sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

JESUS É O CAMINHO

Caros diocesanos. No retiro do Presbitério, em 2014, nosso assessor, Pe Flávio Martinez, da Arquidiocese de Pelotas/RS, foi convidado a orientar-nos sobre o tema pastoral do ano: Iniciação à Vida Cristã, junto com o texto bíblico referencial dos Discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35), destacando a frase: “O que andam conversando pelo caminho?” (Lc 24, 17).

Quando um retirante acolhe a luz do Espírito Santo e participa com empenho generoso dos diversos momentos de um retiro, certamente, abre-se o caminho para um frutuoso exercício espiritual. Não foi diferente, em Vale Vêneto – São João do Polesine/RS. Uma das palavras mais destacadas nas exposições, desde o começo, foi “Caminho”, motivada pelo texto bíblico referencial, em que Jesus aparece aos discípulos de Emaús e caminha com eles, revelando-se aos poucos como o Ressuscitado. Nas reflexões pessoais fui percebendo o quanto esse termo é importante na vida de Jesus e, conseqüentemente, na vida dos seus discípulos, da sua Igreja e de cada um de nós. Não é por nada que Jesus é apresentado no Evangelho de São João como Aquele que se identifica com “o Caminho”. Quando o apóstolo Tomé pergunta: “Senhor, não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” Jesus responde: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14, 5-6). O mesmo sentido é usado por Lucas nos Atos dos Apóstolos, quando ele narra a perseguição de Saulo nas comunidades cristãs: “Saulo apresentou-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas de recomendação para as sinagogas de Damasco, a fim de trazer presos para Jerusalém os homens e mulheres que encontrasse, adeptos do Caminho” (At 9, 1-2). Os primeiros cristãos já consideravam Jesus como o Caminho, aquele que conduz à comunhão com Deus, ou seja, Jesus Cristo é o caminho do divino que vem ao encontro do humano e que possibilita ao humano encontrar-se com o divino. É o sentido teológico da festa natalina. A liturgia fala em troca de dons entre o céu e a terra.

Poderíamos usar ainda outros textos bíblicos que apresentam essa dinâmica peregrina, presente em toda vida de Jesus, que pode ser resumida num longo Caminho, desde Belém até Jerusalém, convidando permanentemente discípulos missionários e discípulas missionárias, em todos os tempos, para segui-lo. Agora chegou a nossa vez. O Papa Francisco fala em “Igreja em saída”, isto é, uma Igreja a caminho missionário!

Estamos no tempo do Natal e ainda desejo apresentar o que São Francisco de Assis, o criador do presépio, em Greggio – Itália - escreveu sobre o nascimento de Jesus que, segundo ele aconteceu a caminho: “Um Menino santíssimo e dileto nos foi dado e nasceu por nós (cf. Is 9, 6) no caminho e foi colocado no presépio (cf. Lc 2, 7) porque ele não tinha um lugar na hospedaria (cf. Lc 2, 7)” (Ofício da Paixão do Senhor, 5ª parte – No Tempo do Natal do Senhor, 7). Sim, Jesus nasceu no caminho, na realidade dos pequenos de sua época, numa gruta de animais, nos arredores de Belém, recebendo a visita de humildes pastores.

No Natal de 2014 o Senhor quer nascer no caminho de nossa vida, em nossa realidade concreta: nosso coração, família, comunidade, pastoral, escola, serviço, movimento, associação, trabalho, convivência social... Ele quer estar junto a nós, e com todos, pois veio para ser o Emanuel: Deus conosco (Is 7, 14). Há lugar para Ele no caminho de nossa vida? Caso tivermos, convidemo-lo e Ele caminhará conosco. Feliz Natal, com Sua presença, e Abençoado Ano Novo - Ano da Animação Bíblica da Vida e da Pastoral - em nossa Diocese! Que Ele torne-se sempre mais ‘tenda da Palavra’ entre nós, pois Ele é a Palavra que se fez carne (cf Jo 1, 14). Feliz Natal para todos!

Dom Aloísio A. Dilli – Bispo de Uruguaiana

domingo, 30 de novembro de 2014

Ano da paz, novo advento


Dom Walmor Oliveira de Azevedo 
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)
A Igreja Católica decidiu, durante a Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), promover um Ano da Paz. Essa decisão importante fundamenta-se na urgência de unir esforços para transformar a realidade e lutar, incansavelmente, na promoção da paz, que é um dom de Deus, entregue aos homens e mulheres de boa vontade pelo Príncipe da Paz, Jesus Cristo, Salvador e Redentor.

Ao investir na promoção do Ano da Paz, a Igreja, a partir de sua tarefa missionária de anunciar Jesus Cristo e seu Reino, empenha-se e busca sensibilizar outros segmentos da sociedade para enfrentar a violência, que atinge de modo arrasador a vida, a dignidade humana e as culturas. Uma fonte de sofrimento que ameaça o futuro da humanidade, com graves consequências para diferentes povos e sociedades. Ao promover o Ano da Paz, a CNBB aciona a grande rede de comunidades de fé que forma a Igreja no Brasil para que, em parceria com outras instituições, seja cultivada uma consciência cidadã indispensável na construção de uma sociedade sem violência. Para isso, conforme ensina Jesus no Sermão da Montanha, é necessária a vivência de uma espiritualidade que capacite melhor os filhos de Deus, tornando-os construtores e promotores da paz.
Trata-se de um percurso longo a ser trilhado, uma dinâmica complexa a ser vivida, para que o coração humano torne-se coração da paz. O Papa Francisco, na sua Exortação Apostólica Alegria do Evangelho, sublinha que, enquanto não se eliminarem a exclusão e a desigualdade dentro da sociedade e entre os vários povos, será impossível erradicar a violência que, venenosamente, consome vidas, mata sonhos e atrasa avanços.
A vivência do Ano da Paz é uma tarefa que deve ser assumida pelos homens e mulheres de boa vontade, empenhados no trabalho de contribuir para que cada pessoa se reconheça como um coração da paz. Esse serviço deve ser vivido de modo criativo, sem enrijecimentos ou complicações, valendo-se de estruturas, instituições, especialmente as educativas e os meios de comunicação. No exercício dessa tarefa, é preciso cultivar uma espiritualidade que determina rumos. Ao mesmo tempo, torna-se imprescindível exercitar a intrínseca dimensão política de nossa cidadania, lutar pelo estabelecimento de dinâmicas e processos que ajudem a avançar na erradicação dessa assombrosa e crescente onda de violência que se abate sobre nossa sociedade, provocada, de certo modo, pela mesquinhez que caracteriza o mundo atual.
A vivência do Ano da Paz, ainda que sem impactantes eventos, é a esperança de que as ações simples e cotidianas, de cada pessoa, podem provocar grandes mudanças, especialmente as culturais, que contribuem para a manutenção da violência. No Brasil, por exemplo, as estatísticas mostram que, anualmente, o número de homicídios é equivalente ao de guerras pelo mundo afora. Não se pode abrir mão de análises profundas com força sensibilizadora, capaz de despertar certa indignação sagrada e cidadã. Também são importantes os debates em congressos, seminários e outras modalidades, aproveitando oportunidades variadas para se falar do tema da violência e suas consequências, que acabam com tudo – inclusive com a possibilidade de se partilhar ocasiões festivas.
A ausência da paz inviabiliza, por exemplo, que os diferentes partilhem momentos de festa nos estádios de futebol, de modo saudável, alegre e fraterno. Infelizmente, prevalecem situações de selvageria nos estádios e nas ruas. A violência se faz presente também no ambiente das empresas, escritórios e, abominávelmente, no sacrossanto território da família, pela agressividade contra as mulheres. A ausência da paz nos lares, o desrespeito às mulheres, impede que crianças e jovens desfrutem do direito insubstituível de ter uma família, escola do amor e humanização.
Que o Ano da Paz comece sempre pelo exercício eficaz de se silenciar, em comunhão com os membros da própria família, nos escritórios, salas de aulas, nas igrejas, nas reuniões e em outros grupos. Um minuto de silêncio pode fazer diferença no cultivo da paz no próprio coração, tornando-o um coração da paz. Nesse caminho, cada pessoa se qualifica para atuações mais comprometidas na mudança de cenários, valorizando os pequenos gestos e as pequenas mudanças na construção da grande e urgente transformação cultural, um “passo a passo” para vencer a violência. Do tempo do Advento - preparação para o Natal deste ano - até a celebração do Natal em 2015, vamos vivenciar o Ano da Paz, oportunidade para cultivar uma densidade interior. Essa experiência permitirá a todos, no dia a dia, em diferentes oportunidades, com gestos e ações, contribuir para o novo advento, a paz entre nós.


quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Santa Catarina de Alexandria



"Sou esposa do Rei Altíssimo, o Salvador do mundo. Eis o anel pelo qual o Senhor Jesus me declarou sua esposa", dizia Catarina

- “A fama de Santa Catarina de Alexandria sobrevive na devoção crista e no nome de muitas igrejas em todas as partes do mundo” dizia o Papa João Paulo II referindo-se à Santa que nasceu em meados do século III em Alexandria filha do Rei Costus e Sabinela. Educada em esmerada didática, aos 13 anos já era mestra em diversas artes. Após a morte do Rei, Sabinela e Catarina partiram para a Cilícia onde encontraram o eremita Ananias que lhes anunciou a fé cristã. Catarina permanecia irredutível em seu paganismo e para dar-se em casamento exigia que fosse alguém superior a ela em beleza, dignidade, riqueza e inteligência.

Catariana e sua mãe tiveram um sonho profético que foi interpretado por Ananias como sendo Jesus o pretendente a desposar a jovem. Ela então decidiu abraçar a fé e foi batizada. Certa vez em oração o Senhor a presenteou com um anel selando sua pertença. Sua dedicação à oração, contemplação e estudo da palavra era profunda ao que ela dizia: “Ó pecadora, como perdi meu tempo nas trevas dos livros profanos”! Retornaram para Alexandria e pouco tempo depois sua mãe faleceu. Catarina decidiu então fazer de sua casa um local de formação cristã. Acolhia os doentes e da fortuna de seu pai usava para ajudar os pobres. Sua fama chegou ao conhecimento do Imperador Maximiano, um dos grandes perseguidores dos cristãos e seu filho Maxêncio promoveu um debate público e prometeu grande fortuna para quem combatesse Catarina e a retirasse da fé cristã. O preparo de Catarina e o auxílio do Espírito Santo lhe renderam vigorosa vitória sobre os sábios, vindo inclusive a convertê-los ao Cristianismo.

Maxêncio ordenou a prisão de Catarina e tentou por diversos meios persuadi-la a abandonar a fé cristã e casar-se com ele. A jovem refutava todas as suas investidas sempre exaltando sua pertença a Deus. Encolerizado, Maxêncio mandou flagela-la e a lançou na prisão com sede e e fome. Sem sucesso, foi ordenado então o seu suplício em uma grande roda com facas e pontas de ferro. Após o suplício foi ordenado sua morte pela decapitação no dia 25 de novembro de 305.

Santa Catarina de Alexandria faz parte dos quatorze santos auxiliares da cristandade.




sábado, 22 de novembro de 2014

A virtude deve ser praticada



Dom Alfredo Schaffler 
Bispo de Parnaíba (PI)

A virtude é exaltada pelas pessoas que sabem distinguir o bem do mal, de acordo com a ética, a honradez, os valores inerentes à dignidade humana e o altruísmo. Mas hoje se confunde muito o mal moral com o bem subjetivo, a ponto de se inverterem os valores.A “esperteza” ou a “lei de Gerson” é considerada como a virtude de quem está acima do bem e do mal. Valoriza-se quem se projeta passando por cima dos frágeis. Aí acontecem a compra de votos, a apresentação de alguém se considerar superior ou mais importante dos demais por ter ludibriado os outros nos negócios e empreendimentos, bem como em situações de concorrência.

A Bíblia apresenta a mulher virtuosa na pessoa de quem tudo faz com dedicação e amor para servir a família em vista de um ideal de dar de si para o bem do lar (Cf. Provérbios 31,10-31). Não se trata de uma condição servil na subserviência devida à condição cultural da época, mas da virtude de quem entende o convívio familiar assumido com apreço e vontade de fazê-lo bom para todos os seus membros. Precisamos de exemplos assim para realçar o altruísmo como base para se praticarem as virtudes humanas.
Estas levam à atitude de ternura, desapego, serviço de amor e prática da solidariedade. Viver apenas para se pensar cada um para si, não focaliza a realidade humana frente a um ideal de serviço ao bem comum. Sem a consistência do valor de se viver para ajudar a construir um mundo mais justo e humano, faz o egoísmo grassar a comunidade, a ponto de se pensar que virtude é olhar para si sem compromisso com o bem estar dos outros. Nossa vida é um dom do Criador para colocarmos nossos talentos na prática da realização do seu projeto, que nos quer felizes já na terra.
Para isso, é preciso que cada um coloque seus dons a serviço do bem comum. Caso contrário, nós nos tornamos servos inúteis. Seríamos como os jogadores que pensassem só em si individualmente, sem colaborar com o time para ele ganhar o jogo. Na realidade, o time só ganha quando o ajudarmos a ganhar.
É preciso reconstituir o sentido original das virtudes, para elas serem a prática de um compromisso solidário, com manifestação de ética e altruísmo nas relações interpessoais. A virtude considerada só como um bem para si não dá fruto. 
Seria como uma árvore frutífera que não produz nada. Ao mesmo tempo, o conjunto de virtudes pessoais deve estar atrelado à sua finalização, ou seja, a de ser o cultivo de valores pessoais que culminem com o benefício do semelhante.
Na parábola dos talentos Jesus apresenta o cuidado de quem os recebe para desenvolvê-los de acordo com o que foi contratado pelo dono que os emprestou. De fato, não somos donos de nossa vida e de nossas qualidades. Na hora em que Deus nos chamar para a eternidade, devemos ter o resultado do que fizemos com os dons na vida presente.
Ao contrário, podemos nada receber por não termos merecido o que não fizemos com os pendores recebidos. Poderemos ouvir: “Servo mau e preguiçoso!... Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão” (Mateus 2526.30).
O apóstolo Paulo lembra que os talentos são outorgados por Deus para serem colocados a serviço do bem comum (1 Coríntios 12,7). Firme na fé e fiquem com Deus!

Festa de Cristo Rei, dia dos cristãos leigos e leigas


 

 Dom Severino Clasen
Bispo de Caçador (SC)
Na festa de Cristo Rei, comemoramos o dia dos cristãos leigos e leigas. Iniciamos parabenizando a todos os batizados em nome da Trindade. Pela graça do Batismo fomos incorporados no ressuscitado e com ele aceitamos o convite de sermos “sacerdotes, profetas e reis”.

A Comissão Episcopal de Pastoral para o Laicato da CNBB quer externar a alegria por contar com tantos milhões de cristãos leigos e leigas que se engajam nos trabalhos pastorais, vivem seu carisma específico numa comunidade, ou associação de fieis, ou institutos seculares, ou movimentos ou em tantas outras formas expressões laicais que enriquecem a Igreja como sinal do Reino de Deus.
Jesus Cristo é proclamado Rei do Universo. Por isso, por sermos filhos desse Reino, devemos ajudar e promulgar o mesmo inaugurado por Jesus Cristo. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33).
Nosso modo de viver e testemunhar a fé cristã, o nosso jeito de ser na Igreja e na sociedade deve contribuir para que esse Reino cresça para o bem de toda a humanidade. Na família, no trabalho, na escola, na política, no esporte, na Igreja somos desafiados a viver os sentimentos de Jesus Cristo. O mestre mesmo nos diz: “Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa Nova” (Mc 1,15).
Não podemos ficar protelando na vida os sinais do bem, da justiça, da paz e da alegria. Toda tristeza e toda mágoa que alimentamos nos distanciam do Reino de Deus, portanto, o cristão está em contínua vigilância e atento, de rosto livre e limpo tendo atitudes corretas e de respeito onde vive no dia a dia. “Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!” (Mc 10,15).
Na alegria e na tristeza os batizados agem com sentimentos de estima, de responsabilidade, de compaixão e de misericórdia. Os cristãos leigos e leigas não vivem isolados; fechados em si mesmos, muitos recebem o mandato pela inspiração do Mestre e, iluminados pelo Espírito Santo, decidem agir em outros lugares na busca de fazer o bem. “Mas Ele disse-lhes: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, pois é para isso que fui enviado” (Lc 4,43).
Alegramo-nos com os milhões de cristãos leigos e leigas que, como sujeitos eclesiais, atuam na Igreja como catequistas, animadores de comunidades, ministros extraordinários da Eucaristia, na pastoral da Juventude, nos Conselhos de Pastorais, Pastoral da Criança, Pastoral da Pessoa Idosa, e tantas outras iniciativas. Agradecemos, também, a tantos que atuam nos diferentes campos da sociedade e são pessoas boas que pelo jeito de ser, atraem o bem e são instrumentos de paz e harmonia na sociedade. São pessoas que divulgam com a vida e testemunho a gratuidade do Reino de Deus.
Que em cada Diocese do Brasil os leigos se organizem, vejam quais as ações viáveis para fortalecer os batizados na vida prática e contar cada vez mais com um laicato maduro que ampliará com certeza o Reino de Deus entre nós. Fortalecer os Conselhos Diocesanos de Leigos onde existem, e criar onde ainda não existem, para enriquecer a dignidade dos leigos e leigas em todo o Brasil. Os Conselhos vão além das organizações, das  Pastorais, são a expressão da organização e articulação dos leigos e leigas e da força da sua identidade e dignidade de cristãos batizados, implantando o Reino de Deus entre nós.
Homenageando a todos os cristãos leigos e leigas, queremos afirmar o compromisso de fomentar o desejo de promover a paz, missão de cada ser humano juntamente com os bispos, padres e religiosos e religiosas, diáconos. Assim teremos um mundo sonhado por Deus e nunca mais se ouvirá notícias de mortes violentas, corrupções, desajustes familiares, vícios que machucam famílias e toda a sociedade.
Parabéns por vocês serem pessoas comprometidas com o Reino de Deus.
O Senhor da Vida os abençoe.
Dom Frei Severino Clasen, OFM
Bispo Diocesano de Caçador, SC
Presidente da Comissão Episcopal de Pastoral para o Laicato.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA CONQUISTADORA

Caros diocesanos. Estamos diante da 23ª Romaria Diocesana, que será realizada no dia 23 de novembro, com o lema: “Com Maria caminhamos na estrada de Jesus”.

A história do cristianismo sempre contou com a presença de Maria Santíssima, a Mãe de Jesus e da Igreja, com um sem-número de nomes e manifestações. O Documento de Aparecida afirma: “Com alegria constatamos que ela tem feito parte do caminhar de cada um de nossos povos, entrando profundamente no tecido de sua história e acolhendo as ações mais nobres e significativas de sua gente” (DAp 269). Isso nós confirmamos na história de nosso País e, especificamente, na Fronteira Oeste de nosso Estado, com a manifestação de Nossa Mãe Conquistadora. Sempre é bom recordarmos sua origem, sua história, sobretudo, na época das romarias. Aliás, estamos numa fase de incentivarmos a devoção a Nossa Senhora Conquistadora, padroeira da diocese. Certamente, os diocesanos dedicam à Mãe Conquistadora sua devoção mariana primordial, uma vez que ela surgiu em nossa região, junto com os Mártires das Missões. Assim como outrora conquistou os nativos desta terra para o cristianismo, ela continua a conquistar hoje também os nossos corações para Jesus. E como gesto concreto nós queremos edificar uma Capela, em sua homenagem, no terreno do santuário. Participe da campanha da estampa de Nossa Senhora Conquistadora! Veja em sua Paróquia!

Eis um breve histórico de Nossa Senhora Conquistadora!

Nossa Senhora foi companheira inseparável de Pe. Roque Gonzáles. Ele, junto com o Pe. Afonso Rodrigues e Pe. João de Castilhos, foi missionário jesuíta que ensinou o Evangelho aos índios do Rio Grande do Sul, região inicialmente chamada Tupanciretã, que significa “Terra da Mãe de Deus”. A partir de 1626, fundou algumas Reduções que não prosperaram (1ª fase do Tape). Entrando de barco pelo nosso rio Ibicuí, até cinqüenta léguas acima de sua foz. Em 1682, ocorreu a fundação dos Sete Povos das Missões, dos quais São Borja foi o primeiro (2ª fase do Tape).

A imagem da Imaculada Conceição que acompanhava os missionários passou a chamar-se de “Conquistadora” pelo seguinte fato: no início de 1614, Pe. Diogo Torres visitou a célebre e próspera Redução de Santo Inácio Guassu (na atual Argentina). Este trazia consigo um quadro da Mãe de Deus, pintado, em 1613, pelo Irmão jesuíta Bernardo Rodrigues, contemporâneo do Pe. Roque Gonzáles. A imagem foi recepcionada solenemente, com músicas, danças e orações. Na entrega da imagem, o Provincial Torres disse aos índios que colocassem nela toda confiança; que grandes benefícios haveriam de alcançar de Deus, pela intercessão de Maria. Na ocasião, estavam também dois caciques de outras aldeias, ainda contrários à fé católica. Pe. Diego os convidou à conversão, mas recusaram. Os índios já cristãos recomendaram o caso a Nossa Senhora e, dia após, ambos apareceram, trazendo consigo um terceiro cacique. Além desse fato, contam que o Pe. Roque Gonzáles, quando ia em missão, carregava consigo o quadro de Nossa Senhora da Conceição e dizia: “Ela é a nossa Conquistadora! Ela nos ajudará a evangelizar e a conquistar os índios!”. E assim, ela passou a ser chamada e invocada por todos como Nossa Senhora Conquistadora.

Aos 15 de novembro de 1628, Pe. Roque Gonzáles e Pe. Afonso Rodrigues foram mortos por outros índios, que não aderiram à fé católica. Após o martírio dos missionários, a estampa da Conquistadora foi rasgada e lançada às chamas. Isso ocorreu em Caaró, município de Caibaté/RS. Dia 17, foi morto também Pe. João de Castilhos. Aos 07/06/1957, o Papa Pio XII declarou Nossa Senhora Conquistadora como Padroeira da Diocese de Uruguaiana, juntamente com São Miguel Arcanjo. Sua festa é celebrada dia 15 de novembro.

Dom Aloísio A. Dilli – Bispo de Uruguaiana

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Responsabilidade




Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará (PA)


Ao aproximar-se o final do Ano Litúrgico, a Igreja nos brinda com a conhecida Parábola dos Talentos (Cf. Mt 25, 14-30). Aquele que é a Sabedoria de Deus (Cf. 1 Cor 1, 24) nos oferece o caminho para assumir com dignidade a vida que nos foi dada de presente. A partir da parábola, "talento" veio a significar um dom, habilidade ou qualidade. Ao tempo da redação do Evangelho, talento era uma unidade monetária equivalente a cinquenta quilos de prata, correspondente a cerca de seis mil denários, e um denário era a diária de um trabalhador do campo. O servo da parábola que recebeu um talento tinha muito em mãos e podia fazer tanto com o que lhe fora dado.

As parábolas são propostas pelo Senhor para provocar positivamente, suscitando uma resposta de vida. Do dinheiro passamos à nossa história. Os servos somos nós; os talentos são as condições oferecidas por Deus a cada um; o tempo de viagem do proprietário é a vida; a volta inesperada é a morte, nossa páscoa pessoal; a prestação de contas é o juízo e a entrada na festa, o banquete da alegria, oferecido pelo Senhor, o Paraíso. No final de tudo, quando a obra de nossa vida estiver concluída, no tempo certo conhecido pelo Senhor da História, haveremos de entregar os dons que nos foram concedidos não para nossa vaidade, mas para servir e amar a Deus e ao próximo.
Como Deus não impõe, mas propõe, à sua proposta cabe uma resposta. Temos consciência de não sermos proprietários da própria vida, mas administradores dos dons de Deus. Nenhuma pessoa inventou sua vida, nem a planejou por conta própria. Na maravilhosa criação de Deus, todas as pessoas sejam consideradas como obras primas, a serem aperfeiçoadas no correr dos anos, contando com a inspiração do Espírito Santo, que não abandona qualquer um dos filhos e filhas de Deus. É condição de felicidade identificar o projeto de Deus a respeito de sua própria vida e buscar todos os meios para realizá-lo. Cabe a cada pessoa abraçá-lo, na maravilhosa aventura da liberdade, com a qual todos foram feitos, ao assumir responsavelmente os rumos da existência.
Assumir responsabilidades! Tarefa exigente que pede formação e preparação adequada. O processo educativo na família, na escola e na Igreja pode contribuir para que as crianças, adolescentes e jovens sejam iniciados para ter nas mãos o rumo da própria existência. Para todas as idades, inclusive para nós, adultos, tudo começa com o reconhecimento de que todos têm valor aos olhos de Deus e diante dos outros. Discriminar, humilhar e condenar pessoas não corresponde ao plano do Senhor, que quer todos vivos e felizes. Ninguém seja visto como massa sobrante em qualquer campo da convivência humana.
Constitui-se uma personalidade responsável quando se leva em conta as condições de cada um, considerando idade, formação recebida, condições de saúde, temperamento, ambiente familiar e referências culturais e ambientais. Faz-se necessário muitas vezes exercer o papel de "caça-talentos", para descobrir uma quantidade considerável de tesouros escondidos. Nestes dias, um menino de dez anos me foi apresentado como um dos líderes do projeto de evangelização numa das Paróquias da Arquidiocese de Belém. Como foi significativo ver o brilho dos olhos daquele que se sabe missionário! Sem forçar e exigir mais do que pode oferecer, ele se torna sinal para muita gente crescida!
Responsabilidade se aprende e há de ser assumida pouco a pouco, quando alguém se arrisca, confia e lança o outro para voos mais ousados. Há muita gente aguardando este voto de confiança! O Senhor faz assim conosco, agindo "como a águia que incita a ninhada, esvoaçando sobre os filhotes, também ele estendeu as asas e o apanhou e sobre suas penas o carregou" (Dt 32, 11). Responsabilidade se consolida com dedicação, tempo, preparação das atividades, coragem para rever e recomeçar quando acontecem falhas, superação de julgamentos com os eventuais fracassos, idealismo cultivado com afinco.
Vale a pena até detalhar um caminho de revisão pessoal de vida, a esta altura do ano. Examinemos como aproveitamos o tempo, a pontualidade, a ordem, os deveres familiares, a dedicação ao trabalho. Como temos oferecido as qualidades e talentos recebidos para servir a Deus e ao próximo? Temos olhado ao redor para ver o que é possível fazer pelo bem comum na Paróquia, no bairro em que vivemos, ou, quem sabe, nas associações e organismos aos quais estamos ligados? Outro ponto para uma revisão corajosa da vida é "fazer bem feito". Basta olhar para Deus, que fez tudo e todos como obra de arte, para entender que nossa passagem por este mundo, por sinal, muito breve, pode deixar um rastro de dedicação e amor. Até para o equilíbrio pessoal é importante realizar por inteiro as tarefas! E dentre os dons oferecidos pelo Senhor, venha em relevo o presente da Palavra de Deus. Faz parte da responsabilidade do cristão não reter para si o conhecimento das coisas de Deus, mas oferecê-la aos demais.
A liturgia da Igreja, celebrada neste final de semana, faz preceder a Parábola dos Talentos com um esplêndido texto do livro dos Provérbios: "Uma mulher forte, quem a encontrará? Ela vale muito mais do que as joias. Seu marido confia nela plenamente, e não terá falta de recursos. Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto, todos os dias de sua vida. Procura lã e linho, e com habilidade trabalham as suas mãos. Estende a mão para a roca e seus dedos seguram o fuso. Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos ao pobre. O encanto é enganador e a beleza é passageira; a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor. Proclamem o êxito de suas mãos, e na praça louvem-na as suas obras!" (Pr 31, 10-13. 19-20. 30-31). Fortaleza, confiança, capacidade para oferecer alegria aos outros, trabalho, habilidade, partilha, temor do Senhor. Tais valores continuam atuais e se tornam talentos preciosos a serem postos "em circulação" em nossos dias! Homens e mulheres de todas as idades os assumam com responsabilidade.