quarta-feira, 30 de abril de 2014

O Espírito nos torna partícipes do desígnio de Deus




Francisco na audiência geral: o Espírito nos torna partícipes do desígnio de Deus
Grande multidão participa da catequese na Praça São Pedro sobre os dons do Espírito Santo
Por Rocio Lancho García

CIDADE DO VATICANO, 30 de Abril de 2014 (Zenit.org) - O tempo de primavera adornou uma Praça de São Pedro repleta de peregrinos que, às 9h45 desta manhã, no horário de Roma, receberam com entusiasmo o papamóvel com Francisco a bordo.
Durante os 20 minutos em que percorreu a praça, o papa saudou os fiéis que gritavam e o aplaudiam. Muitas bandeiras da Polônia ainda denunciavam, entre a multidão, os peregrinos que foram a Roma para a canonização do compatriota São João Paulo II.
A eles, no fim da catequese, Francisco disse, em polonês, que "o testemunho da fé" de João Paulo II, bem como "de esperança, caridade e confiança na Divina Misericórdia, permanece particularmente vivo em nós durante estes dias. Que a intercessão dele sustente a vida e as boas intenções de cada um de vocês, as preocupações e as alegrias dos seus entes queridos, o desenvolvimento e o futuro sereno da Igreja na Polônia e o de toda a sua Pátria".
Como já é habitual, as crianças são as absolutas protagonistas do percurso de Francisco a bordo do papamóvel. Os pequenos são levados até o papa e recebem uma bênção especial.
Quanto ao tema do dia, o Santo Padre continuou hoje a série de catequeses sobre os dons do Espírito Santo. Desta vez, ele abordou o dom da inteligência e, no resumo, declarou:
"Queridos irmãos e irmãs, nesta catequese falei do dom do entendimento (intelecto). Não se trata de uma qualidade intelectual natural, mas de uma graça que o Espírito Santo infunde em nós e que nos torna capazes de perscrutar o pensamento de Deus e o seu plano de salvação. São Paulo nos diz que, por meio do Espírito Santo, Deus nos revela o que preparou para quem o ama. O que significa isto? Não é que se tenha conhecimento pleno de Deus, mas que o Espírito vai nos introduzindo na sua intimidade, nos tornando partícipes do desígnio de amor com que Ele tece a nossa história. Em perfeita união com a virtude da fé, o entendimento nos permite compreender cada vez mais as palavras e ações do Senhor e perceber todas as coisas como um dom do seu amor para a nossa salvação. Como fez Jesus aos discípulos de Emaús, o Espírito Santo, com este dom, abre os nossos olhos, incapazes, por si sós, de reconhecê-lo, dando, deste modo, uma nova luz de esperança para a nossa existência".
Francisco saudou os peregrinos latino-americanos dizendo: “Convido todos vocês a deixarem que o Espírito Santo rasgue o véu de escuridão que cega a nossa mente e o nosso coração, para fazer de nós verdadeiros crentes, capazes de apreciar tudo o que nosso Senhor nos revela em sua Palavra e de nos alegrar com o seu desígnio de amor em nossa vida. Que Jesus abençoe vocês e Nossa Senhora cuide de cada um. Muito obrigado".
Como sempre, o Santo Padre voltou seu pensamento especial, depois das saudações em vários idiomas, "aos jovens, enfermos e recém-casados". O pontífice recordou a festa litúrgica de ontem, de Santa Catarina de Sena, padroeira da Itália e da Europa, e pediu: "Queridos jovens, aprendam [do exemplo dela] a viver com a consciência reta de quem não cede aos compromissos humanos". Aos doentes, pediu que se "inspirem no exemplo dela de fortaleza nas horas de maior sofrimento". Aos recém-casados, Francisco exortou a imitar "a força da fé de quem se confia a Deus".

Futilidades na vida


Dom Paulo Mendes Peixoto 
Arcebispo de Uberaba (MG)
As pessoas são envolvidas por tantas necessidades fúteis que as dificultam a uma vida feliz. Nas palavras do Papa Francisco, “quem tem menos em que se apegar, tem mais facilidade para amar”. Entendemos isto quando nos damos conta de que o amor verdadeiro depende de desapego, de sair da gente mesmo, indo ao encontro do outro, que deve ser um “outro eu”.
 As futilidades revelam a primazia da cultura consumista. Tudo passa, mas não podemos perder o sentido de viver. Nisto está a essência da Páscoa, da passagem da vida temporal para a eternidade e ao encontro definitivo com Deus. Todos nós vamos morrer para o que é passageiro, deixando para trás tudo, menos aquilo que conquistamos com a prática da honestidade e do amor sem limites.
Estou falando destas coisas por causa da sensibilidade do momento. Cristo ressuscitou a partir de um caminho de morte, a partir daquilo que vai acontecer com todos os mortais. A morte, aos nossos olhos, é sempre uma perda e todos nós fazemos essa experiência. Mas é triste morrer com as mãos vazias, sem a prática da caridade e do respeito pela vida do irmão.
Em Uberaba, sentimos a morte de Dom Aloísio Roque Oppermann, acontecida neste dia 27 de abril, nosso bispo emérito. Louvamos a Deus pelo bem que ele fez à Igreja; no mesmo dia senti a morte de Dom José Moreira Bastos Neto, 61 anos de idade, bispo de Três Lagoas e meu ex-colega de Seminário e de ordenação sacerdotal. Também prestou relevantes trabalhos para o bem do povo.
Falar de futilidade na vida é acenar para um mundo mágico, sensacionalista e insaciável. É o mundo da tecnologia, do avanço da modernidade, mas que não consegue trazer plena felicidade. No dizer popular, “faz a cabeça das pessoas” e ficamos vulneráveis, perdendo a riqueza trazida pelo Cristo ressuscitado.
O Papa Francisco fica admirado com uma ciência e tecnologia avançadas, mas que não conseguem diminuir a pobreza e a marginalização no mundo. Sinal de que o progresso não está a favor da amplitude da vida.

Mudar pela alegria


Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte
Alegrai-vos! Este é o impactante convite de Jesus Ressuscitado a cada discípulo. Mais que isso, é uma intimação que o Mestre faz ao coração dos homens, que foi feito para hospedar a alegria. A humanidade procura a felicidade e sem ela não dá conta de viver. Mas, tantas vezes, busca ser feliz de modo desarvorado, comprometendo situações sociais e humanas. É importante compreender que a verdadeira felicidade é o bem supremo. Por isso, o Mestre Ressuscitado, vencedor da morte, faz o convite para que todos se alegrem diante dos dons e bênçãos, tesouro inesgotável do amor de Deus.
O tempo pascal é, pois, na força pedagógica da liturgia da Igreja Católica, a oportunidade rica de exercitar o coração na procura do bem supremo, a verdadeira felicidade. Essa tarefa deve ser vivida fixando o olhar no Ressuscitado, a vitória perfeita e completa na história da humanidade, vida que venceu a morte, amor que venceu o ódio. Há de se ter presente o que Aristóteles sublinhava quanto às diferentes concepções de felicidade, identificada com a conquista de bens diversos, desde virtudes, sabedoria prática, sabedoria filosófica, acompanhada ou não por prazer, ou como posse de bens matérias. Nem mesmo ele, admirável nas raízes da sabedoria filosófica, conseguiu articular uma conclusão que pudesse fazer entender o significado da felicidade.
Santo Agostinho a definia como a posse do verdadeiro absoluto, isto é, a posse de Deus, fonte de todas as outras felicidades. Nesta mesma direção, São Boaventura a compreende como ponto final do itinerário que leva a alma ao Criador. Essas reflexões concluem que a felicidade não é, então, a conquista de patrimônios nem de poder, mas conhecimento, amor e posse de Deus. Assim, ela não é um simples estado de alma, mas algo recebido de fora, que se relaciona a um bem maior e verdadeiro.
Essas ponderações apontam para o enorme desafio existencial vivido atualmente, quando a experiência da felicidade é confundida com a conquista de bens materiais e prazeres efêmeros. Um entendimento inadequado que sustenta a dinâmica perversa de se buscar conquistas a qualquer preço. Deste modo, cresce o egoísmo, a mesquinhez, e a humanidade se distancia da vivência da solidariedade, o que acaba com qualquer perspectiva de alegria verdadeira. A solidariedade é o que pode curar os males da convivência humana, tão deteriorada em um tempo de tantas possibilidades. A razão crucial dessa crise, indiscutivelmente, está na identificação da felicidade como acúmulo, sem limites, de bens materiais e poder, o que resulta na efemeridade dos bens da criação e no distanciamento do Criador.
São vários os entendimentos a respeito da felicidade no pensamento filosófico. Em comum, a anuência de que ela não é um bem em si mesmo, já que para ser felicidade é indispensável o conhecimento dos bens que são a sua fonte. Assim, pode-se afirmar que sua conquista, com simplicidade, é a experiência do encontro com Deus, o bem supremo, tão próximo de nós. Sua experiência existencial tornou-se possível pela encarnação do Verbo, Jesus Cristo, o Filho de Deus que morre e ressuscita para resgate e salvação da humanidade. Ele é o Salvador do mundo, o bem supremo, próximo de cada pessoa.
A conquista da felicidade é o encontro pessoal com Deus, que produz a efusão da alegria. Trata-se de uma felicidade que não é passageira ou periódica e tem a força que possibilita grandes transformações. É exemplar para a história da humanidade a força da alegria produzindo a radical mudança dos discípulos de Jesus. A presença amorosa de Cristo Ressuscitado faz dos discípulos ignorantes homens sábios. O medo cede lugar à audácia amorosa. Essa alegria experimentada é fruto da ação do Espírito de Deus, que tira Jesus da morte, vencida definitivamente pela vida. Uma felicidade autêntica e duradoura, fonte da força dos discípulos de Jesus, origem da sabedoria necessária para transformar tudo o que precisa ser mudado, pela alegria.

Comunidade de comunidades: uma nova Paróquia


Comunidade de comunidades: uma nova Paróquia / Arqrio
A 51ª Assembleia Geral Ordinária da CNBB, em Aparecida, tem como tema central a questão paroquial. Depois de examinarmos a realidade religiosa em nosso país, na análise da conjuntura, nós nos debruçamos sobre a necessidade de encontrar meios de fazer com que as paróquias sejam comunidade de comunidades, ou rede de comunidades, como dizemos. O documento ainda não sairá nesta Assembleia, pois o texto, depois de corrigido, discutido e aprovado, irá para reflexão nas comunidades, para, depois, em outra Assembleia, ser aprovado como documento de nossa Conferência Episcopal.
A paróquia é a casa, por excelência, de todos os fiéis, onde eles devem encontrar o Cristo Ressuscitado. A paróquia é lugar de acolhida, de orientação, de ajuda espiritual e material. É a partir da paróquia que se podem descobrir os espaços não evangelizados de um território ou as situações que demandam atenção especial: escolas, hospitais, prisões, invasões, migrantes, favelas. A paróquia deve atingir o meio cultural e proporcionar ação pastoral que alcance o mundo da cultura e das artes.
A partir das paróquias pode acontecer uma renovada evangelização. Assim sendo, nossas paróquias devem ser acolhedoras, missionárias, fomentando redes de comunidades vivas e atuantes, que sejam irradiadoras de vida e, portanto, evangelizadoras. Acolhimento e missão formando discípulos de Cristo Ressuscitado, que vivam na unidade.
Devemos apostar na presença da Igreja, em forma de pequenas comunidades, em todos os cantos e recantos do território paroquial, naquilo que se chama capilaridade. As pequenas comunidades bem orientadas e unidas na caminhada de Igreja podem ser um bom caminho de renovação da paróquia, porque possibilitam responder à vocação cristã que se realiza sempre em comum.
A renovação da paróquia é fundamental para a Igreja enfrentar os desafios pastorais, a missão, enfim, evangelizar, levar a boa-nova de Jesus Cristo a todas as pessoas, formando pequenos núcleos pastorais, como células vivas da grande mãe, chamada de Paróquia. As migrações arrancaram as pessoas de suas raízes e trouxeram-nas para as cidades. Hoje a nossa vida em geral é urbana.
Na paróquia temos três compromissos fundamentais, que provêm da essência da Igreja e do ministério sacerdotal. O primeiro é o serviço sacramental. Entre os sacramentos, o que se destaca, é claro, é a Eucaristia, que é centro e fonte de nossa vida cristã. Porém, temos dois sacramentos que merecem uma atenção especial devido às atuais circunstâncias. Um deles é o Sacramento do Batismo, a sua preparação e o compromisso de dar continuidade às recomendações batismais, e que já nos colocam também em contato com quantos não são muito crentes. Temos nesse trabalho a importante iniciação cristã. O compromisso de preparar o Batismo, de abrir as almas dos pais, dos parentes, dos padrinhos e das madrinhas à realidade do mesmo, já pode e deveria ser um compromisso missionário, que vai muito além dos confins das pessoas já "fiéis". Ao preparar o Batismo, procuramos fazer compreender que este Sacramento é inserção na família de Deus, que Deus vive, que Ele se preocupa por nós. Esse sacramento nos faz aprofundar toda a vida cristã.
Outra preocupação paroquial a ser considerada diz respeito ao Sacramento do Matrimônio: também ele se apresenta como uma grande ocasião missionária, porque hoje, graças a Deus, temos muitos que desejam se casar na Igreja, inclusive tantos que, mesmo batizados, não a frequentam muito. É uma ocasião para levar estes jovens a confrontar-se com a realidade que é o matrimônio cristão, o matrimônio sacramental. A preparação para o matrimônio é uma ocasião de grandíssima importância, de missionariedade, para anunciar de novo no Sacramento do Matrimônio, o Sacramento de Cristo. Aqui se insere toda a questão da vida e família.
O segundo compromisso fundamental da Paróquia é o anúncio da Palavra, com os dois elementos essenciais: a homilia e a catequese. Urge redescobrirmos que a homilia deve ser a "ponte" entre a Palavra de Deus, que é atual e deve chegar ao coração das pessoas. Devo dizer que a exegese histórico-crítica com frequência não é suficiente para nos ajudar na preparação da homilia. Observemos que o próprio Papa Francisco, na sua celebração cotidiana na Capela da Casa Santa Marta, onde está residindo, de maneira muito atual para a vida da Igreja e de todos os batizados, está atualizando a Palavra de Deus para vivermos a nossa vocação batismal. Ele assim também se expressou à comissão bíblica internacional nestes dias.
O terceiro compromisso fundamental da Paróquia é a questão social: a “charitas”, a “diakonia”. “Somos sempre responsáveis pelos que sofrem, pelos doentes, pelos marginalizados e pelos pobres”. Pelo retrato da Diocese, vejo que são numerosos os que têm necessidade da nossa diakonia e esta também é uma ocasião sempre missionária. Assim, tenho a impressão de que a ‘clássica’ pastoral paroquial se autotranscenda nos três setores e se torne pastoral missionária.
Por isso, não podemos nos descurar do respeito que devemos dar aos nossos agentes de pastoral. O pároco não tem como fazer tudo! É impossível! Hoje, quer nos Movimentos, quer nas Pastorais, nas Associações, nas novas Comunidades que existem, temos agentes que podem ser colaboradores na paróquia para a constituição de uma verdadeira rede de comunidades, para que a Paróquia atinja a todos os que não são tocados pela nossa pastoral clássica.
O trabalho paroquial será enriquecido com as ideias que o documento de nossa Assembleia Geral traz para ser aprofundado e colocado em prática. É um tema necessário e atual. Tenho certeza de que nos ajudará a dinamizarmos ainda mais nossa missão de discípulos de Jesus Cristo nestes tempos de tantas necessidades.

Dom Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
* Foto: CNBB 

João XXIII: “O Papa do Concílio”


São João XXIII / Arqrio
Angelo Giuseppe Roncalli, nascido em Sotto il Monte, em 1881, de família pobre e numerosa, teve, graças ao seu talento, a oportunidade de estudar. Concluiu seus estudos em Roma, com doutorado em teologia. Em 10 de agosto do mesmo ano de 1904, foi ordenado presbítero, em Roma. O Bispo de Bérgamo, sua diocese de incumbência de lecionar, no seminário diocesano, as disciplinas de história da Igreja, patrística e apologética. Na primeira Guerra Mundial serviu, primeiro como soldado do corpo de saúde, mais tarde como capelão militar.
Em 1921, foi convocado para trabalhar na Congregação de propagação da Fé, em Roma, lecionando simultaneamente, patrística no Seminário romano. Em 1925, Pio XII nomeou-o visitador apostólico na Bulgária, sendo, na oportunidade, ordenado Bispo. Após nove anos de atividade em Sofia, tornou-se delegado para a Grécia e a Turquia, primeiro em Istambul, desde 1937, e posteriormente em Atenas. Em 23 de dezembro de 1944, Pio XII nomeou-o núncio na França. O novo núncio conseguiu com suas atividades mitigar as tensões internas existentes na França.
Em 1951 foram confiadas a Roncalli simultaneamente, as atribuições de observador efetivo do papa junto à UNESCO, em Paris. Em 12 de janeiro de 1953, tornou-se arcebispo (patriarca) de Veneza e Cardeal. Assim como no exercício das funções anteriormente desempenhadas, também aqui considerava sua tarefa primordial colocar-se a serviço da cura de almas.
Sua eleição se deu no dia 28 de outubro de 1958, era ele de um modo geral desconhecido pelo mundo. Também “só” fora eleito para ser papa de transição. Isto se comprovou correto quanto à duração do seu pontificado (ele mesmo sabia que, tendo 77 anos de idade, não seria de se esperar um longo pontificado). João XXIII abriu para a Igreja novos e importantes caminhos em direção ao futuro.
João XXIII já no início do seu pontificado três coisas foram destacadas: A realização de um sínodo para a cidade de Roma (realizado entre os dias 24 e 31 de janeiro de 1960).  Também o novo Código de Direito Canônico. Do qual começou a ser elaborado em seu pontificado e foi concluído em 1983 e por fim a convocação do Concílio Vaticano II.
Quanto o Concílio Vaticano II, o Papa João XXIII surpreendeu o mundo com tal plano, ao propô-lo, em 25 de janeiro de 1959, na presença dos cardeais.  A convocação do Concílio Vaticano II, segundo João XXIII era que a Igreja deveria atualizar-se para bem evangelizar o mundo. Em 14 de junho de 1959, usou pela primeira vez a palavra “aggiornamento”, abertura da Igreja.
Na sessão de abertura do Vaticano II, em 11 de outubro, estavam presentes mais de 2.500 padres conciliares em Roma. Pela primeira vez na história, haviam acolhido o convite do papa também 18 igrejas não católicas, no sentido de enviarem observadores para o Concílio. O primeiro período de sessões durou até 8 de dezembro de 1962. A parte final desse primeiro período ficou marcada por tristeza, por ter o papa adoecido gravemente e veio falecer antes do segundo período de sessões.
João XXIII em Roma sempre se considerou um cura de almas. Por isso visitava as igrejas, presídios e hospitais. Estabelecia rapidamente bons contatos com as pessoas. Sua afabilidade e bondade irradiavam paz e alegria.
O interesse pastoral de João XXIII impregnava também suas alocuções aos peregrinos, bem como as manifestações do magistério eclesiástico, por ele publicadas: “Ad Petri Cathedram” foi sua primeira encíclica (29 de junho de 1959). Em comemoração ao primeiro centenário da morte do Santo Cura d’ Ars, escreveu a sua segunda encíclica, em que manifesta a sua preocupação pelos sacerdotes (1º de agosto de 1959). Em 26 de setembro de 1959, apareceu uma encíclica sobre a oração do rosário. A quarta encíclica ocupa-se da questão missionária (26 de novembro de 1959). Em 15 de maio de 1961 a encíclica social: “Mater et Magistra”. A sexta encíclica é com motivação na memória dos 1500 anos da morte do papa Leão Magno - consagrada à unidade da Igreja. Em 1º de junho de 1962, apareceu uma encíclica que teve por tema a penitência. A última encíclica foi “Pacem in terris de (11 de abril de 1963) sobre a paz entre todas as nações, em liberdade e justiça, teve grande repercussão.
O termo “aggiornamento”, ou seja, “abertura para o mundo”, não significava para João XXIII ruptura com o passado. Ele era completamente apegado à tradição. Disso dão prova suas instruções sobre a interpretação da Bíblia, sua insistência no uso do latim como língua apropriada aos estudos teológicos e a regulamentação dos padres operários franceses. Também a piedade e a profunda religiosidade do papa eram impregnadas pela tradição, como mostram o seu “Diário Espiritual” e o seu “Testamento Espiritual”.
Nessa atitude de religiosidade profunda passou o papa também os seus últimos meses de vida, ao saber da doença incurável de que sofria. Em princípios de 1963, agravou-se mais seu estado de saúde. Na segunda-feira de Pentecostes, em 3 de junho de 1963, morreu ele. João XXIII foi declarado Beato no dia 03 de setembro de 2000 pelo Papa João Paulo II. Neste domingo dia 27 de Abril, domingo da misericórdia, foi canonizado juntamente com o Beato João Paulo II.

Cardeal Orani João Tempesta

Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro

Santa Catarina de Sena



Foi no seio da Igreja hierárquica que o Senhor depositou o seu mais precioso tesouro. Assim bradava a jovem Catarina de Sena, Doutora da Igreja
Por Fabiano Farias de Medeiros

HORIZONTE, 29 de Abril de 2014 (Zenit.org) -
 Catarina nasceu no dia 25 de março do ano 1347 Catarina na cidade de Siena na Itália. Foi a vigésima-quarta filha da família. Seus pais eram Giacomo di Benincasa e Lapa Piagenti, uma família burguesa e muito católica. Desde cedo elevava o pensamento para as coisas de Deus, mesmo sem poder estudar e de frágil estatura, seu oração almejava com coragem a vivência dos santos.
Ao completar sete anos de idade, fez o voto de castidade, mesmo diante do desejo de sua mãe que se casasse ela se manteve firme no propósito e ia alimentando sua alma de orações, jejuns e penitências. Aos quinze anos decidiu ingressar na Ordem Terceira de São Domingos onde permaneceu enclausurada por muitos anos, vindo a deixar esta condição somente no ano 1374 quando pôs-se a cuidar e acolher os pobres e enfermos, vítimas de uma tenebrosa peste que assolou a região. No ano seguinte na cidade de Pisa, Catarina recebe em seu corpo os estigmas de Jesus Cristo.
O Senhor confirma no coração de Catarina o impulso missionário e ela continua o forte trabalho junto aos mais necessitados e agora tendo de enfrentar o grande desafio de uma ruptura que surgia no coração da Igreja. Conhecido com o Cisma do Ocidente, este episódio de disputa política entre os membros do clero findou por chegar ao papado que foi assolado por grandes disputas, renúncias e divisões. Catarina soube do exílio do Papa em Avinhão e partiu em sua defesa escrevendo e ditando cartas, documentos e realizando diversas viagens que resultaram na segurança do retorno do Papa à Roma que ainda passaria por outro grande abalo semelhante o qual exigiu de Catarina nova e enérgica atuação. Findou por restabelecer a paz em 1377 e ver a sua amada Igreja e clero tomarem o caminho determinado por Deus.
Após estes acontecimentos, Catarina veio a falecer em Roma no dia 29 de abril de 1380. Antes de sua morte pronunciou: “Se morrer, sabeis que morro de paixão pela Igreja”. Foi sepultada na Igreja de Santa Maria da Minerva. Foi beatificada pelo Papa Pio II em 29 de Junho de 1461 e canonizada em 04 de Outubro de 1970 pelo Papa Paulo VI que a proclamou Doutora da Igreja. Em 2000 o Papa João Paulo II proclamou Santa Catarina de Sena co-padroeira da Europa.

terça-feira, 29 de abril de 2014

São Luís Maria Grignon de Monfort



"Se fizermos qualquer coisa para não correr riscos por Deus nunca iremos fazer algo de grande por ele, assim nos ensinou este grande santo e escravo de Nossa Senhora.
Por Fabiano Farias de Medeiros

HORIZONTE, 28 de Abril de 2014 (Zenit.org)
São Luís Maria Grignion nasceu no dia 31 de janeiro de 1673 na cidade de Montfort na França. Era o filho mais velho de dezessete filhos do casal João Batista Grignion de Bachelleraie e Joanna Visuelle de Chesnais. Sua família era cristã e muito devota, encaminhando sempre os filhos para o caminho de Deus. Luís teve irmãos religiosos e padres e já com onze anos iniciou os estudos no colégio dos jesuítas em Rennes. Lá recebeu uma sólida formação humana, espiritual e religiosa concluindo os estudos em 1692.
Em 1693, segue para o seminário de S. Sulpício para os estudos teológicos em vista da ordenação sacerdotal. Seu aproveitamento foi notável e destacou-se no aprendizado e vivência das virtudes aprendidas e em especial aprimorou e aprofundou a devoção à Nossa Senhora. Ordenou-se sacerdote no dia 5 de junho de 1700. Iniciou sua caminhada de evangelização pregando aos pobres e veio a tornar-se capelão do hospital de Poitiers. Mas no seu coração emergia o desejo de vida missionária e para que isso fosse confirmado pela Igreja, viajou para Roma em 1706 para conversar com o Papa Clemente XI.  Após a conferência com o Papa, este o envia sob o título de Missionário Apostólico.
Retornando para a França encontra grandes conflitos causados pelo surgimento da heresia jansenista, a qual combateu fortemente. Durante muitos anos pregou em missões por toda a França, em especial aos humildes, levando-os a conversão e ao aprofundamento da vivência e conhecimento da doutrina cristã com foco na devoção à Nossa Senhora da qual veio a escrever diversos registros, dentre eles o belíssimo “Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem Maria”. Fundou a Congregação dos Missionários Monfortinos, a Congregação das Filhas da Sabedoria e dos Irmãos de S. Gabriel. O Bispo da cidade de La Rochelle o convidou a fundar uma escola de formação que iniciou-se em 1715 e veio ater mais de 400 alunos.
Em virtude do seu árduo trabalho e dedicação missionária, foi acometido de diversas doenças que fragilizaram sua saúde física e veio a falecer no dia 28 de Abril de 1716 com 43 anos.. Foi beatificado em 1888 e canonizado, em Roma, em 1947 pelo Papa Pio XII. Seus textos foram publicados em 1842 e são hoje uma grande referência para a piedade e espiritualidade mariana.