quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Papa explica que o natal é a festa da confiança e da esperança, que supera o pessimismo.



Texto da catequese do Papa Francisco na audiência da quarta-feira

Por Redacao

ROMA, 18 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) -
Queridos irmãos e irmãs bom dia,
Este nosso encontro se desenvolve no clima espiritual do Advento, tornado ainda mais intenso pela Novena do Santo Natal, que estamos vivendo nestes dias e que noz conduz às festas natalícias. Por isso, hoje gostaria de refletir convosco sobre o Natal de Jesus, festa da confiança e da esperança, que supera a incerteza e o pessimismo. E a razão da nossa esperança é esta: Deus está conosco e confia ainda em nós. É generoso este Deus Pai! Ele vem morar com os homens, escolhe a terra como sua morada para estar junto ao homem e fazer-se encontrar lá onde o homem passa os seus dias na alegria ou na dor. Portanto, a terra não é mais somente um “vale de lágrimas”, mas é o lugar onde o próprio Deus colocou a sua tenda, é o lugar do encontro de Deus com o homem, da solidariedade de Deus com os homens.
Deus quis partilhar a nossa condição humana ao ponto de fazer-se uma só coisa conosco na pessoa de Jesus, que é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Mas há algo ainda mais surpreendente. A presença de Deus em meio à humanidade não foi realizada de modo ideal, sereno, mas neste mundo real, marcado por tantas coisas boas e ruins, marcado por divisões, maldade, pobreza, prepotência e guerras. Ele escolheu habitar a nossa história assim como ela é, com todo o peso de seus limites e dos seus dramas. Assim fazendo, demonstrou de modo insuperável a sua inclinação misericordiosa e repleta de amor para com as criaturas humanas. Ele é o Deus-conosco; Jesus é Deus-conosco. Vocês acreditam nisso? Façamos juntos esta profissão: Jesus é Deus-conosco! Jesus é Deus-conosco desde sempre e para sempre conosco nos nossos sofrimentos e nas dores da história. O Natal de Jesus é a manifestação de que Deus colocou-se de uma vez por todas do lado do homem, para nos salvar, para nos levantar do pó das nossas misérias, das nossas dificuldades, dos nossos pecados.
Daqui vem o grande “presente” do Menino de Belém: Ele nos traz uma energia espiritual, uma energia que nos ajuda a não nos abatermos com os nossos cansaços, os nossos desesperos, as nossas tristezas, porque é uma energia que aquece e transforma o coração. O nascimento de Jesus, de fato, nos traz a bela notícia de que somos amados imensamente e singularmente por Deus, e este amor não somente o faz conhecer, mas o doa, comunica-o!
Da contemplação alegre do mistério do Filho de Deus nascido por nós, podemos tirar duas considerações.
A primeira é que se no Natal Deus se revela não como um que está no alto e que domina o universo, mas como Aquele que se rebaixa, vem à terra pequeno e pobre, significa que para sermos similares a Ele nós não devemos nos colocar sobre os outros, mas antes rebaixar-nos, colocarmo-nos a serviço, fazer-nos pequenos com os pequenos e pobres com os pobres. Mas é uma coisa ruim quando se vê um cristão que não quer rebaixar-se, que não quer servir. Um cristão que se exibe sempre é ruim: aquele não é cristão, aquele é pagão. O cristão serve, rebaixa-se. Façamos com que estes nossos irmãos e irmãs não se sintam nunca sozinhos!
A segunda consequência: se Deus, por meio de Jesus, envolveu-se com o homem a ponto de tornar-se como um de nós, quer dizer que qualquer coisa que fizermos a um irmão ou a uma irmã a teremos feito a Ele. Recordou isso o próprio Jesus: quem tiver alimentado, acolhido, visitado, amado um dos mais pequeninos e dos mais pobres entre os homens, terá feito isso ao Filho de Deus.
Confiemo-nos à materna intercessão de Maria, Mãe de Jesus e nossa, para que nos ajude neste Santo Natal, agora próximo, a reconhecer na face do nosso próximo, especialmente das pessoas mais frágeis e marginalizadas, a imagem do Filho de Deus feito homem.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Consciência Ecológica


 


 Deus fez o céu e a terra e todas as coisas. Criou todas as criaturas que vivem na água, que voam no céu e habitam a terra, em seus campos e florestas.( Gn 1,1-31)         
O ser humano foi criado por Deus, a sua imagem e semelhança para viver e ser feliz na natureza que lhe foi entregue por Deus.  Por isso é necessário que haja uma convivência pacifica entre o homem e a natureza.( Gn 2, 1-25)
 O mundo foi se transformando ao longo do tempo. O homem cada vez mais inventando coisas, que foram se integrando ao seu dia a dia, até chegar aos dias de hoje, quando não se vive mais uma vida simples integrada com a natureza.

1- O que é consciência ecológica?
    Consciência ecológica é a busca da mudança de comportamento em relação a natureza e a modernidade. É a valorização da vida no seu sentido mais amplo.
   Consciência ecológica é o despertar de uma compreensão e de uma sensibilidade acerca da degradação do meio ambiente e das conseqüências desse processo para a qualidade da vida humana e para o futuro das espécies como um todo.
      Significa, também, uma nova forma de ver e compreender as relações entre os homens e destes com seu ambiente, de constatar a indivisibilidade entre sociedade e natureza e de perceber a indispensabilidade desta para a vida humana. Aponta, ainda, para a busca de um novo relacionamento com os ecossistemas naturais que ultrapasse a perspectiva individualista, antropocêntrica e utilitária que, historicamente, tem caracterizado a cultura e civilizações modernas ocidentais.

O que é ecossistema natural?
Ecossistemas naturais :    Na natureza,  nenhum  ser  vivente é isolado. No ecossistema  "natural",  todas as comunidades de seres vivos se inter-relacionam de maneira equilibrada. Assim, os vegetais considerados produtores, crescem pela incorporação da energia solar. Os animais consumidores se alimentam dos vegetais, de  insetos  ou  de  outros  animais.  A  morte  de  todos  os  seres  vivos,  a  queda  de  folhas,  a decomposição,  de todos os resíduos,  devolvem ao ambiente os materiais iniciais, completando o ciclo. Quando o homem realiza esta revolução ecológica de cultivar a vontade vegetais,  criar e domesticar animais úteis e agrupar-se em núcleos multifamiliares, ele passa a interferir nos mecanismos naturais de regulação ambiental.

Para refletir:
Como nos relacionamos com a natureza em nosso dia a dia?

                                                           Maria Ronety Canibal



Senhor, livra o teu povo do clericalismo



Pontífice explica que todos os batizados são profetas
Por Redacao

ROMA, 16 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Quando falta a profecia na Igreja, falta a própria vida de Deus e predomina o clericalismo, disse o papa Francisco na homilia desta terceira segunda-feira do Advento, ao celebrar a missa na Casa Santa Marta.
O profeta, disse o papa ao comentar as leituras do dia, é aquele que escuta as palavras de Deus, sabe enxergar o momento e projetar o futuro. “Ele tem dentro dele esses três momentos”: o passado, o presente e o futuro.
“O passado: o profeta é consciente da promessa, ele tem no coração a promessa de Deus, a mantém viva, se lembra dela, a repete. Depois ele olha para o presente, para o seu povo, e sente a força do Espírito para dizer uma palavra que o ajude a se levantar, a continuar no caminho em direção ao futuro. O profeta é um homem de três tempos: promessa do passado, contemplação do presente, valentia para apontar o caminho rumo ao futuro. Nosso Senhor sempre protegeu o seu povo, com os profetas, nos momentos difíceis, nos momentos em que o povo se desanimava ou era destruído, quando não tinha o templo, quando Jerusalém estava sob o poder dos inimigos, quando o povo se perguntava: ‘Mas, Senhor, tu nos fizeste essa promessa! O que está acontecendo agora?’”.
É o que “aconteceu no coração de Maria”, explicou o pontífice, “quando ela estava aos pés da cruz”. Nessas horas “é necessário o agir do profeta. E o profeta nem sempre é bem recebido. Muitas vezes ele é rejeitado. Jesus mesmo disse aos fariseus que os pais deles assassinaram os profetas, porque os profetas diziam coisas que não eram agradáveis: diziam a verdade, recordavam a promessa! E quando falta a profecia no povo de Deus, falta a vida do Senhor! (...) Quando não há profecia, predomina o legalismo”. Assim, no Evangelho, “os sacerdotes pediam a Jesus a cartilha da legalidade: ‘Com que autoridade fazes tais coisas? Nós somos os senhores do templo!’. Eles não entendiam as profecias. Tinham se esquecido da promessa! Eles não sabiam ler os sinais do momento, não tinham nem olhos penetrantes nem tinham escutado a Palavra de Deus: só tinham a autoridade!”.
“Quando não há profecia no povo de Deus, o vazio é ocupado pelo clericalismo: e é esse clericalismo que pergunta a Jesus: ‘Com que autoridade tu fazes estas coisas? Com que legalidade?’. E a memória da promessa e a esperança de seguir em frente ficam reduzidas apenas ao presente, sem passado e sem um futuro esperançador. O presente é a legalidade: se isso é legal, então vá em frente”.
Mas quando reina o legalismo, “a Palavra de Deus fica de fora e o povo de Deus chora no seu coração, porque não encontra o Senhor: falta a profecia”. Ele chora “como chorava a mãe Ana, a mãe de Samuel, pedindo a fecundidade do povo, a fecundidade que vem da força de Deus, quando Ele desperta a memória da sua promessa e nos empurra para o futuro com a esperança. Este é o profeta! Este é o homem do olho penetrante que escuta as palavras de Deus”.

“Que a nossa oração neste período em que nos preparamos para o Natal do Senhor seja esta: ‘Senhor, que não faltem os profetas no teu povo!’.. Todos nós, batizados, somos profetas. ‘Senhor, que não nos esqueçamos da tua promessa! Que não nos cansemos de seguir em frente! Que não nos encerremos no legalismo que fecha as portas! Senhor, livra o teu povo do espírito do clericalismo e ajuda-o com o espírito da profecia!’”.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

ALEGRIA DE SERVIR

 
Caros diocesanos. Vivemos o belo tempo do Natal. Os cristãos festejam o mistério da encarnação, o nascimento do Filho de Deus que veio habitar entre nós (Jo 1, 14); tornou-se Emanuel, ou seja, Deus-conosco. Como afirmou Bento XVI: “A Palavra eterna fez-Se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Fez-Se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós. Desde então a Palavra já não é apenas audível, não possui somente uma voz; agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré” (VD 12). São Francisco de Assis, ao realizar o primeiro presépio, quis representar esse grande amor de Deus por nós, assumindo nossa pequenez humana para fazer-nos participantes de sua natureza divina. Deus veio ao nosso encontro, não por merecermos, mas por atitude de amor. Assim, o Natal torna-se tempo propício para agradecermos seu infinito amor, sua alegria de nos servir. O clima de fim de ano, igualmente, nos convida a expressar nossa gratidão a Deus e aos outros por todos os benefícios com os quais fomos agraciados durante o ano, o qual vê chegar seu último ocaso, aguardando 2014.
A encarnação confirma a atitude de servo, assumida por Jesus em toda sua vida, e também o que dirá mais tarde, em poucas palavras: “O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10, 45). Toda sua vida foi um lava-pés de humildade, de serviço, até a doação na cruz. Bem que Gabriela Mistral afirma, sob o título: Alegria de Servir: “El servir no es una faena de seres inferiores. Dios, que da el fruto y la luz, sirve. Pudiera llamársele así: El que sirve. Y tiene sus ojos fijos en nuestras manos y nos pregunta cada día: ¿Serviste hoy? ¿Al árbol? ¿A tu amigo? ¿A tu madre?”.
Ao terminarmos o ano de 2013, certamente, poderemos avaliá-lo como de mais ou menos valor, pela medida da alegria de termos servido a Deus, aos irmãos e irmãs, enfim, de termos feito o bem no mundo que nos rodeia. No ano da Missão em nossa diocese, sem dúvida, teremos muito a agradecer aos que se dedicaram com alegria e generosidade nas diversas pastorais, comunidades, movimentos, associações, serviços, escolas... Certamente, não faltou o tempero do amor e da alegria de servir em presenças e atividades missionárias, das mais nobres até as mais simples. É bem como disse a integrante da equipe de cozinha, Marbel Bolson, no final da missa do 32º Cursilho de Mulheres (Julho de 2013):

A comida era preparada com todo o cuidado para que ficasse saborosa, com um toque de sal para temperar nossas ações, mais um pouco de fermento para fermentar o amor de Cristo em cada uma de nós e uma pitada de luz para iluminar os nossos pensamentos e sentimentos. 
Tivemos comida com fartura. Aliás, fartura foi o que mais teve: fartura de amor, fartura de dedicação, fartura de alegria e fartura de boa vontade. Para preparar o alimento que seria servido a vocês, novas cursilhistas, nossa equipe fervia panelas e ao mesmo tempo fervíamos de amor, companheirismo e carinho. Cozinhávamos os alimentos e também cozinhávamos dentro de nós os mais nobres sentimentos, servindo o alimento a vocês com o que tínhamos de melhor. Alimentamos a todas e também alimentamos o nosso espírito em Cristo. Louvamos a Deus por todos os momentos...”.

Que neste Natal e final de ano, todos nós possamos fazer nossa prece de gratidão, recitando ao Senhor o Salmo da alegria de ter servido, sem esquecer também da súplica para termos forças de continuar nesta nobre missão, também em 2014.
Dom Aloísio A. Dilli - Bispo de Uruguaiana

domingo, 15 de dezembro de 2013

"A alegria do cristão está em descobrir que é acolhido e amado por Deus"



Texto completo das palavras do Papa Francisco. Em uma praça de São Pedro sob chuva, abençoou as imagens do Menino Jesus para os presépios
Por Redacao

ROMA, 15 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) -
Obrigado!
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje é o terceiro domingo do Advento, dito também domingo Gaudete, isso é, domingo da alegria. Na liturgia, ressoa várias vezes o convite à alegria, a alegrar-se, por que? Porque o Senhor está próximo. O Natal está próximo. A mensagem cristã se chama “evangelho”, isso é, “boa notícia”, um anúncio de alegria para todo o povo; a Igreja não é um refúgio para o povo triste, a Igreja é a casa da alegria! E aqueles que estão tristes encontram nessa a alegria, encontram nessa a verdadeira alegria!
Mas aquela do Evangelho não é uma alegria qualquer. Encontra a sua razão no saber-se acolhido e amado por Deus. Como nos recorda hoje o profeta Isaías (cfr 35, 1-6.8ª.10), Deus é aquele que vem para nos salvar, e presta socorro especialmente aos desanimados de coração. A sua vinda em meio a nós nos fortalece, torna sãos, dá coragem, faz exultar e florir o deserto e o estepe, isso é, a nossa vida quando se torna árida. E quando a nossa vida se torna árida? Quando está sem a água da Palavra de Deus e do seu Espírito de amor. Por mais que sejam grandes os nossos limites e os nossos desânimos, não nos é permitido sermos fracos e vacilantes diante das dificuldades e das nossas próprias fraquezas. Ao contrário, somos convidados a robustecer as mãos, a firmar os joelhos, a ter coragem e não temer, porque o nosso Deus nos mostra sempre a grandeza da sua misericórdia. Ele nos dá a força para seguir adiante. Ele está sempre conosco para nos ajudar a seguir adiante. É um Deus que nos quer tanto bem, nos ama e por isto está conosco, para nos ajudar, para nos robustecer e seguir adiante.. Coragem! Sempre avante! Graças à sua ajuda nós podemos sempre começar de novo. Como? Começar de novo? Alguém pode me dizer: “Não, padre, eu fiz tantas coisas…Sou um grande pecador, uma grande pecadora…Eu não posso recomeçar!”. Você está errado! Você pode recomeçar! Por que? Porque Ele te espera, Ele está próximo a você, Ele te ama, Ele é misericordioso, Ele te perdoa, Ele te dá a força de recomeçar! A todos! Então somos capazes de reabrir os olhos, de superar tristeza e choro e entoar um canto novo. E esta alegria verdadeira permanece também na prova, também no sofrimento, porque não é uma alegria superficial, mas desce no profundo da pessoa que se confia a Deus e confia Nele.
A alegria cristã, como a esperança, tem o seu fundamento na fidelidade de Deus, na certeza de que Ele mantém sempre as suas promessas. O profeta Isaías exorta aqueles que perderam o caminho e estão no desânimo a terem confiança na fidelidade do Senhor, porque a sua salvação não tardará a irromper nas suas vidas. Quantos encontraram Jesus ao longo do caminho, experimentam no coração uma serenidade e uma alegria da qual nada e ninguém poderá privá-los. A nossa alegria é Jesus Cristo, o seu amor fiel e inesgotável! Por isso, quando um cristão se torna triste, quer dizer que se afastou de Jesus. Mas então não é preciso deixá-lo sozinho! Devemos rezar por ele e fazê-lo sentir o calor da comunidade.
A Virgem Maria nos ajude a apressar o passo rumo a Belém, para encontrar o Menino que nasceu para nós, para a salvação e a alegria de todos os homens. A ela o Anjo disse: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo” (Lc 1, 28). Ela nos ajude a viver a alegria do Evangelho na família, no trabalho, na paróquia e em todo lugar. Uma alegria íntima, feita de admiração e ternura. Aquela que experimenta uma mãe quando olha para a sua criança recém-nascida e sente que é um dom de Deus, um milagre pelo qual só agradecer!

Uma única família






Silvonei José Protz
via internet

Eis que o Natal se aproxima!



Muitos acontecimentos marcam nossa caminhada eclesial nesta semana. O Papa ter sido escolhido “personalidade do ano” pela revista “Time” foi um sinal interessante de como a visão do mundo contemporâneo tem sede de sinais e de lideranças fortes que ajudem o mundo a caminhar melhor. Tivemos as celebrações com várias pastorais, entre as quais com a histórica Pastoral do Menor, além das celebrações nos presídios e casas de recuperação. Vi o empenho de vigários episcopais, párocos, leigos, grupos organizados da Igreja se empenharem com coragem no socorro às vítimas das chuvas dos últimos dias. Acolhimento, campanha de fundos, roupas e alimentos, presença próxima às pessoas. Tantas situações de calamidade, no entanto, a solidariedade fraterna demonstrou com clareza que em tudo podemos minimizar as dificuldades e sofrimentos. Creio que tudo isso nos ajuda muito mais ainda a ingressar, com a trezena de São Sebastião do próximo mês, no “Ano da Caridade Social” para melhor articularmos e nos organizarmos em tantos trabalhos que já ocorrem e que poderiam ainda ser melhores.

Vivendo neste final de semana a Campanha para a Evangelização com a coleta nacional e, ao mesmo tempo, o domingo “gaudete” do Advento, sentimos, sem dúvida, que isso é para que possamos nos alegrar mais com os sinais de Deus na vida das pessoas e nos empenharmos ainda mais na evangelização.

Ao iniciarmos no próximo dia 17 a semana de preparação próxima para o Natal, eu recordo a importância da preparação católica desse evento cristão a todos os nossos queridos diocesanos. Além das confissões, celebrações especiais, temos a antiga tradição da Novena de Natal em família, neste ano com transmissão pela Rádio Catedral e pela Webtv Redentor.

A Arquidiocese, em um esforço da Coordenação Arquidiocesana de Pastoral, publicou a Novena de Natal de 2013, com o tema "A Bondade de Deus veio Ficar entre nós!"(Tt 3,4), baseada na Palavra de Deus e nas comoventes e propiciadoras mensagens proferidas pelo Santo Padre o Papa Francisco em sua memorável Viagem Apostólica ao Rio de Janeiro por ocasião da JMJRio 2013.

Durante os nove encontros, em que somos convidados a nos reunir nas casas, nos prédios, nos locais de trabalho etc, usando sempre da criatividade para levarmos o Evangelho para as "periferias existenciais", refletimos sobre três palavras importantes: Natal, Jesus Cristo e Caridade.

Isto está em conformidade com o que vivenciaremos em 2014, ou seja, o Ano Arquidiocesano da Caridade, conforme o nosso Plano de Pastoral. O Papa Francisco, em sua visita na Comunidade da Varginha, nos deu o autêntico significado do ano em que estaremos celebrando: "Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que frequentemente regula a nossa sociedade, aquela que constrói e conduz a um mundo do mais habitável. Não é ela! Mas sim a cultura da solidariedade. A cultura da solidariedade é ver no outro não um concorrente ou um número, mas um irmão. E todos nós somos irmãos!". Na exortação apostólica “a Alegria do Evangelho” o Papa irá aprofundar ainda mais a questão missionária e a doutrina social da Igreja.

Os nove encontros que marcam a nossa caminhada novenária são pautados pelos seguintes temas cristológicos: como discípulos-missionários de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Mãe Igreja nos convoca a manifestar a bondade que Ele anunciou e transmitiu. Por isso, o primeiro encontro é marcado por esta bondade como resposta aos anseios mais profundos do ser humano, que se irradia através de corações generosos, como o da Bem- Aventurada Virgem Maria, conforme veremos no segundo encontro. A caridade cristã, que não deve ter limites, é uma força tão grande que não teme enfrentar e vencer as barreiras, como nos ensina o terceiro encontro; quando, como batizados, somos chamados a encarar com coragem e destemor a maldade que permeia o mundo, conforme veremos no quarto encontro. A família, célula fundamental da Igreja e da Sociedade, é o lugar privilegiado de vivência do Natal e das práticas de caridade, por isso a família é a principal preocupação da Igreja, quando a tutela, e valoriza o casamento do homem com a mulher aberto à procriação e à vida, como veremos no quinto encontro. As pessoas que vivem vitimadas pelo mal deverão ser lembradas por nós no sexto encontro. No sétimo encontro refletimos a necessidade da partilha e da solidariedade de todos os dons que temos e que somos apenas administradores. A união de todos os fiéis batizados em torno da nossa fé comunitária é o tema do oitavo encontro, sendo que a novena será encerrada com a proclamação de que Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Dessa forma, a Arquidiocese, através da Novena de Natal, além de procurar semear com esses grupos novas comunidades, também prepara todo o povo para o ano que se aproxima, de acordo com o tema escolhido para nortear nossos trabalhos.

O Natal não é apenas uma data. O Natal não é pura e simplesmente uma lembrança. O Natal é um acontecimento, quando renovamos em nossas vidas a presença d’Aquele que nasceu para a nossa salvação: Jesus, o Cristo Senhor. Isso deve contagiar também as nossas famílias, nossos trabalhos, em nossa cidade que caminha para celebrar os seus 450 anos de fundação, sob a proteção de São Sebastião.

O Natal não pode ser reduzido às compras, às festas de confraternização. O Natal é tempo de abertura do nosso coração para Cristo que, por ternura e amor, veio fazer morada em nosso meio.

Por isso, a Novena de Natal deve ser vivida conforme o que nos pediu o Papa, no Ângelus de 26 de julho de 2013: "Sintamo-nos como uma única grande família e nos dirijamos a Maria para que guarde as nossas famílias, faça delas lares de fé e de amor, onde se sinta a presença do seu Filho Jesus".

Preparar o Natal nos ensina a rezar! A Novena de Natal tem também este sentido educacional na fé: ensina-nos a perceber que o coração repleto de Deus sempre estabelece relações profundas entre as pessoas, relações de partilha e de anúncio do Evangelho, irradiando a bondade, a caridade e a solidariedade.

Por que nos preparamos para o Natal? Para celebrar a presença de Cristo em nossas vidas e aprofundar essa proximidade, como o Papa Francisco nos testemunhou: "celebrar a pessoa de Jesus e refletir sobre as respostas que somente Ele sabe dar às suas questões de fé e de vida. Confiem em Cristo, ouçam-no, sigam os seus passos. Ele nunca nos abandona, mesmo nos momentos mais escuros da vida. Ele á nossa esperança".

A maldade humana, que infelizmente impera em muitos ambientes, não pode vencer o bem. As dificuldades que encontramos em nossa caminhada não podem nos fazer desistir de praticar o bem, como nos ensinou o Papa Francisco: "Nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumar como o mal, mas a vencê-lo com o bem".

A família, que reza unida a Novena de Natal testemunha a caridade e a bondade. Não vamos desanimar com as dificuldades da vida familiar. Diante do presépio, que não deveria faltar em nossas casas, peçamos ao Menino Jesus que proteja as nossas famílias, as que são ameaçadas pela violência e pelas dificuldades cotidianas. Rezemos para que sejam curadas as mágoas e encerradas as desavenças. Rezemos para que aquelas famílias que ainda não receberam a bênção sacramental, a exemplo da Sagrada Família, sejam tocadas pelo caminho novo da bênção nupcial, procurando o padre de sua paróquia e regularizando a sua situação. Que nossas famílias aprendam a rezar. O primeiro a ser evangelizado é a própria família. Nela se aprende os rudimentos da nossa fé. E, evangelizada a família, somos como instituição sacramental enviados a evangelizar aqueles que ainda não conhecem a Cristo.

Por fim, a Novena de Natal deve ter o seu gesto concreto: a caridade que, enviada para a Igreja, se fará chegar aos mais necessitados. E nestes dias de calamidade em nossa cidade, já começamos a partilhar o que temos para que o outro sinta também a nossa presença e proximidade.

Reunidos para celebrar o Natal vamos modificar o nosso comportamento. Que seja dado um basta para a fome (iniciamos no último dia 10 a grande campanha contra a fome), para a amargura, para a guerra, para os desentendimentos, para as disputas de poder, para todos os males. Sejamos solidários! Vivamos a caridade fraterna! Perdoemos os irmãos! Vivamos a paz que brota do Emanuel, o Deus Conosco!

Ao contemplar o presépio, biblicamente chamado de manjedoura, possamos viver o que este símbolo sacramental significa: a união. No presépio cada um oferece o que tem e o que é. Todos juntos acolhem e mostram o Salvador Jesus: esse é o significado deste tempo abençoado.

E dentro das celebrações da Novena, querido irmão, querida irmã, não se esqueça de procurar uma boa confissão que nos ajuda, pelo perdão de nossos pecados, a ir ao encontro de Jesus. Por isso, desejo que a nossa Novena de Natal seja ela toda missionária, conforme a música que todos nós já guardamos em nosso coração: "Sou marcado desde sempre, como sinal do Redentor, que sobre o monte, o Corcovado, abraça o mundo com Seu amor. Cristo nos convida: "Venham, meus amigos!" Cristo nos envia: "Sejam missionários!" E missionários é o fruto precioso da celebração da Novena de Natal! Eis que assim nos aproximamos do Natal!

Dom Orani João Tempesta
via internet