nós! Todos! Desde o primeiro batizado, todos nós somos Igreja e todos nós temos que andar pela estrada de Jesus, que percorreu um caminho de despojamento, Ele mesmo. E se tornou servo, servidor, quis ser humilhado até a cruz . E se queremos ser cristãos , não há um outro caminho. Mas será que não podemos fazer um cristianismo um pouco mais humano – dizem – sem a cruz, sem Jesus, sem despojamento? Desta forma, nos tornamos cristãos de pastelaria, como as belas tortas , como os belos doces! Belíssimo, mas não realmente cristãos! Alguém vai dizer : “Mas de que deve se despojar a Igreja? “. Deve se despojar hoje de um perigo gravíssimo que ameaça a todos na Igreja, todos: o perigo do mundanismo. O cristão não pode conviver com o espírito do mundo. O mundanismo que leva à vaidade, arrogância, ao orgulho. E este é um ídolo, não é Deus, é um ídolo! E a idolatria é o pecado mais forte!
Quando nos meios de comunicação se fala da Igreja, acredita-se que a Igreja seja os padres, freiras, bispos, cardeais e o Papa, mas a Igreja somos todos nós, como eu disse. E todos nós devemos nos despojar deste mundanismo: o espírito contrário ao espírito das Bem-aventuranças, o espírito contrário ao Espírito de Jesus. O mundanismo nos faz mal. É tão triste ver um cristão mundano, seguro – segundo ele – da segurança que dá a fé e da segurança que dá o mundo. Não se pode trabalhar nas duas partes. A Igreja – todos nós – deve se despojar do mundanismo que leva à vaidade, ao orgulho, que é idolatria.
O próprio Jesus nos dizia: “Não se pode servir a dois senhores, ou se serve a Deus ou ao dinheiro” (cf. Mt 6:24) . No dinheiro estava todo este espírito mundano, vaidade, orgulho, este caminho… não podemos… é triste apagar com uma mão aquilo que escrevemos com a outra. O Evangelho é o Evangelho! Deus é um só! E Jesus se tornou um servo para nós e o espírito do mundo não cabe aqui. Hoje eu estou aqui com você.. Quantos de vocês foram retirados deste mundo selvagem, que não oferece trabalho, que não ajuda, que não se importa se há crianças morrendo de fome no mundo, se muitas famílias não têm o que comer, não tem a dignidade de trazer o pão para casa, não se importa se tantas pessoas hoje precisam fugir da escravidão, da fome e fugir para buscar a liberdade. Com muita dor, tantas vezes, vemos que elas encontram a morte, como aconteceu ontem em Lampedusa: hoje é um dia de lágrimas! Quantas coisas hoje são provocadas por esse espírito do mundo. É ridículo que um cristão – um verdadeiro cristão – um padre, uma freira, um bispo, um cardeal, um papa, queira ir pela via deste mundanismo, que é uma atitude assassina. Mundanismo espiritual mata! Ele mata a alma! Mata a pessoa! Mata a Igreja !
Quando Francisco, aqui, fez aquele gesto de se despir, era um jovem menino, não tinha forças para isso. Foi o poder de Deus que o levou a fazer isso, o poder de Deus que quis nos lembrar do que Jesus disse sobre o espírito do mundo, aquilo que Jesus orou ao Pai, para que o Pai nos salvasse do espírito do mundo.
Hoje, aqui, peçamos essa graça a todos os cristãos. Que o Senhor conceda a nós a coragem de se despojar, mas não de 20 liras, mas do espírito do mundo, que é a lepra, o câncer da sociedade! É o câncer da revelação de Deus! O espírito do mundo é o inimigo de Jesus! Peço ao Senhor que a todos nós, nos dê a graça do despojamento. Obrigado !
Após a reunião, o Papa pronunciou as seguintes palavras :
Muito obrigado pelo acolhimento. Orem por mim, que eu preciso! Todos! Obrigado !
O discurso acima foi feito espontaneamente pelo Papa Francisco. Abaixo, segue o discurso que estava previamente preparado:
Queridos irmãos e irmãs,
Obrigado pela acolhida! Este lugar é um lugar especial e por isso eu quis fazer uma parada aqui, ainda que o dia fosse muito cheio. Aqui Francisco se despojou de tudo na frente de seu pai, o bispo, e o povo de Assis. Foi um gesto profético e também um ato de oração, um ato de amor e confiança no Pai, que está nos céus.
Com esse gesto Francisco fez sua escolha: a escolha de ser pobre. Não é uma escolha sociológica, ideológica, é a escolha de ser como Jesus, imitá-lo, segui-lo até o fim. Jesus é Deus, que se despoja de sua glória. Lemos em São Paulo: Cristo Jesus, que era Deus, despojou-se de si mesmo, esvaziou-se e se tornou como nós e esse “rebaixar” chegou até a morte de cruz (cf. Fl 2,6-8 ). Jesus é Deus, mas Ele nasceu nu, foi colocado em uma manjedoura e morreu nu e crucificado.
Francisco se despojou de tudo em sua vida mundana, de si mesmo, para seguir o seu Senhor, Jesus, para ser como Ele. O Bispo Guido, vendo seu gesto, imediatamente se levantou, abraçou Francisco e o cobriu com seu manto, e foi sua ajuda e auxílio (cf. Vita prima, FF, 344).
O despojamento de São Francisco nos diz exatamente o que o Evangelho nos ensina: seguir Jesus significa colocá-lo em primeiro lugar, se despojar das muitas coisas que temos e que sufocam o nosso coração, renunciar a nós mesmos, tomar a cruz e carregá-la com Jesus. Despir do nosso orgulho e refutar o desejo de ter, do dinheiro, que é um ídolo que aprisiona.
Todos nós somos chamados a ser pobres, despojarmos de nós mesmos, e para isso devemos aprender a estar com os pobres, compartilhar com aqueles que não tem o necessário, tocar a carne de Cristo! O cristão não é aquele que enche a boca com os pobres, não! É aquele que o encontra, que o olha nos olhos, que o toca. Estou aqui não para “fazer notícia”, mas para indicar que este é o caminho cristão, o caminho que percorreu São Francisco. São Boaventura , falando do despojamento de São Francisco, escreve: “Assim, pois, o servo do sumo Rei ficou nu, para que seguisse o Senhor nu e crucificado, objeto do seu amor.” E acrescenta que, assim, Francisco se salvou do “naufrágio do mundo” (FF 1043 ).
Mas gostaria, como pastor, de me perguntar: de que deve despir-se a Igreja ?
Despir-se de todo mundanismo espiritual, que é uma tentação para todos; livrar-se de toda ação que não seja para Deus, de Deus, o medo de abrir a porta e ir ao encontro de todos, especialmente dos mais pobres, dos necessitados, distantes, sem esperar, certamente, se perderem no naufrágio do mundo, mas levar com coragem a luz de Cristo, a luz do Evangelho, mesmo no escuro, onde não se vê e isso pode levar ao tropeço, despojar da aparente tranquilidade que dão as estruturas, certamente necessárias e importantes, mas que não devem nunca ofuscar a única força real que carrega em si: a de Deus, Ele é a nossa força! Despir-se daquilo que não é essencial, porque a referência é Cristo, a Igreja é de Cristo! Muitos passos, especialmente nessa década, têm sido dados. Continuamos nesta estrada que é a de Cristo, a dos Santos..
Para todos, mesmo para a nossa sociedade que dá sinais de cansaço, se queremos nos salvar do naufrágio, é necessário seguir o caminho da pobreza, que não é a miséria – esta deve-se combater – mas é saber partilhar, ser mais solidário com os necessitados, confiar mais em Deus e menos na nossa força humana. Monsenhor Sorrentino lembrou o trabalho de solidariedade do Bispo Nicolini, que ajudou centenas de judeus, escondendo-os em conventos, e o centro de seleção secreta era aqui, no bispado. Também isso é se despojar, algo que começa sempre do amor, da misericórdia de Deus !
Neste lugar que nos questiona, quero rezar para que todos os cristãos, a Igreja, cada homem e mulher de boa vontade, saibam se despojar do que não é essencial para ir ao encontro daquele que é pobre e pede para ser amado. Obrigado a todos!

O caminho de Francisco para Cristo começa do olhar de Jesus na cruz



Palavras do Papa Francisco na homilia da missa celebrada nesta manhã em Assis

ASSIS, 04 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Uma imensa multidão participou da Missa celebra pelo Papa Francisco, em Assis, junto das basílicas do Santo. Na homilia, o Papa evocou o exemplo concreto de São Francisco, com a sua “maneira radical de imitar a Cristo”.
Apresentamos o texto integral da homilia do Papa publicado pela Rádio Vaticana.
«Bendigo-Te, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e aos entendidos e as revelaste aos pequeninos» (Mt 11, 25).
A todos, paz e bem! Com esta saudação franciscana, agradeço-vos por terdes vindo a esta Praça, cheia de história e fé. Para rezarmos juntos.
Como tantos outros peregrinos, também eu vim hoje, para bendizer o Pai por tudo o que quis revelar a um destes «pequeninos» de que nos fala o Evangelho: Francisco, filho de um comerciante rico de Assis.. O encontro com Jesus levou-o a despojar-se de uma vida cómoda e despreocupada, para desposar a «Senhora Pobreza» e viver como verdadeiro filho do Pai que está nos céus. Esta escolha, feita por São Francisco, constituía uma maneira radical de imitar a Cristo, de se revestir d’Aquele que, sendo rico, Se fez pobre para nos enriquecer por meio da sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9). Em toda a vida de Francisco, o amor pelos pobres e a imitação de Cristo pobre são dois elementos indivisivelmente unidos, as duas faces da mesma medalha.
De que nos dá hoje testemunho São Francisco? Que nos diz ele, não com as palavras – isso é fácil –, mas com a vida?
1. A primeira coisa, a realidade fundamental de que nos dá testemunho é esta: ser cristão é uma relação vital com a Pessoa de Jesus, é revestir-se d’Ele, é assimilação a Ele.
De onde começa o caminho de Francisco para Cristo? Começa do olhar de Jesus na cruz. Deixar-se olhar por Ele no momento em que dá a vida por nós e nos atrai para Ele. Francisco fez esta experiência, de um modo particular, na pequena igreja de São Damião, rezando diante do crucifixo, que poderei também eu venerar hoje. Naquele crucifixo, Jesus não se apresenta morto, mas vivo! O sangue escorre das feridas das mãos, dos pés e do peito, mas aquele sangue exprime vida. Jesus não tem os olhos fechados, mas abertos, bem abertos: um olhar que fala ao coração. E o Crucifixo não nos fala de derrota, de fracasso; paradoxalmente fala-nos de uma morte que é vida, que gera vida, porque nos fala de amor, porque é o Amor de Deus encarnado, e o Amor não morre, antes derrota o mal e a morte. Quem se deixa olhar por Jesus crucificado fica recriado, torna-se uma «nova criatura». E daqui tudo começa: é a experiência da Graça que transforma, de sermos amados sem mérito algum, até sendo pecadores. Por isso, Francisco pode dizer como São Paulo: «Quanto a mim, de nada me quero gloriar, a não ser na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo» (Gal 6, 14).
Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a permanecer diante do Crucifixo, a deixar-nos olhar por Ele, a deixar-nos perdoar, recriar pelo seu amor.
2. No Evangelho, ouvimos estas palavras: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu hei-de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 28-29).
Esta é a segunda coisa de que Francisco nos dá testemunho: quem segue a Cristo, recebe a verdadeira paz, a paz que só Ele, e não o mundo, nos pode dar. Na ideia de muitos, São Francisco aparece associado com a paz; e está certo, mas poucos vão em profundidade. Qual é a paz que Francisco acolheu e viveu, e que nos transmite? A paz de Cristo, que passou através do maior amor, o da Cruz. É a paz que Jesus Ressuscitado deu aos discípulos, quando apareceu no meio deles e disse: «A paz esteja convosco!»; e disse-o, mostrando as mãos chagadas e o peito trespassado (cf. Jo 20, 19.20).
A paz franciscana não é um sentimento piegas. Por favor, este São Francisco não existe! E também não é uma espécie de harmonia panteísta com as energias do cosmos... Também isto não é franciscano, mas uma ideia que alguns se formaram. A paz de São Francisco é a de Cristo, e encontra-a quem «toma sobre si» o seu «jugo», isto é, o seu mandamento: Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei (cf. Jo 13, 34; 15, 12). E este jugo não se pode levar com arrogância, presunção, orgulho, mas apenas com mansidão e humildade de coração.
Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: ensina-nos a ser «instrumentos da paz», da paz que tem a sua fonte em Deus, a paz que nos trouxe o Senhor Jesus.
3. «Altíssimo, omnipotente, bom Senhor, (...) louvado sejas (...) com todas as tuas criaturas» (FF, 1820). Assim começa o Cântico de São Francisco. O amor por toda a criação, pela sua harmonia. O Santo de Assis dá testemunho do respeito por tudo o que Deus criou e que o homem é chamado a guardar e proteger, mas sobretudo dá testemunho de respeito e amor por todo o ser humano. Deus criou o mundo, para que seja lugar de crescimento na harmonia e na paz. A harmonia e a paz! Francisco foi homem de harmonia e de paz. Daqui, desta Cidade da Paz, repito com a força e a mansidão do amor: respeitemos a criação, não sejamos instrumentos de destruição! Respeitemos todo o ser humano: cessem os conflitos armados que ensanguentam a terra, calem-se as armas e que, por toda a parte, o ódio dê lugar ao amor, a ofensa ao perdão e a discórdia à união. Ouçamos o grito dos que choram, sofrem e morrem por causa da violência, do terrorismo ou da guerra na Terra Santa, tão amada por São Francisco, na Síria, em todo o Médio Oriente, no mundo.
Voltamo-nos para ti, Francisco, e te pedimos: alcançai-nos de Deus o dom de haver, neste nosso mundo, harmonia e paz!
Não posso, enfim, esquecer que hoje a Itália celebra São Francisco como seu Padroeiro. Disso mesmo é expressão também o gesto tradicional da oferta do azeite para a lâmpada votiva, que este ano compete precisamente à Região da Úmbria. Rezemos pela Nação Italiana, para que cada um trabalhe sempre pelo bem comum, olhando mais para o que une do que para o que divide.
Faço minha a oração de São Francisco por Assis, pela Itália, pelo mundo: «Peço-Vos, pois, ó Senhor Jesus Cristo, pai das misericórdias, que Vos digneis não olhar à nossa ingratidão, mas recordai-Vos da superabundante compaixão que sempre mostrastes [por esta cidade], para que seja sempre o lugar e a morada de quantos verdadeiramente Vos conhecem e glorificam o vosso bendito e gloriosíssimo nome pelos séculos dos séculos. Amen» (Espelho de perfeição, 124: FF, 1824).

ORAÇÃO DA PAZ - SÃO FRANCISCO DE ASSIS





ORAÇÃO - Glorioso São Francisco, Santo da simplicidade, do amor e da alegria. No céu contemplais as perfeições infinitas de Deus. Lançai sobre nós o vosso olhar cheio de bondade. Socorrei-nos em nossas necessidades espirituais e corporais. Rogai ao nosso Pai e Criador que nos conceda as graças que pedimos por vossa intercessão, vós que sempre fostes tão amigo dele. E inflamai o nosso coração de amor sempre maior a Deus e aos nossos irmãos, principalmente os mais necessitados.
São Francisco de Assis, rogai por nós. Amém.
                              


                                ORAÇÃO DA PAZ - 

                       Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.
                             Onde houver ódio, que eu leve o amor.
                           Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
                            Onde houver discórdia, que eu leve a união.
                             Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
                          Onde houver erro, que eu leve a verdade.
                       Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
                       Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
                          Onde houver trevas, que eu leve a luz.

                               Ó Mestre, fazei que eu procure mais:

                                  consolar, que ser consolado;
                             compreender, que ser compreendido;
                                   amar, que ser amado.
                                Pois é dando que se recebe.
                              É perdoando que se é perdoado.
                          E é morrendo que se vive para a vida eterna.


São Francisco de Assis


São Francisco de Assis, nasceu na cidade de Assis, Úmbria, Itália, no ano de 1182, de pai comerciante, o jovem rebento de Bernardone, gostava das alegres companhias e gastava com certa prodigalidade o dinheiro do pai. Sonhou com as glorias militares, procurando desta maneira alcançar o status que sua condição exigia, e aos vinte anos, alistou-se como cavaleiro no exército de Gualtieri de Brienne, que combatia pelo papa, mas em Espoleto, teve um sonho revelador no qual era convidado a seguir de preferência o Patrão do que o servo, e em 1206, aos 24 anos de idade para espanto de todos, Francisco de Assis abandonou tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até da roupa que usava, para desposar a Senhora Pobreza e repropor ao mundo, em perfeita alegria, o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade, andando errante e maltrapilho, numa verdadeira afronta e protesto contra sua sociedade burguesa.

Voltando a Assis, dedicou-se ao serviço dos doentes e pobres e num dia enquanto meditava extasiado na igrejinha de São Damião, pareceu-lhe ter ouvido uma voz saída do crucifixo: Vá escorar a minha Igreja, que está desabando." Com a renúncia definitiva aos bens paternos, aos 25 anos, Francisco deu início à sua vida religiosa. Com alguns amigos deu início ao que seria a Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos, cuja ordem foi aprovada pelo Papa Inocêncio III. Santa Clara, sua dileta amiga, fundou a Ordem das Damas Pobres ou Clarissas. Em 1221, sob a inspiração de seu estilo de vida nasceu a Ordem Terceira para os leigos consagrados. Neste capítulo da vida do santo é caracterizado por intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar aos homens, freqüentemente armados uns contra os outros, a mensagem evangélica de Paz e Bem. Em 1220, voltou a Assis após ter-se aventurado a viagem à Terra Santa, à Síria e ao Egito, redigindo a segunda Regra, aprovada pelo Papa Honório III. Já debilitado fisicamente pelas duras penitências, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, com o sigilo dos estigmas, recebidos no monte Alverne a 14 de setembro de 1224. O Pobrezinho de Assis como era chamado, foi uma criatura de Paz e Bem, terno e amoroso. Amava os animais, as plantas e toda a natureza. Peta, cantava o Sol e a Lua e as Estrelas. É o autor do Cântico do Irmão Sol.

São Francisco de Assis morreu com apenas 44 anos de idade, no dia 03 de Outubro de 1226, no chão nu da Porciúncula de Santa Maria dos Anjos, proximidades de Assis, o autêntico arauto da perfeição Evangélica.

São Francisco de Assis é um dos santos mais amados pelo mundo inteiro, foi canonizado dois anos após a morte. Em 1939, o Papa Pio XII tributou um ulterior reconhecimento oficial ao "Mais italiano dos santos e mais santo dos italianos", proclamando-o padroeiro principal da Itália.

A Eucaristia é uma festa, não uma mera lembrança



Casa Santa Marta: o papa Francisco destaca que a missa não é um evento "social" ou "habitual", mas a "memória da Paixão do Senhor", a sua presença real no meio de nós
Por Luca Marcolivio

ROMA, 03 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - A missa não é um "evento social", e sim a presença real do Senhor em meio a nós. A celebração eucarística não deve ser transformada num "evento normal", porque é sempre uma "festa", disse o papa Francisco na homilia desta manhã na Casa Santa Marta, celebrando na presença do conselho de oito cardeais criado para ajudar na reforma da Igreja.
A primeira leitura (Nm 8,1-4a.5-6.7b-12) se concentrou na “memória de Deus”: a este respeito, o Santo Padre observou que o povo de Deus experimenta a "proximidade da salvação" e começa chorar "de alegria, não de tristeza"; antes disso, o povo "tinha lembrança da Lei, mas era uma lembrança distante".
Mesmo hoje em dia, todos nós "temos a memória da salvação", mas às vezes essa memória está "domesticada", "um pouco distante", quase "como coisa de museu".
Quando a lembrança se torna mais próxima, porém, ela se transforma em "alegria do povo", que "aquece o coração" e que é "um princípio da nossa vida cristã".
O encontro com a memória é "um acontecimento de salvação, é um encontro com o amor de Deus que fez história e nos salvou". É por isso que "precisamos fazer festa".
No entanto, muitas vezes, "nós, cristãos, temos medo da festa" que nasce da "proximidade do Senhor" e perdemos a "memória da Paixão do Senhor", reduzindo-a toda a uma "lembrança" ou a um "evento rotineiro".
Frequentemente, vamos à igreja como se fôssemos a um "funeral". A missa nos entedia, porque não é algo próximo. Ela “vira um evento social e não estamos perto da memória da Igreja, que é a presença do Senhor na nossa frente”, disse o papa.
Devemos, portanto, tomar o exemplo do povo de Israel (cfr. Nm 8,1-4a.5-6.7b-12), que se reaproxima da sua memória e chora, com o coração aquecido, alegre, sentindo que a alegria do Senhor é a sua força. “E faz festa, sem medo, com simplicidade”.
No final da homilia, o papa convidou: "Peçamos ao Senhor a graça de manter sempre a sua memória viva, próxima, e não domesticada pela rotina, por tantas coisas, e distante, reduzida a mera lembrança".
"A igreja tem um amor especial por aqueles que sofrem", disse dom Zimowski, lembrando a figura do papa João Paulo II, fundador do Pontifício Conselho para os Agentes de Saúde e inspirador da Jornada Mundial dos Enfermos, que se celebra todo dia 11 de fevereiro.
“São Camilo pode ser considerado o fundador de uma nova schola caritatis para os profissionais de saúde e para todos aqueles que se inclinam para ajudar o próximo que sofre", disse Zimowski. "Podemos obter do exemplo dele uma nova força para espalhar a mensagem de misericórdia e de partilha que Cristo confiou à sua Igreja".

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Pelo direito à vida, existem também essas armas: papel e caneta.




Devemos recordar a existência da Convenção Americana de Direitos Humanos, ou Pacto de São José da Costa Rica
Por Igor Rafael Oliveira Carneiro

JOãO PESSOA, 02 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Em tempos em que se instaura, à força da mídia e da politicagem, uma cultura de morte em nossa sociedade, a cristandade fica como que de mãos atadas. Ao se deparar com projetos de lei em que se pretende descriminalizar realidades como aborto e eutanásia e, se não bastasse, ao já ter se deparado com juízes de uma Suprema Corte de Justiça considerando fetos, ou ainda mais, bebês anencéfalos, como coisa, já que não é pessoa, só se pode ficar assustado ou apreensivo com o que ainda pode acontecer.
Acontece que, ao contrário do que se pode imaginar, existem várias armas com as quais um cristão pode lutar na defesa da vida, já que as autoridades não levam em conta a opinião da grande maioria da população cristã que é contra tudo isso. Uma delas é que devemos recordar a existência de normas e exigir que sejam cumpridas, mas, tanto os governantes, quanto os juízes do Supremo Tribunal Federal, supõe-se que propositadamente, ignoram as suas disposições. Trata-se da Convenção Americana de Direitos Humanos, ou Pacto de São José da Costa Rica.
Acerca do que é pessoa, que foi tanto debatido no julgamento do ADPF nº 54, no qual o STF tornou legal a “interrupção da gravidez” em caso de feto anencéfalo, diz no ponto 2 do artigo 1º do tratado supracitado: “Para efeitos desta Convenção, pessoa é todo ser humano”. Ora, se fosse levado em conta, impossível seria dar prosseguimento ao julgamento do caso, porque para deixar de considerar pessoa o feto anencéfalo, teria de se dizê-lo como outra coisa que não um ser humano, que não tem código genético de ser humano, isto é, alguma aberração da natureza.
A respeito do direito à vida, consta no artigo 4º do mesmo tratado, em seu ponto 1: “Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção. Ninguém pode ser privado da vida arbitrariamente.” Não se sabe de que exceção se deduz do oposto ao que não for “em geral”, mas conclui-se que, segundo o tratado, a vida de uma pessoa deve ser protegida, desde o momento da sua concepção.
No citado julgamento, por exemplo, em hora alguma, falou-se do tratado.. Por outro lado, em outra ocasião, o mesmo tratado fez com que uma disposição constitucional, isto é, parte do inciso LXVII do art. 5º da Constituição Federal como inválido no ordenamento jurídico, o que trata da prisão do depositário infiel. Isto é, deu-se, nesta ocasião, ao Tratado de São José da Costa Rica, status de emenda constitucional. E é o que aconteceu: neste caso, para que houvesse respeito aos direitos humanos, foi considerada uma norma da constituição como “aconvencional” e, portanto, deveria ser invalidada.
Em virtude do exposto, pergunta-se: Por que não se falou do Tratado de São José da Costa Rica no caso do julgamento dos anencéfalos? – A pergunta tem caráter retórico, já que um conjunto de provas se requer para respondê-la. Entretanto, de todo exposto vê-se que também há uma arma com que se combater, além das normalmente utilizadas e válidas, como ir para as ruas protestar. Trata-se de requerer por meio do diálogo democrático também o que lhe é de direito, como ser humano, pelo próprio direito, isto a quem puder fazê-lo.
Fontes:
http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/instrumentos/sanjose.htm
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=100258
http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=116379

"O Senhor nos quer em uma Igreja que sabe abrir os braços para acolher a todos"



Texto completo da catequese da audiência geral. A Igreja nos faz encontrar Jesus Cristo nos sacramentos, especialmente na confissão e na eucaristia

ROMA, 02 de Outubro de 2013 (Zenit.org) - Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
No “Credo”, depois de ter professado “Creio na Igreja una”, acrescentamos o adjetivo “santa”; afirmamos, isto é, a santidade da Igreja e esta é uma característica que já esteve presente desde o início na consciência dos primeiros cristãos, os quais se chamavam simplesmente “os santos” (cfr At 9, 13. 32. 41; Rm 8, 27; 1 Cor 6, 1), porque tinham a certeza de que a ação de Deus, o Espírito Santo que santifica a Igreja.
Mas em que sentido a Igreja é santa se vemos que a Igreja histórica, em seu caminho ao longo dos séculos, teve tantas dificuldades, problemas, momentos sombrios? Como pode ser santa uma Igreja feita de seres humanos, de pecadores? Homens pecadores, mulheres pecadoras, sacerdotes pecadores, irmãs pecadoras, bispos pecadores, cardeais pecadores, Papa pecador? Todos. Como pode ser santa uma Igreja assim?
Para responder à pergunta gostaria de guiar-me por um trecho da Carta de São Paulo aos cristãos de Éfeso. O apóstolo, tomando como exemplo as relações familiares, afirma que “Cristo amou a Igreja e doou a si mesmo por ela, para torná-la santa” (5, 25-26). Cristo amou a Igreja, doando todo a si mesmo na cruz. E isto significa que a Igreja é santa porque procede de Deus que é santo, lhe é fiel e não a abandona em poder da morte e do mal (cfr Mt 16, 18). É santa por que Jesus Cristo, o Santo de Deus (cfr Mc 1, 24), está unido de forma indissolúvel a esta (cfr Mt 28, 20); é santa porque é guiada pelo Espírito Santo que purifica, transforma, renova. Não é santa pelos nossos méritos, mas porque Deus a torna santa, é fruto do Espírito Santo e dos seus dons. Não somos nós a fazê-la santa: é Deus, é o Espírito Santo, que no seu amor, faz santa a Igreja!
2. Vocês poderiam dizer-me: mas a Igreja é formada por pecadores, vemos isso todos os dias. E isto é verdade: somos uma Igreja de pecadores; e nós pecadores somos chamados a deixar-nos transformar, renovar, santificar por Deus. Houve na história a tentação de alguns que afirmavam: a Igreja é somente a Igreja dos puros, daqueles que são totalmente coerentes e os outros seguem afastados. Isto não é verdade! Isto é uma heresia! A Igreja, que é santa, não rejeita os pecadores; não rejeita todos nós; não rejeita porque chama todos, acolhe-os, está aberta também aos mais distantes, chama todos a deixar-se envolver pela misericórdia, pela ternura e pelo perdão do Pai, que oferece a todos a possibilidade de encontrá-Lo, de caminhar rumo à santidade. “Mas, padre, eu sou um pecador, tenho grandes pecados, como posso sentir-me parte da Igreja?”. Querido irmão, querida irmã, é propriamente isto que deseja o Senhor; que você lhe diga: “Senhor, estou aqui, com os meus pecados”. Alguém de vocês está aqui sem os próprios pecados? Alguém de vocês? Ninguém, nenhum de nós. Todos levamos conosco os nosso pecados.. Mas o Senhor quer ouvir que lhe digamos: “Perdoa-me, ajuda-me a caminhar, transforma o meu coração!”. E o Senhor pode transformar o coração. Na Igreja, o Deus que encontramos não é um juiz implacável, mas é como o Pai da parábola evangélica. Você pode ser como o filho que deixou a casa, que tocou o fundo do distanciamento de Deus. Quando tens a força de dizer: quero voltar pra casa, encontrarás a porta aberta, Deus vem ao seu encontro porque te espera sempre, Deus te espera sempre. Deus te abraça, te beija e faz festa. Assim é o Senhor, assim é a ternura do nosso Pai celeste. O Senhor nos quer parte de uma Igreja que sabe abrir os braços para acolher todos, que não é a casa de poucos, mas a casa de todos, onde todos podem ser renovados, transformados, santificados pelo seu amor, os mais fortes e os mais frágeis, os pecadores, os indiferentes, aqueles que se sentem desencorajados e perdidos. A Igreja oferece a todos a possibilidade de percorrer o caminho da santidade, que é o caminho do cristão: faz-nos encontrar Jesus Cristo nos Sacramentos, especialmente na Confissão e na Eucaristia; comunica-nos a Palavra de Deus, faz-nos viver na caridade, no amor de Deus para com todos. Perguntemo-nos então: deixamo-nos santificar? Somos uma Igreja que chama e acolhe de braços abertos os pecadores, que dá coragem, esperança, ou somos uma Igreja fechada em si mesma? Somos uma Igreja na qual se vive o amor de Deus, na qual se tem atenção para com o outro, na qual se reza uns pelos outros?
3. Uma última pergunta: o que posso fazer eu que me sinto indefeso, frágil, pecador? Deus te diz: não ter medo da santidade, não ter medo de sonhar alto, de deixar-se amar e purificar por Deus, não ter medo de deixar-se guiar pelo Espírito Santo. Deixemo-nos contagiar pela santidade de Deus. Todo cristão é chamado à santidade (cfr Const. Dogm. Lumen gentium, 39-42); e a santidade não consiste antes de tudo em fazer coisas extraordinárias, mas no deixar Deus agir. É o encontro da nossa fraqueza com a força da Sua graça, é ter confiança em Sua ação que nos permite viver na caridade, fazer tudo com alegria e humildade, para a glória de Deus e no serviço ao próximo. Há uma célebre frase do escritor francês Léon Bloy; nos últimos momentos da sua vida dizia: “Há uma só tristeza na vida, aquela de não ser santos”. Não percamos a esperança na santidade, percorramos todos este caminho. Queremos ser santos? O Senhor espera todos nós, com os braços abertos; espera-nos para nos acompanhar neste caminho de santidade. Vivamos com alegria a nossa fé, deixemo-nos amar pelo Senhor… peçamos este dom a Deus na oração, por nós e pelos outros.

Santos Anjos da Guarda


Os Anjos são antes de tudo os mediadores das mensagens da verdade Divina, iluminam o espírito com a luz interior da palavra. São também guardiões das almas dos homens, sugerindo-lhes as diretivas Divinas; invisíveis testemunhas dos seus pensamentos mais escondidos e das suas ações boas ou más, claras ou ocultas, assistem os homens para o bem e para a salvação. São Grégorio Magno diz, que quase cada página da Revelação escrita, atesta a existência dos Anjos. No Novo Testamento aparecem no Evangelho da infância, na narração das tentações do deserto e da consolação de Cristo no Getsêmani. São testemunhas da Ressurreição, assistem a Igreja que nasce, ajudam os Apóstolos e transmitem a vontade Divina. Os Anjos preparam o juízo final e executarão a sentença, separando os bons dos maus e formarão uma coroa ao Cristo triunfante. Eles os Anjos,são mencionados mais de trezentas vezes no Antigo Testamento. Além de todas essas referências bíblicas, que po si só justificam o culto especial que os cristãos reservam aos anjos desde os primeiros tempos, é a natureza destes "espíritos puros" que estimula nossa admiração e nossa devoção.

Dizia Bozzuet : "Os Anjos oferecem a Deus as nossas esmolas, recolhem até os nossos desejos, fazem valer diante de Deus os nossos pensamentos... Sejamos felizes de ter amigos tão prestativos, intercessores tão fiéis, intérpretes tão caridosos." Fundamentando a verdade de fé, a Igreja nos diz que cada cristão, desde o momento do batismo, é confiado ao seu próprio Anjo, que tem a incumbência de guardá-lo, guiá-lo no caminho do bem, inspirando bons sentimentos, proporcionando a livre escolha que tem como meta Deus, Supremo Bem. A liturgia do dia 29 de setembro, que celebramos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, lembra ao mesmo tempo todos os coros angélicos: os Anjos, os arcanjos, os Tronos, as Dominações que adoram, as Potestades que tremem de respeito diante da Majestade Divina, os céus, as virtudes, os bem-aventurados serafins e os querubins.

O Inicio da celebração da festa distinta para os Santos Anjos da Guarda, começou desde o século XVI, universalizada pelo Papa Paulo V, depois que em 1508 Leão X aprovou o novo Ofício composto pelo franciscano João Colombi.

Oremos:Santo Anjo do Senhor, Meu zeloso guardador, se a ti me confiou a piedade Divina, sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumina. Amém.



MISSÃO AD GENTES

Caros diocesanos. Entre os meses temáticos de nosso calendário eclesial, outubro é considerado Mês das Missões. Estamos conscientes que todos somos discípulos missionários, pois a missão evangelizadora faz parte do nosso ser cristão e que a Igreja, existe para evangelizar. A Diocese de Uruguaiana, em 2013, dá destaque especial à missão, considerando-a tema do Ano Pastoral. Como cristãos, somos todos enviados em missão permanente nos ambientes onde vivemos e atuamos, mas existe também o convite para atitude missionária mais radical, a qual faz com que pessoas deixem seu convívio familiar, sua comunidade e até seu país, para evangelizar em realidades, onde o cristianismo precisa ser intensificado ou nunca foi anunciado. É a Missão Ad Gentes (Missão aos Povos). Costumamos transcrever cartas de missionários em Moçambique. A que segue é de outubro 2012, assinada pelo Padre gaúcho João Carlos A. da Silveira.
‘Ai de mim, se eu não evangelizar!’ (1 Cor 9,16).
Dia 17 de outubro deste ano adquiriu um significado todo especial para nós missionários em Moçambique: a chegada da jovem, missionária leiga, Daniela Gamarra, a querida Dani de Gravataí no Rio Grande do Sul. Ela vem reforçar a frente missionária do Projeto Igreja Solidária da CNBB Sul 3, em terras africanas. ‘Há uma necessidade de desclericalizar a missão, como, de outro modo, há uma exigência de universalizar e estender a todos o compromisso missionário’ (Giorgio Paleari – PIME).
Ela chegou no mês dedicado às missões; de modo particular, à Missão além-fronteiras, Ad Gentes. Por esses dias, somos chamados a refletir com responsabilidade adulta sobre a dimensão missionária de nossa Fé. Ser missionário não é um apêndice, algo opcional; mas está intimamente ligado ao cerne, pertence à essência, está na raiz do cristianismo: “ou somos missionários ou não somos cristãos”. É compromisso batismal; é mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Missionário do Pai. Bento XVI escreveu para o dia mundial das missões 2012: ‘Muitos sacerdotes, religiosos e religiosas, de todas as partes do mundo, numerosos leigos e até mesmo famílias inteiras deixam os seus próprios países, as suas comunidades locais e vão para outras Igrejas (Dioceses) testemunhar e anunciar o Nome de Cristo, no qual encontra a salvação a humanidade’.
Nessa mensagem, o Papa amplia o horizonte de comprometimento na Missão: ‘Assim, para um Pastor, o mandato de pregar o Evangelho não se esgota com a solicitude pela porção do Povo de Deus confiada aos seus cuidados pastorais, nem com o envio de qualquer sacerdote, leigo ou leiga - fidei donum. O referido mandato deve envolver toda a atividade da Igreja particular, todos os seus setores, em suma, todo o seu ser e operar: indicou-o claramente o Concílio Vaticano II, e o Magistério sucessivo reiterou-o com vigor. Isto exige que estilos de vida, planos pastorais e organização diocesana se adaptem, constantemente, a esta dimensão fundamental de ser Igreja, sobretudo num mundo como o nosso em contínua transformação’. São palavras fortes que necessitam encontrar eco no coração de cada batizado e na consciência de todo Pastor.
Compreendemos: missionário não é apenas aquele que vai a terras distantes, pois, onde estamos, devemos ser anunciadores da Boa Nova de Jesus. Contudo, há muito que fazer mundo a fora para que Cristo seja conhecido e amado. Percebo, também, cá em Moçambique, com forte presença muçulmana, que é muito importante como Igreja estarmos aqui: com respeito, misericórdia, profetismo e amor; proclamando o Evangelho da vida e defendendo a dignidade de cada pessoa humana; dialogando e convivendo com o diferente; bem como, animando e fortalecendo a minoria cristã.
A jovem Daniela deixa pátria, família, amigos, faculdade, emprego... Que seu exemplo desperte mais cristãos para a Missão. Bem vinda à África, Dani!”.
Dom Aloísio A. Dilli - Bispo de Uruguaiana
 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Santa Teresa do Menino Jesus ( de Lisieux )



A vida da Santa Teresa de Lisieux, ou Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face, seu nome de religiosa e como o povo carinhosamente a prefere chamar, marca na História da Igreja uma nova forma de entregar-se à religiosidade. No lugar do medo do "Deus duro e vingador", ela coloca o amor puro e total a Jesus, como um fim em si mesmo para toda a existência eterna. Um amor puro, infantil e total, como deixaria registrado nos livros "Infância Espiritual" e "História de uma alma", editados a partir de seus escritos. Sua vida foi breve, mas plena de dedicação e entrega. Morreu virgem como Maria, a Mãe que venerava, e jovem como o amor que vivenciava à Jesus, pela pura ação do Espírito Santo. 

Teresinha nasceu em Alençon, na França, em 02 de janeiro de 1873. Foi batizada com o nome de Maria Francisca Martin e desde então destinada ao serviço religioso, assim como suas quatro irmãs. Os pais, quando jovens, sonhavam em servir a Deus. Mas, circunstâncias especiais os impediram e a mãe prometeu ao Senhor que cumpriria seu papel de genitora terrena, mas que suas filhas trilhariam o caminho da fé. E assim foi, com entusiasmada aceitação por parte de Teresinha desde a mais tenra idade. 

Caçula, viu as irmãs mais velhas, uma a uma, consagrando-se a Deus até chegar sua vez. Mas, a vontade de segui-las era tanta que não quis nem esperar a idade correta. Aos quinze anos conseguiu permissão para entrar no o Carmelo, em Lisieux, permissão essa concedida especial e pessoalmente pelo Papa Leão XIII. 

Ela própria escreveu que, para servir a Jesus, desejava ser cavaleiro das cruzadas, padre, apóstolo, evangelista, mártir... Mas ao perceber que o amor supremo era a fonte de todas estas missões, depositou nele sua vida. Sua obra não frutificou pela ação evangelizadora ou atividade caritativa, mas sim em oração, sacrifícios, provações, penitências e imolações, santificando o seu cotidiano enquanto carmelita. Essa vivência foi registrada dia a dia, sendo depois editada, perpetuando-se como livro de cabeceira de religiosos, leigos e da elite dos teólogos, filósofos e pensadores do século XX. 

Teresinha teve seus últimos anos consumidos pela terrível tuberculose que, no entanto, não venceu sua paciência com os desígnios do Supremo. Morreu em 1o. de outubro de 1897 com vinte e quatro anos, depois de prometer uma chuva de rosas sobre a Terra quando expirasse. Essa chuva ainda cai sobre nós, em forma de uma quantidade incalculável de graças e milagres alcançados através de sua intervenção em favor de seus devotos. 

Teresa de Lisieux foi beatificada em 1923 e canonizada em 1925, pelo Papa Pio XI. Ela que durante toda a sua vida teve um grande desejo de evangelizar e ofereceu sua vida à causa missionária, foi aclamada, dois anos depois, pelo mesmo pontífice como "Padroeira especial de todos os missionários, homens e mulheres, e das missões existentes em todo o universo, tendo o mesmo título de São Francisco Xavier". Esta "grande santa dos tempos modernos" foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa João Paulo II, em 1997.

O PÃO DA VIDA


 

                                               
        Eu sou o pão da vida que desceu do céu.
      Quem comer deste pão viverá eternamente.” 
                                  (Jo  6,51)

 Essa afirmação de Jesus faz pensar cuidadosamente na  vida  aqui na terra e na eternidade. Para alcançar à vida eterna é preciso ser bom cristão e  seguir fielmente os ensinamentos de Jesus.

O compromisso que é assumido na comunhão é muito sério. Comungar é repartir, é fazer comunhão com a pessoa e o projeto de Jesus, que é um projeto de vida e que exige uma transformação pessoal e consequentemente da sociedade. Comungar é valorizar a vida em toda e qualquer situação.

E é nesse sentido que se comunga? Ou se faz  sem   compromisso com Jesus, com a comunidade, com o irmão e com a  sociedade.  Se não há partilha, se não há responsabilidade diante do Pão vivo que se recebe no altar, por que comungar? Se estamos fazendo a vontade do Pai por que há tanta fome, miséria e injustiça no mundo? 

O Projeto de Deus é ter fartura na mesa de todos, é ter trabalho para todos, é ter vida digna para todos. Jesus veio para isso, se fez alimento para  fortalecer a caminhada deste mundo rumo a vida eterna, para que todos tenham vida em abundância. (Jo 10,10)

Então é necessário perguntar: vamos a Jesus para segui-lo ou temos falsificado sua mensagem e o transformamos em mais  um ídolo que não dá vida? Se Ele veio do céu para fazer a vontade do Pai, a vontade de quem nós estamos fazendo?

Na Liturgia reconhecemos a presença de Jesus no meio de nós? Participamos da Celebração Eucarística   de coração aberto para Jesus poder tomar o seu lugar? Quantos  louvores e cânticos são proferidos com alegria ao Senhor, quantas pessoas comungam todos os domingos?  E  nenhuma mudança acontece , a sociedade continua vivendo a cultura da morte, do consumismo egoísta, do insensível individualismo anti solidário?

Precisamos refletir profundamente sobre a comunhão, sobre a presença viva de Jesus neste Pão, e voltar a dar à Eucaristia seu sentido original: comungar com a pessoa e o projeto de Jesus, para que  volte a ser de fato o pão da Vida.
                           Maria Ronety Canibal




segunda-feira, 30 de setembro de 2013

São Jerônimo

São Jerônimo
(347-420)

30 de Setembro - 

É incontestável o grande débito que a cultura e os cristãos, de todos os tempos, têm com este santo de inteligência brilhante e temperamento intratável. Jerônimo nasceu em uma família muito rica na Dalmácia, hoje Croácia, no ano 347. Com a morte dos pais, herdou uma boa fortuna, que aplicou na realização de sua vocação para os estudos, pois tinha uma inteligência privilegiada. Viajou para Roma, onde procurou os melhores mestres de retórica e desfrutou a juventude com uma certa liberdade. Jerônimo estudou por toda a vida, viajando da Europa ao Oriente com sua biblioteca dos clássicos antigos, nos quais era formado e graduado doutor.

Ele foi batizado pelo papa Libério, já com 25 anos de idade. Passando pela França, conheceu um monastério e decidiu retirar-se para vivenciar a experiência espiritual. Uma de suas características era o gosto pelas entregas radicais. Ficou muitos anos no deserto da Síria, praticando rigorosos jejuns e penitências, que quase o levaram à morte. Em 375, depois de uma doença, Jerônimo passou ao estudo da Bíblia com renovada paixão. Foi ordenado sacerdote pelo bispo Paulino, na Antioquia, em 379. Mas Jerônimo não tinha vocação pastoral e decidiu que seria um monge dedicado à reflexão, ao estudo e divulgação do cristianismo.

Voltou para Roma em 382, chamado pelo papa DâmasCo, para ser seu secretário particular. Jerônimo foi incumbido de traduzir a Bíblia, do grego e do hebraico, para o latim. Nesse trabalho, dedicou quase toda sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se "Vulgata" e tornou-se oficial no Concílio de Trento.

Romano de formação, Jerônimo era um enciclopédico. Sua obra literária revelou o filósofo, o retórico, o gramático, o dialético, capaz de escrever e pensar em latim, em grego, em hebraico, escritor de estilo rico, puro e eloquente ao mesmo tempo. Dono de personalidade e temperamento fortíssimo, sua passagem despertava polêmicas ou entusiasmos.

Devido a certas intrigas do meio romano, retirou-se para Belém, onde viveu como um monge, continuando seus estudos e trabalhos bíblicos. Para não ser esquecido, reaparecia, de vez em quando, com um novo livro. Suas violências verbais não perdoavam ninguém. Teve palavras duras para Ambrósio, Basílio e para com o próprio Agostinho. Mas sempre amenizava as intemperanças do seu caráter para que prevalecesse o direito espiritual.

Jerônimo era fantástico, consciente de suas próprias culpas e de seus limites, tinha total clareza de seus merecimentos. Ao escrever o livro "Homens ilustres", concluiu-o com um capítulo dedicado a ele mesmo. Morreu de velhice no ano 420, em 30 de setembro, em Belém. Foi declarado padroeiro dos estudos bíblicos e é celebrado no dia de sua morte.
via internet

E A PALAVRA SE FEZ CARNE


“Antes de ser criado o mundo, aquele que é a Palavra já existia, Ele estava com Deus e era Deus. Desde  o inicio, a Palavra estava com Deus. Por meio da Palavra, Deus fez todas as coisas, e nada do que existe foi feito sem ela. A Palavra era a fonte de vida, e essa vida trouxe a luz para todas as pessoas. A luz brilha na escuridão e a escuridão não consegue apaga-la.” (Jo 1,1-5) “...E a Palavra se tornou um ser humano e morou entre nós, cheia de amor e de verdade. E nós vimos a revelação da sua natureza divina, natureza que  Ele recebeu como Filho único do Pai.”(Jo 1, 14)
Deus proferiu sua Palavra eterna de modo humano, e a Palavra continua entre nós, ilumina a vida, guia os passos e anima na caminhada. Jesus é a Palavra de Deus.
Essa é a Boa Noticia!
Jesus é a Palavra proclamada que atravessou séculos, e hoje é entregue a nós. A Palavra permanece eternamente, entrou no tempo e na historia da humanidade, e trouxe ao mundo a salvação, pois tem a sua plenitude no mistério da encarnação, morte e ressurreição do Filho de Deus.
A Palavra contida na Sagrada Escritura  é  transmitida na tradição viva da Igreja Católica, atestada e divinamente  inspirada, no Antigo e Novo Testamento. Por isso a fé católica é a religião da Palavra de Deus, de Jesus Cristo que vive entre nós.
A Palavra tem um rosto, Jesus de Nazaré!
A Palavra Sagrada é para ser proclamada, escutada, lida, acolhida e vivida. Quem conhece a Palavra divina conhece plenamente o significado de cada criatura.  E quem constrói a sua vida sobre a Palavra, a edifica de modo verdadeiramente sólido e duradouro.
No tempo de hoje, em um mundo consumista, relativista, descartável, onde as relações humanas são superficiais, onde o ter, o prazer e o poder vigoram, um mundo onde falham as certezas humanas, ter uma vida alicerçada sobre  a Palavra, é ter onde colocar a própria esperança.
É necessário que o católico tome consciência de que ser cristão é caminhar com Jesus, é ter aderido à pessoa de Cristo e seu projeto e por isso é importante ler e meditar a Palavra todo o dia, para estar sempre iluminado pelo Santo Espírito no seu sentir, pensar e agir. Porque a Palavra quando mora no coração ela é Palavra vivida.
Ser cristão é anunciar Jesus Cristo através de seu jeito de viver.
                                   Maria Ronety Canibal


domingo, 29 de setembro de 2013

Francisco: "Se perdermos a memória de Deus também nós perdemos a consistência"





Homilia do Santo Padre na santa missa da Jornada dos catequistas

ROMA, 29 de Setembro de 2013 (Zenit.org) - Na manhã desse domingo às 10.30 (hora de Roma), o santo padre celebrou a santa missa pela Jornada dos Catequistas, por ocasião do Ano da Fé, na praça de São Pedro. Publicamos a seguir a homilia:
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1 . “Ai dos despreocupados de Sião e daqueles que se consideram tranquilos, ... deitados em leitos de marfim” (Am 6,1.4 ), comem, bebem, cantam, se divertem e não se preocupam com os problemas das outras pessoas.
Estas palavras do profeta Amós são duras, mas chamam a atenção sobre um perigo que todos nós corremos. O que é que este mensageiro de Deus denuncia, o que é que coloca diante dos olhos de seus contemporâneos e até mesmo diante de nossos olhos hoje? O risco do conforto, da comodidade, da mundanidade na vida e no coração, de colocar no centro da nossa vida o nosso bem-estar. É a mesma experiência do rico do Evangelho, que vestia roupas de luxo e todos os dias se dava abundantes banquetes; isto era importante para ele. E o pobre que estava à sua porta e não tinha nada para matar a fome? Não era problema dele, não lhe dizia respeito. Se as coisas, o dinheiro, a mundanidade se tornam o centro da vida, elas nos prendem, nos possuem e nós perdemos a nossa própria identidade de homens: olhem bem, o rico do Evangelho não tem nome, é simplesmente “um rico”. As coisas, o que possui, são o seu rosto, não tem outros.
Mas tentemos perguntar-nos: por que é que isso acontece? Como é possível que os homens, talvez também nós, caiamos no perigo de encerrar-nos, de colocar a nossa segurança nas coisas, que no final das contas nos roubam o rosto, o nosso rosto humano? Isso acontece quando perdemos a memória de Deus. " Ai dos despreocupados de Sião", dizia o profeta. Se não há memória de Deus, tudo fica nivelado, tudo vai para o ego, para o meu bem-estar. A vida, o mundo, os outros, perdem a consistência, não contam para nada, tudo se reduz a uma única dimensão: o ter. Se perdemos a memória de Deus, até nós mesmos perdemos consistência, até nós nos esvaziamos, perdemos o nosso rosto como o rico do Evangelho! Quem corre atrás do nada torna-se ele mesmo um nada – diz outro grande profeta, Jeremias (cf. Jer 2,5 ) . Nós somos feitos à imagem e semelhança de Deus, não à imagem e semelhança das coisas, dos ídolos!
2 . Agora, olhando para vocês, me pergunto: quem é o catequista? É aquele que protege e nutre a memória de Deus; a guarda em si mesmo e sabe despertá-la nos outros. É bonito isso: fazer memória de Deus, como Nossa Senhora que, diante da ação maravilhosa de Deus na sua vida, não pensa na honra, no prestígio, nas riquezas, não se fecha em si mesma. Pelo contrário, depois de ter acolhido o anúncio do Anjo e de ter concebido o Filho de Deus, o que faz? Vai, visita à anciã parente Isabel, também grávida, para ajudá-la; e no encontro com ela o seu primeiro ato é a memória do atuar de Deus, da fidelidade de Deus na sua vida, na história do seu povo, na nossa história: “A minha alma engrandece ao Senhor ... pois olhou para a humildade da sua serva.... de geração em geração a sua misericórdia " (Lc 1,46.48.50 ) . Maria tem memória de Deus.
Neste cântico de Maria tem também a memória da sua história pessoal, a história de Deus com ela, a sua própria experiência de fé. E assim é para cada um de nós, para cada cristão: a fé contém precisamente a memória da história de Deus conosco, a memória do encontro com Deus, que se move primeiro, que cria e salva, que nos transforma; a fé é memória da sua Palavra que aquece o coração, das suas ações de salvação com que nos dá vida, nos purifica, nos cura, nos alimenta. O catequista é precisamente  um cristão que coloca esta memória ao serviço do anúncio; não para se mostrar, não para falar de si, mas para falar de Deus, do seu amor, da sua fidelidade. Falar e transmitir tudo o que Deus revelou, ou seja, a doutrina na sua totalidade, sem tirar ou acrescentar.
São Paulo aconselha especialmente ao seu discípulo e colaborador Timóteo uma coisa: “lembra-te, lembra-te de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos, que eu anuncio e pelo qual sofro (cf. 2 Tm 2, 8-9). Mas o apóstolo pode dizer isso porque ele se lembrou primeiro de Cristo, que o chamou quando era um perseguidor dos cristãos, o tocou e transformou com a sua Graça.
O catequista, então, é um cristão que carrega consigo a memória de Deus, se deixa guiar pela memória de Deus em toda a sua vida, e sabe como despertá-la no coração dos outros. Isso é exigente! Compromete toda a vida! O que é o mesmo Catecismo, senão memória de Deus, memória da sua ação na história, do seu ter-se feito próximo em Cristo, presente na sua Palavra, nos Sacramentos, na sua Igreja, no seu amor? Caros catequistas, pergunto-lhes: nós somos memória de Deus? Somos realmente como sentinelas que despertam nos outros a memória de Deus, que aquece o coração?
3. "“Ai dos despreocupados de Sião", diz o profeta. Qual o caminho a ser seguido para não virar pessoas “despreocupadas”, que colocam a sua segurança em si mesmas e nas coisas, mas homens e mulheres da memória de Deus? Na segunda leitura, São Paulo, escrevendo a Timóteo, dá algumas indicações que podem marcar também a trajetória do catequista, o nosso caminho: seguir a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão (cf. 1 Tm 6 , 11) .
O catequista é homem da memória de Deus  se tiver um relacionamento constante, vital com Ele e com os outros; se for homem de fé, que confia realmente em Deus e coloca Nele a sua segurança; se for homem de caridade, de amor, que vê a todos como irmãos; se for homem de “hypomoné”, de paciência, de perseverança, que sabe lidar com as dificuldades, provações, fracassos, com serenidade e esperança no Senhor; se for  homem manso, capaz de compreensão e de misericórdia.
Peçamos ao Senhor para sermos todos homens e mulheres que guardem e alimentem a memória de Deus na própria vida e saibam despertá-la no coração dos outros. Amén.
Tradução Thácio Siqueira