quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Santa Catarina de Alexandria



"Sou esposa do Rei Altíssimo, o Salvador do mundo. Eis o anel pelo qual o Senhor Jesus me declarou sua esposa", dizia Catarina

- “A fama de Santa Catarina de Alexandria sobrevive na devoção crista e no nome de muitas igrejas em todas as partes do mundo” dizia o Papa João Paulo II referindo-se à Santa que nasceu em meados do século III em Alexandria filha do Rei Costus e Sabinela. Educada em esmerada didática, aos 13 anos já era mestra em diversas artes. Após a morte do Rei, Sabinela e Catarina partiram para a Cilícia onde encontraram o eremita Ananias que lhes anunciou a fé cristã. Catarina permanecia irredutível em seu paganismo e para dar-se em casamento exigia que fosse alguém superior a ela em beleza, dignidade, riqueza e inteligência.

Catariana e sua mãe tiveram um sonho profético que foi interpretado por Ananias como sendo Jesus o pretendente a desposar a jovem. Ela então decidiu abraçar a fé e foi batizada. Certa vez em oração o Senhor a presenteou com um anel selando sua pertença. Sua dedicação à oração, contemplação e estudo da palavra era profunda ao que ela dizia: “Ó pecadora, como perdi meu tempo nas trevas dos livros profanos”! Retornaram para Alexandria e pouco tempo depois sua mãe faleceu. Catarina decidiu então fazer de sua casa um local de formação cristã. Acolhia os doentes e da fortuna de seu pai usava para ajudar os pobres. Sua fama chegou ao conhecimento do Imperador Maximiano, um dos grandes perseguidores dos cristãos e seu filho Maxêncio promoveu um debate público e prometeu grande fortuna para quem combatesse Catarina e a retirasse da fé cristã. O preparo de Catarina e o auxílio do Espírito Santo lhe renderam vigorosa vitória sobre os sábios, vindo inclusive a convertê-los ao Cristianismo.

Maxêncio ordenou a prisão de Catarina e tentou por diversos meios persuadi-la a abandonar a fé cristã e casar-se com ele. A jovem refutava todas as suas investidas sempre exaltando sua pertença a Deus. Encolerizado, Maxêncio mandou flagela-la e a lançou na prisão com sede e e fome. Sem sucesso, foi ordenado então o seu suplício em uma grande roda com facas e pontas de ferro. Após o suplício foi ordenado sua morte pela decapitação no dia 25 de novembro de 305.

Santa Catarina de Alexandria faz parte dos quatorze santos auxiliares da cristandade.




sábado, 22 de novembro de 2014

A virtude deve ser praticada



Dom Alfredo Schaffler 
Bispo de Parnaíba (PI)

A virtude é exaltada pelas pessoas que sabem distinguir o bem do mal, de acordo com a ética, a honradez, os valores inerentes à dignidade humana e o altruísmo. Mas hoje se confunde muito o mal moral com o bem subjetivo, a ponto de se inverterem os valores.A “esperteza” ou a “lei de Gerson” é considerada como a virtude de quem está acima do bem e do mal. Valoriza-se quem se projeta passando por cima dos frágeis. Aí acontecem a compra de votos, a apresentação de alguém se considerar superior ou mais importante dos demais por ter ludibriado os outros nos negócios e empreendimentos, bem como em situações de concorrência.

A Bíblia apresenta a mulher virtuosa na pessoa de quem tudo faz com dedicação e amor para servir a família em vista de um ideal de dar de si para o bem do lar (Cf. Provérbios 31,10-31). Não se trata de uma condição servil na subserviência devida à condição cultural da época, mas da virtude de quem entende o convívio familiar assumido com apreço e vontade de fazê-lo bom para todos os seus membros. Precisamos de exemplos assim para realçar o altruísmo como base para se praticarem as virtudes humanas.
Estas levam à atitude de ternura, desapego, serviço de amor e prática da solidariedade. Viver apenas para se pensar cada um para si, não focaliza a realidade humana frente a um ideal de serviço ao bem comum. Sem a consistência do valor de se viver para ajudar a construir um mundo mais justo e humano, faz o egoísmo grassar a comunidade, a ponto de se pensar que virtude é olhar para si sem compromisso com o bem estar dos outros. Nossa vida é um dom do Criador para colocarmos nossos talentos na prática da realização do seu projeto, que nos quer felizes já na terra.
Para isso, é preciso que cada um coloque seus dons a serviço do bem comum. Caso contrário, nós nos tornamos servos inúteis. Seríamos como os jogadores que pensassem só em si individualmente, sem colaborar com o time para ele ganhar o jogo. Na realidade, o time só ganha quando o ajudarmos a ganhar.
É preciso reconstituir o sentido original das virtudes, para elas serem a prática de um compromisso solidário, com manifestação de ética e altruísmo nas relações interpessoais. A virtude considerada só como um bem para si não dá fruto. 
Seria como uma árvore frutífera que não produz nada. Ao mesmo tempo, o conjunto de virtudes pessoais deve estar atrelado à sua finalização, ou seja, a de ser o cultivo de valores pessoais que culminem com o benefício do semelhante.
Na parábola dos talentos Jesus apresenta o cuidado de quem os recebe para desenvolvê-los de acordo com o que foi contratado pelo dono que os emprestou. De fato, não somos donos de nossa vida e de nossas qualidades. Na hora em que Deus nos chamar para a eternidade, devemos ter o resultado do que fizemos com os dons na vida presente.
Ao contrário, podemos nada receber por não termos merecido o que não fizemos com os pendores recebidos. Poderemos ouvir: “Servo mau e preguiçoso!... Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão” (Mateus 2526.30).
O apóstolo Paulo lembra que os talentos são outorgados por Deus para serem colocados a serviço do bem comum (1 Coríntios 12,7). Firme na fé e fiquem com Deus!

Festa de Cristo Rei, dia dos cristãos leigos e leigas


 

 Dom Severino Clasen
Bispo de Caçador (SC)
Na festa de Cristo Rei, comemoramos o dia dos cristãos leigos e leigas. Iniciamos parabenizando a todos os batizados em nome da Trindade. Pela graça do Batismo fomos incorporados no ressuscitado e com ele aceitamos o convite de sermos “sacerdotes, profetas e reis”.

A Comissão Episcopal de Pastoral para o Laicato da CNBB quer externar a alegria por contar com tantos milhões de cristãos leigos e leigas que se engajam nos trabalhos pastorais, vivem seu carisma específico numa comunidade, ou associação de fieis, ou institutos seculares, ou movimentos ou em tantas outras formas expressões laicais que enriquecem a Igreja como sinal do Reino de Deus.
Jesus Cristo é proclamado Rei do Universo. Por isso, por sermos filhos desse Reino, devemos ajudar e promulgar o mesmo inaugurado por Jesus Cristo. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33).
Nosso modo de viver e testemunhar a fé cristã, o nosso jeito de ser na Igreja e na sociedade deve contribuir para que esse Reino cresça para o bem de toda a humanidade. Na família, no trabalho, na escola, na política, no esporte, na Igreja somos desafiados a viver os sentimentos de Jesus Cristo. O mestre mesmo nos diz: “Completou-se o tempo, e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede na Boa Nova” (Mc 1,15).
Não podemos ficar protelando na vida os sinais do bem, da justiça, da paz e da alegria. Toda tristeza e toda mágoa que alimentamos nos distanciam do Reino de Deus, portanto, o cristão está em contínua vigilância e atento, de rosto livre e limpo tendo atitudes corretas e de respeito onde vive no dia a dia. “Em verdade vos digo: quem não receber o Reino de Deus como uma criança, não entrará nele!” (Mc 10,15).
Na alegria e na tristeza os batizados agem com sentimentos de estima, de responsabilidade, de compaixão e de misericórdia. Os cristãos leigos e leigas não vivem isolados; fechados em si mesmos, muitos recebem o mandato pela inspiração do Mestre e, iluminados pelo Espírito Santo, decidem agir em outros lugares na busca de fazer o bem. “Mas Ele disse-lhes: “Eu devo anunciar a Boa Nova do Reino de Deus também a outras cidades, pois é para isso que fui enviado” (Lc 4,43).
Alegramo-nos com os milhões de cristãos leigos e leigas que, como sujeitos eclesiais, atuam na Igreja como catequistas, animadores de comunidades, ministros extraordinários da Eucaristia, na pastoral da Juventude, nos Conselhos de Pastorais, Pastoral da Criança, Pastoral da Pessoa Idosa, e tantas outras iniciativas. Agradecemos, também, a tantos que atuam nos diferentes campos da sociedade e são pessoas boas que pelo jeito de ser, atraem o bem e são instrumentos de paz e harmonia na sociedade. São pessoas que divulgam com a vida e testemunho a gratuidade do Reino de Deus.
Que em cada Diocese do Brasil os leigos se organizem, vejam quais as ações viáveis para fortalecer os batizados na vida prática e contar cada vez mais com um laicato maduro que ampliará com certeza o Reino de Deus entre nós. Fortalecer os Conselhos Diocesanos de Leigos onde existem, e criar onde ainda não existem, para enriquecer a dignidade dos leigos e leigas em todo o Brasil. Os Conselhos vão além das organizações, das  Pastorais, são a expressão da organização e articulação dos leigos e leigas e da força da sua identidade e dignidade de cristãos batizados, implantando o Reino de Deus entre nós.
Homenageando a todos os cristãos leigos e leigas, queremos afirmar o compromisso de fomentar o desejo de promover a paz, missão de cada ser humano juntamente com os bispos, padres e religiosos e religiosas, diáconos. Assim teremos um mundo sonhado por Deus e nunca mais se ouvirá notícias de mortes violentas, corrupções, desajustes familiares, vícios que machucam famílias e toda a sociedade.
Parabéns por vocês serem pessoas comprometidas com o Reino de Deus.
O Senhor da Vida os abençoe.
Dom Frei Severino Clasen, OFM
Bispo Diocesano de Caçador, SC
Presidente da Comissão Episcopal de Pastoral para o Laicato.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

HISTÓRICO DE NOSSA SENHORA CONQUISTADORA

Caros diocesanos. Estamos diante da 23ª Romaria Diocesana, que será realizada no dia 23 de novembro, com o lema: “Com Maria caminhamos na estrada de Jesus”.

A história do cristianismo sempre contou com a presença de Maria Santíssima, a Mãe de Jesus e da Igreja, com um sem-número de nomes e manifestações. O Documento de Aparecida afirma: “Com alegria constatamos que ela tem feito parte do caminhar de cada um de nossos povos, entrando profundamente no tecido de sua história e acolhendo as ações mais nobres e significativas de sua gente” (DAp 269). Isso nós confirmamos na história de nosso País e, especificamente, na Fronteira Oeste de nosso Estado, com a manifestação de Nossa Mãe Conquistadora. Sempre é bom recordarmos sua origem, sua história, sobretudo, na época das romarias. Aliás, estamos numa fase de incentivarmos a devoção a Nossa Senhora Conquistadora, padroeira da diocese. Certamente, os diocesanos dedicam à Mãe Conquistadora sua devoção mariana primordial, uma vez que ela surgiu em nossa região, junto com os Mártires das Missões. Assim como outrora conquistou os nativos desta terra para o cristianismo, ela continua a conquistar hoje também os nossos corações para Jesus. E como gesto concreto nós queremos edificar uma Capela, em sua homenagem, no terreno do santuário. Participe da campanha da estampa de Nossa Senhora Conquistadora! Veja em sua Paróquia!

Eis um breve histórico de Nossa Senhora Conquistadora!

Nossa Senhora foi companheira inseparável de Pe. Roque Gonzáles. Ele, junto com o Pe. Afonso Rodrigues e Pe. João de Castilhos, foi missionário jesuíta que ensinou o Evangelho aos índios do Rio Grande do Sul, região inicialmente chamada Tupanciretã, que significa “Terra da Mãe de Deus”. A partir de 1626, fundou algumas Reduções que não prosperaram (1ª fase do Tape). Entrando de barco pelo nosso rio Ibicuí, até cinqüenta léguas acima de sua foz. Em 1682, ocorreu a fundação dos Sete Povos das Missões, dos quais São Borja foi o primeiro (2ª fase do Tape).

A imagem da Imaculada Conceição que acompanhava os missionários passou a chamar-se de “Conquistadora” pelo seguinte fato: no início de 1614, Pe. Diogo Torres visitou a célebre e próspera Redução de Santo Inácio Guassu (na atual Argentina). Este trazia consigo um quadro da Mãe de Deus, pintado, em 1613, pelo Irmão jesuíta Bernardo Rodrigues, contemporâneo do Pe. Roque Gonzáles. A imagem foi recepcionada solenemente, com músicas, danças e orações. Na entrega da imagem, o Provincial Torres disse aos índios que colocassem nela toda confiança; que grandes benefícios haveriam de alcançar de Deus, pela intercessão de Maria. Na ocasião, estavam também dois caciques de outras aldeias, ainda contrários à fé católica. Pe. Diego os convidou à conversão, mas recusaram. Os índios já cristãos recomendaram o caso a Nossa Senhora e, dia após, ambos apareceram, trazendo consigo um terceiro cacique. Além desse fato, contam que o Pe. Roque Gonzáles, quando ia em missão, carregava consigo o quadro de Nossa Senhora da Conceição e dizia: “Ela é a nossa Conquistadora! Ela nos ajudará a evangelizar e a conquistar os índios!”. E assim, ela passou a ser chamada e invocada por todos como Nossa Senhora Conquistadora.

Aos 15 de novembro de 1628, Pe. Roque Gonzáles e Pe. Afonso Rodrigues foram mortos por outros índios, que não aderiram à fé católica. Após o martírio dos missionários, a estampa da Conquistadora foi rasgada e lançada às chamas. Isso ocorreu em Caaró, município de Caibaté/RS. Dia 17, foi morto também Pe. João de Castilhos. Aos 07/06/1957, o Papa Pio XII declarou Nossa Senhora Conquistadora como Padroeira da Diocese de Uruguaiana, juntamente com São Miguel Arcanjo. Sua festa é celebrada dia 15 de novembro.

Dom Aloísio A. Dilli – Bispo de Uruguaiana

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Responsabilidade




Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará (PA)


Ao aproximar-se o final do Ano Litúrgico, a Igreja nos brinda com a conhecida Parábola dos Talentos (Cf. Mt 25, 14-30). Aquele que é a Sabedoria de Deus (Cf. 1 Cor 1, 24) nos oferece o caminho para assumir com dignidade a vida que nos foi dada de presente. A partir da parábola, "talento" veio a significar um dom, habilidade ou qualidade. Ao tempo da redação do Evangelho, talento era uma unidade monetária equivalente a cinquenta quilos de prata, correspondente a cerca de seis mil denários, e um denário era a diária de um trabalhador do campo. O servo da parábola que recebeu um talento tinha muito em mãos e podia fazer tanto com o que lhe fora dado.

As parábolas são propostas pelo Senhor para provocar positivamente, suscitando uma resposta de vida. Do dinheiro passamos à nossa história. Os servos somos nós; os talentos são as condições oferecidas por Deus a cada um; o tempo de viagem do proprietário é a vida; a volta inesperada é a morte, nossa páscoa pessoal; a prestação de contas é o juízo e a entrada na festa, o banquete da alegria, oferecido pelo Senhor, o Paraíso. No final de tudo, quando a obra de nossa vida estiver concluída, no tempo certo conhecido pelo Senhor da História, haveremos de entregar os dons que nos foram concedidos não para nossa vaidade, mas para servir e amar a Deus e ao próximo.
Como Deus não impõe, mas propõe, à sua proposta cabe uma resposta. Temos consciência de não sermos proprietários da própria vida, mas administradores dos dons de Deus. Nenhuma pessoa inventou sua vida, nem a planejou por conta própria. Na maravilhosa criação de Deus, todas as pessoas sejam consideradas como obras primas, a serem aperfeiçoadas no correr dos anos, contando com a inspiração do Espírito Santo, que não abandona qualquer um dos filhos e filhas de Deus. É condição de felicidade identificar o projeto de Deus a respeito de sua própria vida e buscar todos os meios para realizá-lo. Cabe a cada pessoa abraçá-lo, na maravilhosa aventura da liberdade, com a qual todos foram feitos, ao assumir responsavelmente os rumos da existência.
Assumir responsabilidades! Tarefa exigente que pede formação e preparação adequada. O processo educativo na família, na escola e na Igreja pode contribuir para que as crianças, adolescentes e jovens sejam iniciados para ter nas mãos o rumo da própria existência. Para todas as idades, inclusive para nós, adultos, tudo começa com o reconhecimento de que todos têm valor aos olhos de Deus e diante dos outros. Discriminar, humilhar e condenar pessoas não corresponde ao plano do Senhor, que quer todos vivos e felizes. Ninguém seja visto como massa sobrante em qualquer campo da convivência humana.
Constitui-se uma personalidade responsável quando se leva em conta as condições de cada um, considerando idade, formação recebida, condições de saúde, temperamento, ambiente familiar e referências culturais e ambientais. Faz-se necessário muitas vezes exercer o papel de "caça-talentos", para descobrir uma quantidade considerável de tesouros escondidos. Nestes dias, um menino de dez anos me foi apresentado como um dos líderes do projeto de evangelização numa das Paróquias da Arquidiocese de Belém. Como foi significativo ver o brilho dos olhos daquele que se sabe missionário! Sem forçar e exigir mais do que pode oferecer, ele se torna sinal para muita gente crescida!
Responsabilidade se aprende e há de ser assumida pouco a pouco, quando alguém se arrisca, confia e lança o outro para voos mais ousados. Há muita gente aguardando este voto de confiança! O Senhor faz assim conosco, agindo "como a águia que incita a ninhada, esvoaçando sobre os filhotes, também ele estendeu as asas e o apanhou e sobre suas penas o carregou" (Dt 32, 11). Responsabilidade se consolida com dedicação, tempo, preparação das atividades, coragem para rever e recomeçar quando acontecem falhas, superação de julgamentos com os eventuais fracassos, idealismo cultivado com afinco.
Vale a pena até detalhar um caminho de revisão pessoal de vida, a esta altura do ano. Examinemos como aproveitamos o tempo, a pontualidade, a ordem, os deveres familiares, a dedicação ao trabalho. Como temos oferecido as qualidades e talentos recebidos para servir a Deus e ao próximo? Temos olhado ao redor para ver o que é possível fazer pelo bem comum na Paróquia, no bairro em que vivemos, ou, quem sabe, nas associações e organismos aos quais estamos ligados? Outro ponto para uma revisão corajosa da vida é "fazer bem feito". Basta olhar para Deus, que fez tudo e todos como obra de arte, para entender que nossa passagem por este mundo, por sinal, muito breve, pode deixar um rastro de dedicação e amor. Até para o equilíbrio pessoal é importante realizar por inteiro as tarefas! E dentre os dons oferecidos pelo Senhor, venha em relevo o presente da Palavra de Deus. Faz parte da responsabilidade do cristão não reter para si o conhecimento das coisas de Deus, mas oferecê-la aos demais.
A liturgia da Igreja, celebrada neste final de semana, faz preceder a Parábola dos Talentos com um esplêndido texto do livro dos Provérbios: "Uma mulher forte, quem a encontrará? Ela vale muito mais do que as joias. Seu marido confia nela plenamente, e não terá falta de recursos. Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto, todos os dias de sua vida. Procura lã e linho, e com habilidade trabalham as suas mãos. Estende a mão para a roca e seus dedos seguram o fuso. Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos ao pobre. O encanto é enganador e a beleza é passageira; a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor. Proclamem o êxito de suas mãos, e na praça louvem-na as suas obras!" (Pr 31, 10-13. 19-20. 30-31). Fortaleza, confiança, capacidade para oferecer alegria aos outros, trabalho, habilidade, partilha, temor do Senhor. Tais valores continuam atuais e se tornam talentos preciosos a serem postos "em circulação" em nossos dias! Homens e mulheres de todas as idades os assumam com responsabilidade.


quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Filhos da Luz


 Dom Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG)
Uma das preocupações da primeira carta aos Tessalonicenses diz respeito à vinda do Senhor. Esse tema fez parte da pregação inicial de Paulo àquela comunidade. No início da carta, ele afirma que os cristãos da Acaia falam de como os tessalonicenses “se converteram, deixando os ídolos e voltando para Deus, a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro. Falam também de como vocês esperam que Jesus venha do céu, o Filho de Deus, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos. É Ele que nos liberta da ira futura.”

A partir disso, começou a especulação sobre a data em que o Senhor viria. E a comunidade de Tessalônica arriscava viver de discussões intermináveis e de teorias. Paulo começa reafirmando o que a comunidade já sabe: o dia do Senhor virá de modo imprevisto, da mesma forma que o ladrão. Naquele tempo, a noite era o momento propício para a ação de ladrões. Esse fato aponta para o modo de ser da comunidade, em atitude de constante vigilância, de modo a não ser surpreendida por esse Dia.
A comunidade precisa ter um modo próprio de ser, diferente dos “outros”, a sociedade que crê viver em paz e segurança. “Paz e segurança” era um dos lemas do império romano que mantinha as pessoas sob a aparência de “ordem social”, mas que, na verdade, era sinônimo de noite escura. Esse tipo de “segurança” não interessa à comunidade cuja função é ser filhos da luz e filhos do dia.
Como não se comprometer com esse tipo de sociedade? A alternativa que Paulo apresenta é esta: “Não vamos dormir, como os outros, mas vigiar e ficar sóbrios”. O significado disso nos é dado pela própria carta: vigiar é abandonar os ídolos que envolvem a sociedade na noite da injustiça, comprometendo-se no serviço ao Deus vivo e verdadeiro. É assim que se espera o dia do Senhor.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A tentação do poder ameaça o espírito de serviço cristão

Durante a missa em Santa Marta, Francisco advertiu contra a preguiça, a comodidade e o egoísmo que tornam a vida "triste" e "sem fecundidade"
Por Luca Marcolivio
ROMA, 11 de Novembro de 2014 (Zenit.org) -
 Como nos recorda o Evangelho de hoje (cfr. Lc 17,7-10), o cristão é um "servo inútil", ou seja, alguém que serve sem esperar nada em troca, nenhuma recompensa de prestígio ou de poder.
Na homilia desta manhã na Casa Santa Marta, o Papa ressaltou que, para Jesus, "o serviço é total". Ele se apresenta como o servo, aquele que veio para servir e não para ser servido: diz isso claramente. Assim, o Senhor mostra aos apóstolos o caminho daqueles que receberam a fé, aquela fé que realiza milagres. Sim, esta fé fará milagres no caminho do serviço", disse o Papa.
Se um cristão não leva adiante o dom da fé no Batismo com espírito de serviço, "torna-se um cristão sem força, sem fecundidade", que termina servindo a si mesmo e levando uma "vida triste", esquecendo "as coisas grandes do Senhor”. O Papa insistiu que é impossível servir a dois patrões: “ou a Deus, ou as riquezas”.
O que nos afasta do espírito de serviço? Primeiro, a "preguiça", que nos leva à "comodidade" e ao "egoísmo". Muitos cristãos apenas vão à missa, mas, como mencionado pelo Santo Padre, o espírito de serviço se realiza de muitas maneiras: no "serviço a Deus na adoração, na oração, no louvor, no serviço ao próximo". Jesus entende isso como "serviço até o fim" e "gratuito", daí a expressão: "servos inúteis".
No entanto, é possível perder o espírito de serviço de outras maneiras: muitas vezes os discípulos "tomavam posse do tempo do Senhor, tomavam posse do poder do Senhor: eles o queriam para o seu grupinho" e "afastavam as pessoas para que não perturbassem Jesus”, mas, na verdade, era para ser mais "confortável" para eles. Tomavam posse desta atitude de serviço, “transformando-a em uma estrutura de poder”.
Emblemático, nesse sentido, é a discussão entre os discípulos, quando perguntam quem era o melhor entre eles (cfr. Mc 09:34). Ou a atitude da mãe que "vai pedir ao Senhor que um de seus filhos seja o primeiro-ministro e outro ministro da economia, com todo o poder em suas mãos".
É, portanto, uma "tentação" recorrente na história dos cristãos de todos os tempos; querer se tornar "patrões da fé, patrões do Reino, patrões da Salvação", quando, ao invés, o Senhor nos pede um "serviço na humildade", um "serviço na esperança": esta é a verdadeira "alegria do serviço cristão."
Existe uma cadeia de tentações que afasta o homem do espírito de serviço: "a preguiça leva à comodidade", enquanto "o ter o controle da situação", que transforma o servo em patrão, leva "à soberba, ao orgulho, a tratar mal as pessoas, a se sentir importante"; a achar que tem a salvação nas próprias mãos.

"Que o Senhor nos dê duas grandes graças: a humildade no serviço, a fim de sermos capazes de dizer: 'Somos servos inúteis - mas servos - até o fim"; e a esperança na espera da manifestação, quando o Senhor virá até nós", concluiu o Papa Francisco.