quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Francisco faz o convite para que se viva a eucaristia de modo coerente



Texto completo da catequese desta quarta-feira durante a audiência geral
Por Redacao
ROMA, 12 de Fevereiro de 2014 (Zenit.org) - Queridos irmãos e irmãs, bom dia,
Na última catequese, destaquei como a Eucaristia nos introduz na comunhão real com Jesus e o seu mistério. Agora podemos nos colocar algumas perguntas sobre a relação entre a Eucaristia que celebramos e a nossa vida, como Igreja e como cristãos individualmente. Como vivemos a Eucaristia? Quando vamos à Missa aos domingos, como a vivemos? É somente um momento de festa, é uma tradição consolidada, é uma ocasião para se encontrar ou para sentir-se bem, ou é algo a mais?
Há alguns sinais muito concretos para entender como vivemos tudo isso, como vivemos a Eucaristia; sinais que nos dizem se nós vivemos bem a Eucaristia ou não a vivemos tão bem. O primeiro indício é o nosso modo de olhar e considerar os outros. Na Eucaristia, Cristo realiza sempre novamente o dom de si que fez na Cruz. Toda a sua vida é um ato de total partilha de si por amor; por isso Ele amava estar com os discípulos e com as pessoas que tinha oportunidade de conhecer. Isto significava para Ele partilhar os desejos deles, os seus problemas, aquilo que agitava as suas almas e suas vidas. Agora nós, quando participamos da Santa Missa, encontramo-nos com homens e mulheres de todo tipo: jovens, idosos, crianças, pobres e ricos; originários do lugar ou de fora; acompanhados por familiares ou sozinhos… Mas a Eucaristia que celebro leva-me a senti-los todos, realmente, como irmãos e irmãs? Faz crescer em mim a capacidade de alegrar com quem se alegra, de chorar com quem chora? Impele-me a seguir rumo aos pobres, aos doentes, aos marginalizados? Ajuda-me a reconhecer neles a face de Jesus? Todos nós vamos à Missa porque amamos Jesus e queremos partilhar, na Eucaristia, a sua paixão e a sua ressurreição.. Mas amamos, como quer Jesus, aqueles irmãos e irmãs mais necessitados? Por exemplo, em Roma, nestes dias vimos tantos problemas sociais ou pela chuva que fez tantos danos a bairros inteiros, ou pela falta de trabalho, consequência da crise econômica em todo o mundo. Pergunto-me, e cada um de nós se pergunte: eu que vou à Missa, como vivo isto? Preocupo-me de ajudar, de aproximar-me, de rezar por aqueles que têm este problema? Ou sou um pouco indiferente? Ou talvez me preocupo de fofocar: viu como está vestida aquela, ou como está vestido aquele? Às vezes se faz isso, depois da Missa, e não se deve fazer! Devemos nos preocupar com os nossos irmãos e irmãs que têm necessidade por causa de uma doença, de um problema. Hoje, fará bem a nós pensar nestes nossos irmãos e irmãs que têm este problema aqui em Roma: problemas pela tragédia provocada pela chuva e problemas sociais e de trabalho. Peçamos a Jesus, que recebemos na Eucaristia, que nos ajude a ajudá-los.
Um segundo indício, muito importante, é a graça de sentir-se perdoados e prontos a perdoar. Às vezes alguém pergunta: “Por que se deveria ir à igreja, visto que quem participa habitualmente da Santa Missa é pecador como os outros?”. Quantas vezes ouvimos isso! Na realidade, quem celebra a Eucaristia não o faz porque se acredita ou quer parecer melhor que os outros, mas propriamente porque se reconhece sempre necessitado de ser acolhido e regenerado pela misericórdia de Deus, feita carne em Jesus Cristo. Se algum de nós não se sente necessitado da misericórdia de Deus, não se sente pecador, é melhor que não vá à Missa! Nós vamos à Missa porque somos pecadores e queremos receber o perdão de Deus, participar da redenção de Jesus, do seu perdão. Aquele “Confesso” que dizemos no início não é “pro forma”, é um verdadeiro ato de penitência!  Eu sou pecador e o confesso, assim começa a Missa! Não devemos nunca esquecer que a Última Ceia de Jesus aconteceu “na noite em que foi traído” (1 Cor 11, 23). Naquele pão e naquele vinho que oferecemos e em torno do qual nos reunimos se renova toda vez o dom do corpo e do sangue de Cristo para a remissão dos nossos pecados. Devemos ir à Missa humildemente, como pecadores e o Senhor nos reconcilia.
Um último indício precioso nos vem oferecido pela relação entre a celebração eucarística e a vida das nossas comunidades cristãs. É necessário sempre ter em mente que a Eucaristia não é algo que fazemos nós; não é uma comemoração nossa daquilo que Jesus disse e fez. Não. É propriamente uma ação de Cristo! É Cristo que age ali, no altar. É um dom de Cristo, que se torna presente e nos acolhe em torno de si, para nutrir-nos da sua Palavra e da sua vida. Isto significa que a missão e a identidade própria da Igreja surge dali, da Eucaristia, e ali sempre toma forma. Uma celebração pode ser também impecável do ponto de vista exterior, belíssima, mas se não nos conduz ao encontro com Jesus Cristo arrisca não levar alimento algum ao nosso coração e à nossa vida. Através da Eucaristia, em vez disso, Cristo quer entrar na nossa existência e permeá-la pela sua graça, de forma que em toda comunidade cristã haja coerência entre liturgia e vida.
O coração se enche de confiança e esperança pensando nas palavras de Jesus reportadas no Evangelho: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6, 54). Vivamos a Eucaristia com espírito de fé, de oração, de perdão, de penitência, de alegria comunitária, de preocupação pelos necessitados e pelas necessidades de tantos irmãos e irmãs, na certeza de que o Senhor cumprirá aquilo que nos prometeu: a vida eterna. Assim seja!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Leis dos homens e lei de Deus




A vida em sociedade se torna cada vez mais complexa, exigindo uma série de leis e normas para regular o comportamento das pessoas e dos grupos. Não é novidade saber que um emaranhado de leis tantas vezes confunde os cidadãos, dificultando-lhes até manter-se em dia com suas obrigações. Para dar um exemplo, basta conversar com as pessoas que devem estar atualizadas quanto à legislação tributária e ver o quanto lhes é trabalhoso saber das ultimíssimas mudanças. Que se preparem os que devem preparar suas declarações de renda!

E podemos ir além, ao tomar consciência de que vivemos num estado laico, no qual todos os setores da sociedade, incluindo as diversas convicções religiosas, devem encontrar seu espaço, na superação de eventuais privilégios. Curioso é que a crescente laicização do Estado encontra meios e verbas para eventos no mínimo duvidosos, considerados manifestações culturais, relegando ao espaço privado a relação com Deus, da qual o ser humano não pode fugir, sob pena de perder o rumo e o sentido de sua existência. Nem é necessário fazer uma lista dos gastos correntes em nosso país, nos quais bilhões de reais são despendidos, inclusive com obras cuja utilidade prática posterior aos eventos programados é altamente questionável. Entende-se assim a revolta que jovens e menos jovens manifestam em nossas ruas, mesmo se os métodos e gritos se confundam com grupos violentos infiltrados em suas ações.

Bastam as leis e o laicismo do Estado? Quais serão as consequências do alijamento dos grupos religiosos da educação ou do cuidado com a saúde, pelas dificuldades encontradas para manter obras sociais correspondentes às convicções cristãs que os movem? Pode ficar tudo aparentemente certo, mas o que está por trás? E uma sociedade que perdeu as estribeiras quanto à moralidade dos atos públicos ou a exposição contínua de atos de esperteza ou de corrupção, para onde vai? Para onde foi a moral familiar? E as leis, podem ser simplesmente acolhidas, mesmo quando é patente sua iniquidade?

Jesus, Senhor e Salvador, enfrentou uma sociedade repleta de leis e mandamentos, sendo diante de muitos um violador das normas vigentes. No entanto, seu comportamento e seu ensinamento realizam e superam toda a lei. “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para cumprir. Antes que o céu e a terra deixem de existir, nem uma só letra ou vírgula serão tiradas da Lei, sem que tudo aconteça. Portanto, quem desobedecer a um só destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar os outros, será considerado o menor no Reino dos Céus. Quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus. Eu vos digo: Se vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5, 17-20).

Nasce então a pergunta: como superar as normas dos escribas e dos fariseus, ou como ir além das constituições, leis, normas técnicas ou regulamentos existentes em cada época? “Os olhos do Senhor estão voltados para os que o temem. Ele conhece todas as obras do ser humano. Não mandou ninguém agir como ímpio e a ninguém deu licença para pecar” (Eclo 15, 20-21). Começamos com radicalidade! Acomodar-se com a maldade e ajeitar a consciência é princípio de desastre! Ninguém foi destinado ao crime ou à corrupção, ninguém foi feito para andar errado ou afundar-se na lama da impureza! Não há um destino cego que obrigue à iniquidade. Acreditar que fomos feitos para o bem e para o que é certo e não admitir qualquer relaxamento de consciência é primeira resposta.

O grande Apóstolo São Paulo (Rm 13, 1-10) ajudou a enfrentar estas questões, ensinando que todos se submetam às autoridades que exercem o poder, pois não existe autoridade que não venha de Deus. Fez até uma pergunta provocante, com a correspondente resposta: “Queres não ter medo da autoridade? Pratica o bem, e serás por ela elogiado... É preciso obedecer, não somente por medo do castigo, mas por motivo de consciência. Pela mesma razão, pagais impostos. Dai a cada um o que lhe é devido: seja imposto, seja taxa, ou, também, o temor e o respeito”. O cristão há de ser exemplar no cumprimento dos próprios deveres de cidadania!

Entretanto, o caminho de superação das leis é justamente o cumprimento da lei maior, o amor, “pois quem ama o próximo cumpre plenamente a Lei... O amor é o cumprimento perfeito da Lei”. (Rm 13, 8.10). O mesmo apóstolo, escrevendo aos Gálatas, numa frase breve, estupenda e lapidar, diz outra vez que “toda a lei se resume neste único mandamento: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Gl 5,14). É verdade! Quem ama não rouba, não mata. E não só evita o mal, mas se abre aos outros, deseja o bem, pratica o bem, sabe doar-se, chega a dar a vida pela pessoa amada. Por isso Paulo escreve que, amando o próximo, não só se cumpre a lei, mas se cumpre “toda a lei”. Os outros mandamentos são meios para nos iluminar e guiar a fim de sabermos encontrar, nas complexas situações da vida, o caminho para amar os outros. E por que o Apóstolo não fala também do amor a Deus? É que o amor a Deus e o amor ao próximo não competem entre si. Um deles, o amor ao próximo, é até mesmo expressão do outro, do amor a Deus. Com efeito, amar a Deus significa fazer a sua vontade, e a sua vontade é que amemos o próximo (Cf. Chiara Lubich, Comentário à Palavra de Vida, Roma, 25 de maio de 1983).

Enfim, faz ainda parte da vida cristã saber lutar contra as leis injustas, denunciar o mal. Nos dias que correm, uma das mais importantes bandeiras dos cristãos, ainda que venham leis ou normas contrárias, é a da valorização da vida. Mesmo que sejam leis civis a permitir práticas abortivas ou outras violações da absoluta dignidade humana, não seremos obrigados a cumpri-las. Nasce a corajosa objeção de consciência, que vem também a ser praticada quando se recusa a sujar as mãos e o coração com a corrupção e o roubo. Em ano eleitoral, aqui se encontram preciosas referências para engajamento político, participação e voto! Se necessário, trata-se de nadar contra a correnteza, para vencer a torrente de maldade existente também em nosso tempo.

Dom Alberto Taveira Corrêa

Analfabetismos


Ilustração

.A notícia de que o Brasil tem 13,9 milhões de adultos analfabetos, segundo o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, divulgado pela Unesco, é social e politicamente instigadora. O número é muito alto e revela um sério comprometimento da cidadania. Embora não haja lei que obrigue o adulto a estar na escola para superar o grande mal do analfabetismo, é preciso acender uma chama de grande sensibilidade social e política, com força de articulação de instituições governamentais, educacionais, de igrejas e tantas outras entidades, no enfrentamento dessa chaga terrível na sociedade brasileira. 

O fato de o Brasil estar entre os dez países do mundo que concentram o maior número de analfabetos deve ferir nossa consciência cidadã. Todos precisam intuir ações que se configurem numa mobilização geral, capitaneada pelas responsabilidades primeiras governamentais, para garantir aos analfabetos um passo adiante na sua condição cidadã. Não se pode descansar diante do atual quadro que perpetua prejuízos. As ações de combate ao analfabetismo têm suas complexidades e exigências de investimentos. Por isso, é preciso disponibilizar recursos profissionais, instalações e métodos para que cidadãos de várias condições e segmentos deem sua contribuição para que, em mutirão, se possa mudar esse cenário comprometedor da cidadania. 

Importante sublinhar que existe um agravante no que se refere ao analfabetismo existente no Brasil. Especialistas consideram que o próprio sistema educacional brasileiro forma analfabetos, pessoas com dificuldades de alcançar conquistas e viver a cidadania com liberdade. O analfabetismo das letras incide, para além delas mesmas, na capacidade de compreensão e interpretação da própria realidade. O resultado é uma deficiência na participação social e política, a incapacidade para ajudar a corrigir os rumos da sociedade, monitorar os políticos e fazer nascer a lucidez corajosa para as grandes reformas institucionais. Assim, ignorar esse grave problema é condenar a sociedade a estar enterrada na corrupção, na desigualdade, na injustiça e na convivência pacífica com o mal. 

A alfabetização é um passo indispensável para a arte de ler, consequentemente interpretar, discernir e escolher o que deve pautar a vida de cada cidadão. É preciso dar a todos a condição necessária para participar, de maneira cidadã, dos processos de interpretação, entendimento e escolhas que mudam os rumos da sociedade. A contramão disso, o analfabetismo, é um sistema escravocrata que perpetua hegemonias e dominações, privilegiando grupos políticos e empresariais, em detrimento do bem comum e da justiça intocável que deve presidir a sociedade. Portanto, é preciso um mutirão, com velocidade própria, considerando metodologias adequadas, um envolvimento de todos, impelindo particularmente o poder público, para desenhar novos cenários. As igrejas de diferentes confissões, com sua capilaridade, seus espaços, seus membros, podem se aliar às instituições de ensino e, em cooperação com outros segmentos, desenhar um projeto de ação, simples, incidente e com força de mudar este cenário. 

Importante é também olhar o conjunto da sociedade e identificar as outras formas de analfabetismo, que ajudam a explicar a atual carência dos processos formais de educação básica eficiente. Ajuda neste exercício escutar o Papa Francisco, quando fala de três males que estão corroendo a contemporaneidade: as misérias moral, material e espiritual. A miséria material é, sem dúvida, consequência das misérias espiritual e moral. A sociedade moderna está padecendo de um completo analfabetismo moral. Tudo é negociado, ameaçado, disputado e dividido. Infelizmente, valem os interesses que atendem demandas do que o Papa Francisco aponta como “idolatria do dinheiro”, levando a qualquer efeito, desde que o próprio interesse seja atendido, muitas vezes até com aparências de religiosidades e de comprometimento político. O analfabetismo moral está conduzindo a humanidade a um nível intolerável de prejuízos, muitos irreversíveis. Ele só será corrigido pela superação da miséria espiritual. 

Esse analfabetismo, consequência da miséria espiritual, é o conjunto que reúne ganhos salariais exorbitantes, o consumo desarvorado e doentio, o desejo de poder que negocia tudo e os medos que fazem perder a serenidade na busca pelas correções necessárias. Para superar esses males e, consequentemente, desenvolver a imprescindível sensibilidade social, é preciso caminhar junto com os pobres e sofredores, buscar o caminho da espiritualidade como prática no seguimento de Jesus Cristo. Assim, serão encontradas as dinâmicas para promover atitudes de ruptura e novas escolhas, capazes de efetivamente combater o analfabetismo educacional e, particularmente, o analfabetismo moral. Todo cidadão deve se comprometer no fortalecimento das bases de uma sociedade mais solidária, travando uma grande luta contra todos esses tipos de analfabetismo. 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Papa convida a redescobrir sentido do sagrado na Missa



Redescobrir o sentido do sagrado, o mistério da presença real de Deus na Missa. Este foi o convite do Papa Francisco, durante a Missa, nesta segunda-feira, 10, na Casa Santa Marta. 

A Primeira Leitura do dia fala de uma teofania (manifestação) de Deus nos tempos do rei Salomão. O Papa comentou que o Senhor fala ao Seu povo de vários modos: por meio de profetas, sacerdotes, da Sagrada Escritura; mas a manifestação do Senhor, na Missa, é uma presença mais próxima, sem mediações. 

“Isto acontece na Celebração Litúrgica. Esta não é um ato social, não é uma reunião de crentes para rezar juntos. É uma outra coisa. Na liturgia, Deus está presente, é uma presença mais próxima. Na Missa, de fato, a presença do Senhor é real, propriamente real”. 

Francisco explicou que a celebração da Missa não é uma representação da Última Ceia, é propriamente a Última Ceia. É viver outra vez a Paixão e a Morte redentora do Senhor. Ele se faz presente, no altar, para ser oferecido ao Pai para a salvação do mundo. 

“Nós ouvimos ou dizemos: ‘Mas eu não posso, agora preciso ir à Missa, preciso ouvir a Missa’. A Missa não se ‘ouve’, participa-se deste mistério da presença do Senhor entre nós”. 

O Papa lembrou que, infelizmente, muitas vezes, as pessoas olham para o relógio na Missa, “contam os minutos”, o que não é uma atitude que a liturgia pede. “A liturgia é tempo de Deus e espaço d’Ele, e nós devemos nos colocar ali, no tempo de Deus, no espaço d’Ele, e não olharmos o relógio”. 

Entrar no mistério de Deus é o significado da liturgia, explicou o Santo Padre. “Por exemplo, tenho certeza de que todos vocês estão aqui para entrar no mistério, porém, talvez alguém diga: ‘Ah, eu devo ir à Missa na Santa Marta, porque, na agência turística de Roma, está visitar o Papa na Santa Marta todas as manhãs. É um lugar turístico, não? (risos). Todos vocês vêm aqui, nós nos reunimos aqui para entrar no mistério: é esta a liturgia”. 

O Papa concluiu a homilia dizendo que todos peçam a Deus a graça do sentido do sagrado, sentido que faz o homem entender que uma coisa é rezar em casa, rezar na Igreja, ler a Bíblia, e outra coisa é a Celebração Eucarística. 

“Na Celebração nós entramos no mistério de Deus, naquele caminho que nós não podemos controlar: somente Ele é o único, Ele é a alegria, o poder, Ele é tudo. Peçamos esta graça: que o Senhor nos ensine a entrar no mistério de Deus”.

Com informações de Canção Nova Notícas
Da redação do Portal Ecclesia.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Especialistas consideram que o próprio sistema educacional brasileiro forma analfabetos



Reflexões dom Dom Wamor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte
Por Dom Walmor Oliveira de Azevedo

BELO HORIZONTE,  Fevereiro de 2014 (Zenit.org) - A notícia de que o Brasil tem 13,9 milhões de adultos analfabetos, segundo o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos, divulgado pela Unesco, é social e politicamente instigadora. O número é muito alto e revela um sério comprometimento da cidadania. Embora não haja lei que obrigue o adulto a estar na escola para superar o grande mal do analfabetismo, é preciso acender uma chama de grande sensibilidade social e política, com força de articulação de instituições governamentais, educacionais, de igrejas e tantas outras entidades, no enfrentamento dessa chaga terrível na sociedade brasileira.
O fato de o Brasil estar entre os dez países do mundo que concentram o maior número de analfabetos deve ferir nossa consciência cidadã. Todos precisam intuir ações que se configurem numa mobilização geral, capitaneada pelas responsabilidades primeiras governamentais, para garantir aos analfabetos um passo adiante na sua condição cidadã. Não se pode descansar diante do atual quadro que perpetua prejuízos. As ações de combate ao analfabetismo têm suas complexidades e exigências de investimentos. Por isso, é preciso disponibilizar recursos profissionais, instalações e métodos para que cidadãos de várias condições e segmentos deem sua contribuição para que, em mutirão, se possa mudar esse cenário comprometedor da cidadania.
Importante sublinhar que existe um agravante no que se refere ao analfabetismo existente no Brasil. Especialistas consideram que o próprio sistema educacional brasileiro forma analfabetos, pessoas com dificuldades de alcançar conquistas e viver a cidadania com liberdade. O analfabetismo das letras incide, para além delas mesmas, na capacidade de compreensão e interpretação da própria realidade. O resultado é uma deficiência na participação social e política, a incapacidade para ajudar a corrigir os rumos da sociedade, monitorar os políticos e fazer nascer a lucidez corajosa para as grandes reformas institucionais. Assim, ignorar esse grave problema é condenar a sociedade a estar enterrada na corrupção, na desigualdade, na injustiça e na convivência pacífica com o mal.
A alfabetização é um passo indispensável para a arte de ler, consequentemente interpretar, discernir e escolher o que deve pautar a vida de cada cidadão. É preciso dar a todos a condição necessária para participar, de maneira cidadã, dos processos de interpretação, entendimento e escolhas que mudam os rumos da sociedade. A contramão disso, o analfabetismo, é um sistema escravocrata que perpetua hegemonias e dominações, privilegiando grupos políticos e empresariais, em detrimento do bem comum e da justiça intocável que deve presidir a sociedade. Portanto, é preciso um mutirão, com velocidade própria, considerando metodologias adequadas, um envolvimento de todos, impelindo particularmente o poder público, para desenhar novos cenários. As igrejas de diferentes confissões, com sua capilaridade, seus espaços, seus membros, podem se aliar às instituições de ensino e, em cooperação com outros segmentos, desenhar um projeto de ação, simples, incidente e com força de mudar este cenário.
Importante é também olhar o conjunto da sociedade e identificar as outras formas de analfabetismo, que ajudam a explicar a atual carência dos processos formais de educação básica eficiente.. Ajuda neste exercício escutar o Papa Francisco, quando fala de três males que estão corroendo a contemporaneidade: as misérias moral, material e espiritual. A miséria material é, sem dúvida, consequência das misérias espiritual e moral. A sociedade moderna está padecendo de um completo analfabetismo moral. Tudo é negociado, ameaçado, disputado e dividido. Infelizmente, valem os interesses que atendem demandas do que o Papa Francisco aponta como “idolatria do dinheiro”, levando a qualquer efeito, desde que o próprio interesse seja atendido, muitas vezes até com aparências de religiosidades e de comprometimento político. O analfabetismo moral está conduzindo a humanidade a um nível intolerável de prejuízos, muitos irreversíveis. Ele só será corrigido pela superação da miséria espiritual.
Esse analfabetismo, consequência da miséria espiritual, é o conjunto que reúne ganhos salariais exorbitantes, o consumo desarvorado e doentio, o desejo de poder que negocia tudo e os medos que fazem perder a serenidade na busca pelas correções necessárias. Para superar esses males e, consequentemente, desenvolver a imprescindível sensibilidade social, é preciso caminhar junto com os pobres e sofredores, buscar o caminho da espiritualidade como prática no seguimento de Jesus Cristo. Assim, serão encontradas as dinâmicas para promover atitudes de ruptura e novas escolhas, capazes de efetivamente combater o analfabetismo educacional e, particularmente, o analfabetismo moral. Todo cidadão deve se comprometer no fortalecimento das bases de uma sociedade mais solidária, travando uma grande luta contra todos esses tipos de analfabetismo.
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

Nossa Senhora de Lourdes



Neste dia lembramos de Nossa Senhora que ocupada em ajudar os seus filhos na conversão e santificação aparece em Lourdes, França. Sabemos que Maria é aquela que primeiro que todos está preparando todo o povo para a segunda vinda de Jesus.
A aparição de Maria aconteceu em 1858 numa úmida e fria tarde que representava bem a situação da época nem que o racionalismo e outros males estava estragando e esfriando a fé do povo. A agraciada com a visita de Nossa Senhora foi a frágil, humilde e menina Bernandete, que procurando gravetos para o lar ficou atraída por uma luz que saía de uma gruta, onde estava uma linda mulher de branco, com faixa azul, terço na mão, que a convidava a rezar.
As aparições se repetiram nos dias seguintes, e a mensagem de Nossa Senhora de Lourdes consistia no chamado a conversão, oração do terço e principalmente confirmação do Dogma da Imaculada Conceição, que apenas quatro anos atrás tinha sido declarado pela Igreja. Desde então milhões de peregrinos têm visitado o Santuário que é marco do amor da Mãe que vem nos ajudar, e nele alcançado por intercessão de Nossa Senhora de Lourdes muitas graças.
A Água da Fonte de Lourdes,
fonte de bençãos e curas
A 25 de fevereiro de 1858 a Virgem Santíssima aparece pela nona vez à menina Bernadete e lhe diz: Vá beber à fonte e lavar-se. Porém, ainda não havia fonte alguma ali. Mas eis que ela surge miraculosamente.
A fonte de água é o marco da mensagem de Lourdes. É sobretudo um sinal de purificação espiritual. Não se trata de um líquido mágico, com poderes curativos. Deus se serve desta água quando quer como instrumento visível para curas extraordinárias, demonstrando Sua presença neste lugar de abundantes graças. Nada mais.
Um número incalculável de curas ocorre em Lourdes. E para que se chegue à conclusão de que houve ou não milagre, instituiu-se o Bureau des Contestations Medicales, hoje conhecido como Oficina de Lourdes, que possui a função de verificar sob o ponto de vista da Ciência as curas ocorridas e elaborar um dossiê sanitário, que permite certificar tanto a enfermidade anterior, quanto a cura.
Em Paris, há o Comitê Médico Internacional para onde são encaminhados, após o tempo de um ano, casos que a Oficina Médica define como “grande cura”.
A cura deve ser total, imprevisível, duradoura e ter ocorrido há quatro ou cinco anos antes de ser avaliada pelo Comitê. A enfermidade deve ter sido grave (com perigo de morte) e comprovada por exames clínicos.
Como podemos perceber a água de Lourdes não é um elemento mágico, é apenas um elemento comum, que o Senhor utiliza para fazer chegar a Sua graça.
Assim, a cura corporal, que dela poderá advir, é apenas um símbolo da cura produzida no interior. E, por se tratar de um canal da graça divina, necessita por parte de quem a recebe certo grau de fé, ainda que pequeno, o que já será suficiente para mover a virtude da esperança e fazer que nele se opere a vitória de Cristo.
No Novo Testamento, e em especial nos evangelhos, o tema da fé é algo significativo. Escutamos o próprio Senhor falar de sua importância muitas vezes, tal como em Lc 17,19: E disse-lhe Jesus:“Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”. Se Deus fez por nós a maior parte, se servindo de um elemento comum como a água, como um dos canais por onde ele nos comunica a sua graça, cabe então a nós uma única resposta: a fé. A fé que nos impulsiona ao amor misericordioso de Deus.

AS PROFECIAS DE NOSSA SENHORA DE LOURDES



VATICANO – Um pesquisador descobriu uma carta escrita por Santa Bernadette – contendo profecias impressionantes reveladas à conhecida santa de Lourdes pela própria Virgem Maria! Incrivelmente, quatro profecias da Nossa Senhora de Lourdes já se tornaram realidade

“A carta de Santa Bernadette foi enviada para o Papa há 120 anos – mas estava perdida até que em dezembro de 1998, eu a encontrei por acaso na biblioteca do Vaticano” disse o Padre Antoine LaGrande, um clérico francês que pesquisava em um livro de milagres de Lourdes.
“Este documento importante nos informa em termos muito precisos o que espera a humanidade quando o novo milênio chegar.”
(Então continua a história de Nossa Senhora de Lourdes e Santa Bernadette)
Bernadette entrou em um convento onde, ironicamente, pegou uma doença incurável. Pouco antes de sua morte em 1879, ela escreveu uma carta para o Papa, na qual detalhava cinco profecias que tinham sido reveladas para ela pela Virgem Maria. O conteúdo nunca foi publicado e quando perguntas foram feitas na mudança do século sobre a carta, oficiais do Vaticano envergonhados admitiram que a carta escrita pela freira – canonizada depois da sua morte – tinha simplesmente sido perdida.
O padre LaGrande disse que descobriu a longa carta perdida em uma caixa de ferro em um cômodo de depósito no sótano da biblioteca do Vaticano. Em cada uma de suas cinco páginas havia uma profecia relacionada a um período específico no tempo.
Quatro destas profecias já foram realizadas, exatamente como Santa Bernadette previu. A quinta, relacionada aos anos 2000 ainda não.
“A primeira profecia de Lourdes tratava basicamente com o que aconteceria ao santuário nos anos logo depois da morte de Santa Bernadette, explicando como ele se tornaria um centro renomado de cura”, ele disse. “Isto já é certamente verdade.”
“A segunda profecia descrevia algumas invenções científicas envolvendo “o uso de energia da iluminação” que ocorreria antes de 1906. Isto se tornou realidade com a invenção do bulbo de luz, do fonógrafo e outras invenções que usam eletricidade” disse o padre LaGrande.
A terceira profecia declarava que na década de 1930 um terrível mal nasceria na Alemanha, e descrevia a imagem horrível de uma guerra que envolveria muitas nações do planeta. “Isto ocorreu com a chegada de Adolf Hitler ao poder e o advento da Segunda Guerra Mundial” , disse o Padre LaGrande.
A quarta profecia detalhava o esforço feito pela humanidade para alcançar os céus e predisse que próximo a 1970 um americano andaria na lua. “Esta profecia foi cumprida quando o astronauta Neil Armstrong andou na lua em 1969″, disse Padre LaGrande.
A quinta profecia é a mais extensa. Abaixo há trechos da carta de Santa Bernadette traduzidos do original francês (e do inglês ao português) da quinta profecia de Lourdes.
“Sua santidade, a Virgem me disse que quando o vigésimo século passar, com ele passará a idade da ciência. Uma nova idade de fé nascerá em todo o mundo.
“Virá a prova no fim que foi Nosso Senhor que criou o mundo e o Homem, e isto será o início do fim dos cientistas, nos quais as pessoas deixarão de acreditar.
“Milhões voltarão a Cristo, e os números de crentes aumentará, o poder da Igreja crescerá como nunca antes.
“O que também fará muitos darem as costas para a ciência será a arrogância dos cientistas que usarão o conhecimento deles para criar uma abominação.
“Estes doutores encontrarão meios de combinar a essência humana a essência de um animal e criarão uma nova criatura que não é nem totalmente humano nem totalmente animal. As pessoas conhecerão em seus corações que isto é errado, mas elas não terão poder para interromper a criação destes monstros.
“No final, caçarão cientistas como lobos famintos são caçados.
“Na véspera do ano 2000, ocorrerá um combate final entre os seguidores de Mohammed e os cristãos no mundo.
“Uma batalha furiosa ocorrerá, na qual 5.654.831 soldados serão mortos e uma bomba poderosa cairá em uma cidade na Pérsia (a Pérsia está mais relacionada ao Irã, mas pode ser também Iraque, porque no apogeu do império persa, terras do atual Iraque fazia parte do seu império).
“Mas ao completar o tempo, o sinal da cruz prevalecerá e todos do Islam serão forçados a se converter ao Cristianismo. Seguirá um século de paz e alegria, pois todas as nações da Terra abaixarão suas espadas e escudos.
“Grande prosperidade virá e o Senhor fará chover suas bênçãos sobre aqueles que têm fé. Em nenhuma família na Terra haverá pobreza ou fome.
“Uma pessoa em dez terá o dom dado por Deus de curar e eles terminarão com todas as doenças de todos os que procuram a sua ajuda. Muitos se alegrarão com estes milagres. O século XXI será conhecido como a Segunda Idade Dourada da Humanidade.”

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DIA MUNDIAL DO DOENTE




             Há 50 anos, em tempo de férias seminarísticas de 1964, estando eu ainda na fase ginasial, o falecido pai Arsênio promoveu entusiasta campanha na Comunidade Mãe de Deus, na terra natal Boa Vista – Poço das Antas/RS, para aquisição de estátua de Nossa Senhora de Lurdes, a ser colocada numa bela gruta que a natureza desenhou com rara beleza numa rocha, ao lado da estrada. No dia de inauguração houve missa festiva na comunidade e solene bênção, com presença de numeroso povo e do Pároco, Côn. Davi Rossa, um santo homem. Como a Comunidade sempre foi de rezar fervorosamente pelas vocações, fui convidado, neste dia, a fazer em nome de todos, do alto da referida gruta, oração à Virgem de Lurdes pelas vocações sacerdotais e religiosas em nossa Paróquia São Pedro Apóstolo. Esta de fato já deu à Igreja, além de dois bispos, dezenas de presbíteros e inúmeros religiosos e religiosas.
          Mas nosso assunto de hoje, refere-se à data em honra de Nossa Senhora de Lurdes, 11 de fevereiro, como Dia Mundial do Doente, para o qual o Papa Francisco emitiu significativa mensagem. Sua santidade se dirige de modo particular aos doentes e aos que lhes prestam assistência e cura. Nos primeiros reconhece presença especial de Jesus Cristo sofredor: “Dentro do nosso sofrimento está o de Jesus, que carrega conosco o seu peso e revela o seu sentido”. O Pontífice lembra que ao subir na cruz, por amor, o Filho de Deus destruiu a solidão do sofrimento e iluminou sua escuridão. Infundiu-nos esperança, abrindo a noite do sofrimento à luz pascal; deu-nos coragem por estarmos unidos a Ele. Segundo o Papa Francisco, “O Filho de Deus feito homem não privou a experiência humana da doença e do sofrimento, mas, assumindo-os em si, transformou-os e reduziu-os. Reduzidas porque já não têm a última palavra, que é ao contrário a vida nova em plenitude; transformados, porque em união com Cristo, de negativas podem tornar-se positivas”. A mensagem ainda nos convoca para tornar-nos como Cristo, Bom Samaritano de todos os sofredores: “Quando nos aproximamos com ternura daqueles que precisam de cura, levamos a esperança e o sorriso de Deus às contradições do mundo”; para sermos como Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, sempre atenta à voz de Deus e às necessidades e dificuldades dos seus filhos: “Maria, estimulada pela misericórdia divina, que nela se faz carne, esquece-se de si mesma e encaminha-se às pressas da Galileia para a Judeia a fim de encontrar e ajudar a sua prima Isabel; intercede junto do seu Filho nas bodas de Caná, quando falta o vinho da festa; leva no seu coração, ao longo da peregrinação da vida, as palavras do velho Simeão que lhe prenunciam uma espada que trespassará a sua alma, e com fortaleza permanece aos pés da Cruz de Jesus. Ela sabe como se percorre este caminho e por isso é a Mãe de todos os doentes e sofredores. A ela podemos recorrer confiantes com devoção filial, certos de que nos assistirá e não nos abandonará. É a Mãe do Crucificado Ressuscitado: permanece ao lado das nossas cruzes e acompanha-nos no caminho rumo à ressurreição e à vida plena”. Concluindo sua mensagem, o Papa Francisco afirma que na cruz está a nascente da fé e do amor: “A Cruz é a certeza do amor fiel de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos confere a força para carregá-lo, entra também na morte para vencê-la e nos salvar... A Cruz de Cristo convida-nos também a deixar-nos contagiar por este amor, ensina-nos a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo para quem sofre, para quem tem necessidade de ajuda”. Deus, por intercessão da Virgem Maria, proteja nossos doentes!
Dom Aloísio A. Dilli
   Bispo de Uruguaiana