segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Campanha mundial contra a fome e a pobreza é lançada em Brasília



Evento aberto ao público e à imprensa debate realidade da pobreza no Brasil e divulga mensagem exclusiva do Papa Francisco em apoio à mobilização mundial
Por Redacao

BRASíLIA, 09 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Nesta terça-feira, dia 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira lançarão uma campanha mundial contra a fome, a pobreza e as desigualdades. Com o tema "Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas", o lançamento ocorrerá na sede da CNBB, a partir das 14h, em Brasília (DF).
A campanha faz parte de uma mobilização mundial da Caritas Internationalis que articulou as 164 organizações membro para esse grande movimento em favor da vida, dos direitos humanos e da justiça social. Uma grande onda de oração que terá início na ilha de Samoa, na Polinésia, e se espalhará por todo o mundo envolvendo todas as organizações Cáritas e muitas outras pessoas de todos os continentes.
Cáritas e a CNBB pretendem com a campanha, que vai até 2015, sensibilizar e mobilizar a sociedade sobre a realidade da fome, da miséria e das desigualdades no mundo e no Brasil. A alimentação adequada e de qualidade é um direito humano e por isso deve ser garantido a todos os cidadãos e cidadãs de forma igualitária.
O Papa Francisco gravou um vídeo com uma mensagem de cinco minutos em apoio à campanha. As palavras do Santo Padre serão divulgadas no dia do lançamento.
"Não se pode tolerar mais o fato de se lançar comida no lixo, quando há pessoas que passam fome. Isto é desigualdade social", disse o Papa em sua primeira Exortação Apostólica.
Participam do lançamento dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Flávio Giovenale, presidente da Cáritas Brasileira, Maria Cristina dos Anjos, diretora executiva nacional da Cáritas Brasileira, e Cacielen Nobre, da Presbiteriana Unida e membro da Comissão Teológica do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic). Irio Luiz Conti, que fala sobre segurança alimentar e nutricional, é doutorando em Desenvolvimento Rural na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mestre em sociologia, teólogo, filósofo, e membro do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
Após o ato de lançamento, o evento será aberto para entrevistas.

O poder de Cristo pode reverter a situação, inclusive no Oriente Médio



Papa celebra missa em Santa Marta com o patriarca Sidrak e reitera apelo pela paz e pela liberdade religiosa
Por Salvatore Cernuzio

ROMA, 09 de Dezembro de 2013 (Zenit.org) - Um sinal de comunhão e de paz: assim foi a missa desta manhã na Domus Sanctae Marthae, concelebrada pelo papa Francisco e pelo patriarca de Alexandria dos coptas católicos, Ibrahim Isaac Sidrak, em manifestação pública de comunhão eclesial com o Sucessor de Pedro. A celebração foi uma oportunidade para renovar o apelo comum em prol da paz e da liberdade religiosa no Oriente Médio, bem como um momento de profunda espiritualidade.
O papa reiterou a sua proximidade aos cristãos do Egito, vítimas de abusos diários, a partir das palavras do profeta Isaías na primeira leitura de hoje: um encorajamento às pessoas "de coração desanimado".. É um incentivo, disse o pontífice, "para aqueles que sofrem a insegurança e a violência na sua amada terra egípcia, algumas vezes por causa da sua fé cristã".
Usando mais uma expressão da mesma passagem profética, o pontífice acrescentou: "Coragem, não tenham medo! Estas palavras de conforto se confirmam na solidariedade fraterna". Francisco expressou então a sua gratidão a Deus por este encontro que "abre caminho para fortalecer a nossa esperança e a de vocês, que é a mesma".
Refletindo no Evangelho, o papa destacou que Jesus "vence a paralisia da humanidade (...), a paralisia das consciências, que é contagiosa, e que, com a cumplicidade da pobreza da história e do nosso pecado, pode se espalhar e entrar nas estruturas sociais e nas comunidades até paralisar povos inteiros". Mas o poder de Cristo sacode toda infraestrutura humana. O seu comando, "Levanta-te e anda!", pode reverter a situação, declarou o papa.
“Há esperança, portanto, para a paz na Terra Santa e em todo o Oriente Médio”. Enquanto isso, os cristãos devem oferecer a sua oração confiante a Deus para que essa paz "sempre se reerga das suas recorrentes e às vezes dramáticas interrupções".
A capela viu erguer-se então o apelo vigoroso do bispo de Roma: "Cessem para sempre a inimizade e as divisões! Retomem-se de imediato os acordos de paz, frequentemente paralisados ​​por interesses conflitantes e obscuros! Que haja garantias reais para a liberdade religiosa de todos, junto com o direito dos cristãos de viver em paz no lugar onde nasceram, na pátria que amam como cidadãos há dois mil anos, para contribuir, como sempre, para o bem de todos".
O papa insistiu na esperança e lembrou com ternura que até mesmo Jesus teve que enfrentar a fuga da sua terra natal junto com José e Maria, e que foi justamente a "terra generosa do Egito" que acolheu a Sagrada Família. Francisco pediu a Deus que "vele pelos egípcios, que, pelas estradas do mundo, buscam dignidade e segurança. Vamos em frente, buscando o Senhor, à procura de novos caminhos, novas formas de nos aproximar do Senhor. Que a nossa imaginação criativa da caridade nos leve a isso: a encontrar e abrir caminhos de encontro, caminhos de fraternidade, caminhos de paz".
Por sua vez, o patriarca Sidrak expressou alegria por concelebrar com o Sucessor de Pedro e destacou que a Igreja no Egito, neste momento histórico delicado, "precisa do apoio paternal do papa”. Sidrak também invocou o dom da paz e rezou para que "a luz do Natal seja a estrela que revela o caminho do amor, da unidade, da reconciliação e da paz": presentes de que "a minha terra tem grande necessidade".
Por fim, o patriarca pediu a bênção do bispo de Roma e lançou o convite: "Esperamos a sua visita ao Egito".

Advento: tempo novo que Deus nos dá!



Advento é uma nova oportunidade que Deus nos dá. Mais uma vez estamos começando o tempo litúrgico do Advento. O risco é vivê-lo como mera repetição, como um tempo parecido com o tempo anterior.

Cada Advento, por mais parecido que seja ao anterior, é totalmente diferente; ele é original e único, porque as esperanças são novas, os projetos são novos, a vida se renova sempre, o seguimento de Jesus Cristo se aprofunda sempre mais.

Não nos esqueçamos de que o Advento é toda uma possibilidade de vida que temos à frente. Por isso o grande tema desse tempo é “Vigiai porque não sabeis quando virá o vosso Senhor”. Ninguém vigia o que já passou e não existe mais. Vigiamos o que está por vir, o que está vindo. A vigilância olha sempre o futuro. Um futuro que depende de Deus e depende de nós. Porque uma coisa é a ação de Deus em cada um de nós neste tempo do Advento, e outra coisa é o que nós fazemos para que algo novo aconteça.

Nós mesmos somos um “advento”, porque nosso futuro depende do que esperamos. Há aqueles que já não esperam nada. Há outros que esperam algo novo, mas duvidam. E há aqueles que esperam o novo e dedicam sua vida a criá-lo já agora. Porque em cada momento definimos nossas vidas; em cada momento algo surpreendente pode acontecer em nossa vida; em cada momento nossa vida pode apagar-se ou pode rejuvenescer-se.

Vivemos num contexto marcado pela dispersão, seduzidos por estímulos ambientais, envolvidos por apelos vindos de fora, cativados pela mídia, pelas inovações rápidas, magnetizados por ofertas alucinantes. E então nos esvaziamos, nos diluímos, perdemos a interioridade e... nos desumanizamos.

Advento é um tempo propício – kairós – para ajudar a superar nossa dispersão e poder recuperar a densidade humana interna. Para isso, precisamos entrar em estado de vigilância, repensar a interioridade perdida, reconquistar a autodeterminação. E vigiar não é repetir-se, mas re-descobrir-se, re-inventar-se, re-encontrar-se, buscar-se de novo.

A Coroa, símbolo do Advento

A Coroa do Advento tem sua origem na Europa, quando os chamados povos bárbaros acendiam algumas velas que representavam a luz do Sol. Assim, eles afirmavam a esperança que tinham de que a luz e o calor do astro-rei voltaria a brilhar sobre eles e aquecê-los. Os primeiros missionários católicos quiseram, a partir dos costumes dos da terra, ensinar-lhes a fé e conduzi-los a Jesus Cristo. Foi assim que criaram a coroa do advento.

Sua forma circular é para dizer que não tem princípio nem fim; sinal do amor de Deus, que é eterno. O círculo traz ainda a ideia de um elo/aliança que liga Deus e as pessoas.

Os ramos verdes representam a esperança, a vida. Deus quer que esperemos a Sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna. Os ramos verdes lembram as bênçãos que foram derramadas sobre os homens por Nosso Senhor Jesus Cristo, em sua primeira vinda entre nós e que, agora, com uma esperança renovada, aguardamos a sua consumação, na segunda e definitiva volta d’Ele.

As quatro velas da Coroa nos dizem que o Advento tem quatro semanas, cada vela colocada na coroa simboliza uma dessas quatro semanas. No início a Coroa está sem luz, sem brilho, sem vida: ela lembra a experiência de escuridão, as trevas do pecado.

À medida que nos aproximamos do Natal, a cada semana do Advento, uma nova vela vai sendo acesa, representando a aproximação da chegada até nós d’Aquele que é a Luz do mundo, Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é quem dissipa toda escuridão, é quem traz aos nossos corações a reconciliação tão esperada entre nós e Deus e, por amor a Ele, a "paz na Terra entre os homens de boa vontade". 

Com esse tempo de preparação, a Igreja quer nos ensinar que a vida é um imenso advento e, se vivermos bem, Jesus Cristo será nossa recompensa e nos reservará no Céu um belo lugar, como está escrito: "Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que O amam" (1Cor 2, 9). 

Padre Ismar Dias de Matos

Jesus Cristo, centro da história



Com o final do ano litúrgico e o início de um novo, a liturgia nos ajuda a buscar o sentido último de nossas vidas e a nos perguntar sobre o centro de nossa existência. Quando celebramos na véspera da Solenidade de Cristo Rei a nossa Festa da Unidade foi justamente com o enfoque de salientar como a centralidade de Jesus Cristo nos leva à comunhão e à fraternidade. Ele nos dá o Espírito Santo, que nos une a todos.

Nesses dias em que nos preparamos para o ano da “caridade social” em nossa Arquidiocese, somos instados a refletir sobre o Reino de Deus. O Reino de Cristo é, antes de tudo, o reino de verdade, o reino de graça, o reino de justiça e o reino de misericórdia, como tem insistido, cotidianamente, o Santo Padre Francisco. O Reino de Deus é reino em que nos inserimos com adesão livre e pessoal, e nós devemos deixar que Nosso Senhor Jesus Cristo reine sempre na nossa vida; devemos abrir-Lhe com alegria a porta do nosso espírito, fazê-Lo entrar na nossa vida acolhendo a sua Palavra e respondendo a ela com a nossa diária fidelidade aos nossos empenhos, com um posicionamento de vida que se baseie em efetivas opções coerentes com a fé.

Em Jesus Cristo, Deus – o Alfa e o Ômega – é Aquele que é, e que era, mas ao mesmo tempo O que há de vir. O Reino de Deus, que mediante a criação permanece inabalável no universo inteiro, ao mesmo tempo tem na humanidade, mediante a obra da redenção, o seu passado, presente e futuro. Tem a sua história, que se desenvolve juntamente com a história da humanidade. No centro desta história, como já salientamos, encontra-se Jesus Cristo. 

São João, no seu livro do Apocalipse, nos ensina que: "Jesus Cristo, Aquele que nos ama e que com o Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus, Seu Pai" (Apoc 1, 5-6). Jesus Cristo é um Rei que ama. O Seu Reino não passará jamais. Não passará o Reino d'Aquele "que nos ama e que com o Seu sangue nos lavou dos nossos pecados e nos fez reis e sacerdotes para Deus, Seu Pai". Não passará o Reino da verdade, do amor, da graça e do perdão.

Nosso Senhor Jesus Cristo foi elevado na cruz como um Rei singular: como a eterna Testemunha da verdade. Se nasci, se vim a este mundo, foi para dar testemunho da verdade. Este testemunho é a medida das nossas obras. A medida da vida. A verdade por que Cristo deu a vida, e que confirmou com a ressurreição, é o princípio fundamental da dignidade do homem. 

O reino de Jesus Cristo manifesta-se, como ensina o Concílio Ecumênico Vaticano II, na "realeza" do homem. É necessário que, a esta luz, nós saibamos participar em todas as esferas da vida contemporânea e saibamos formá-la. Nos nossos tempos não faltam, de fato, propostas dirigidas ao homem, não faltam programas que se apregoam fomentarem o seu bem. Saibamos relê-los à luz da plena verdade sobre o homem, da verdade confirmada com as palavras e com a cruz de Cristo! Saibamos discerni-los bem! Especialmente neste Ano da Caridade necessitaremos muito dessa luz.

Jesus, o Filho do Homem, o juiz supremo das nossas vidas, quis assumir o rosto daqueles que têm fome e sede, dos estrangeiros, dos que estão nus, doentes ou presos, dos que não têm moradia, ou dos que são subjugados pelas guerras urbanas ou nacionais… enfim, de todas as pessoas que sofrem ou são marginalizadas ou não conseguem viver a paz que vem do Evangelho. Jesus, o Filho de Deus, tornou-Se homem, partilhou a nossa vida mesmo nos detalhes mais concretos, fazendo-Se servo do mais pequenino dos seus irmãos. Ele que não tinha onde repousar a cabeça seria condenado a morrer numa cruz.

Para que caminhemos com Cristo e com Ele cheguemos à visão beatífica é necessário que experimentemos e tenhamos misericórdia. A misericórdia é a nota fundamental que abre as portas do Reino do Céu. Vamos viver bem este tempo do Advento com atos de unidade e de evangelização, indo ao encontro dos que estão detidos, dos que estão doentes, dos que estão afastados e que desejam voltar para a unidade com Cristo e com a Igreja. Preparemo-nos para abrir o novo ano civil com a trezena e festa de São Sebastião como Ano da Caridade. O tema será “São Sebastião, discípulo do amor e da caridade”, inspirado no texto bíblico: “Se eu não tiver caridade, de nada adianta” (1Cor, 13,3).

Na Festa da Unidade Arquidiocesana demos testemunho do Reino de Deus e da comunhão entre nós reconhecendo a ação de Deus em nossa vida e história. Isso significa fazer sobressair sempre a prioridade de Deus e da sua vontade face aos interesses do mundo e dos seus poderes. Vivamos como imitadores de Jesus, que manifestou a sua glória: a glória de amar até ao fim, dando a própria vida!

Dom Orani João Tempesta

domingo, 8 de dezembro de 2013

Sob o signo da alegria



Continua repercutindo o recente documento Evangelii Gaudium, do Papa Francisco. E´ tido como o primeiro documento oficial escrito por ele, em forma de “Exortação Apostólica pós sinodal”. 

A forma do documento remete ao Sínodo de 2012, realizado para comemorar os 50 anos do Concílio. Portanto, em princípio, o documento de agora recolhe as sugestões apresentadas no Sínodo. De tal modo que o documento mantém o propósito de continuidade entre um pontificado e outro. 

Mas acontece que o Papa Francisco imprimiu neste documento, o seu modo característico de abordar os assuntos, de maneira clara, direta, ao mesmo tempo simples e profunda. 

Além disto, ele mesmo sugere estar iniciando uma “uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos”. 

Portanto, o Papa está apresentando agora, de maneira orgânica, uma espécie de “plano de governo”, ao menos para os próximos anos.

E´ praxe na Igreja “carimbar” os documentos com palavras iniciais bem escolhidas, portadoras de uma mensagem, que precisa ser interpretada com a luz de uma semântica própria, pela qual é possível decifrar o significado de um determinado documento.

O título desta “Exortação Apostólica” – “Evangelii Gaudium” - tem evidente conexão com o famoso documento de Paulo VI, a “Evangelii Nuntiandi”. 

A semelhança das palavras sugere semelhança entre os dois documentos, seja na forma como no conteúdo. E de fato, já dá para avançar uma perspectiva. O documento de agora será acolhido da mesma maneira como foi acolhido o “Evangelii Nuntiandi”, que permaneceu por muitos anos, como fonte de inspiração para a ação evangelizadora da Igreja. 

Mas a semelhança de palavras, arma para a “Evangelii Gaudium” um leque maior de referências, que ajudam a dimensionar a importância deste documento. 

Trata-se da palavra “gaudium” que se tornou uma espécie de “senha” para acessar o Concílio. De fato, dá para fazer algumas constatações interessantes, em torno do uso desta palavra no Concílio. Para chegarmos à conclusão que de que o atual documento do Papa vem na continuidade das propostas conciliares, que recebem agora novo impulso com a Evangelii Gaudium. 

Vamos conferir. O Concílio Vaticano Segundo teve o seu início oficial com o famoso discurso de abertura, feito por João 23. Este discurso começou com as bonitas palavras de exultação: “Gaudet Mater Ecclesia”, “alegra-se a mãe Igreja”. 

E o último documento do concílio, aprovado padres conciliares a sete de dezembro de 1965, leva como título: “Gaudium et Spes.

Desta maneira, dá para dizer que o Concílio começou e terminou à luz da palavra “gaudium”.

O Concílio Vaticano Segundo foi realizado sob o signo da alegria.

Tanto mais se torna significativo o fato do Papa Francisco ter usado esta palavra no título do seu “plano de governo” 

Daí que a “Evangelii Gaudium” tem tudo a ver com a “Gaudet Mater Eccleccia” e com a “Gaudium et Spes”. O plano de governo do Papa Francisco, tem tudo a ver com a implementação do Concílio, que ele tanto nos incentiva a levar em frente, seguindo o seu próprio exemplo.

Dom Luiz Demétrio Valentini


via internet

Maria foi preservada do pecado original em vista dos desígnios de Deus, afirma o Papa


O Papa Francisco presidiu neste domingo, 8, a oração do Angelus, na praça São Pedro, em presença de mais de 50 mil peregrinos. Antes da oração mariana, o Papa recordou a festa litúrgica da Imaculada Conceição de Maria.

Francisco destacou que neste dia, a Igreja contempla com grande alegria a "cheia de graça" e, sabe que a mãe de Jesus é também a mãe de todos os cristãos. "Maria nos sustenta no nosso caminho em direção ao Natal, porque nos ensina como viver este tempo de Advento, na espera do Senhor", destacou.

O Pontífice ensinou que Maria foi preservada do pecado original em vista dos desígnios do Senhor. Escolhida para ser a mãe de Jesus, recebeu antecipadamente a "cura" do rompimento com Deus, consequência do pecado. "A Imaculada foi inscrita no desígnio de Deus e é fruto do amor de Deus que salva a humanidade", ressaltou o Papa.

Maria jamais se afastou desse amor de Deus, enfatizou Francisco, afirmando que toda sua vida foi um sim a Deus. "Mas certamente não foi fácil para ela! Quando o anjo a chama de 'cheia de graça', ela fica perturbada, porque na sua humildade não se sente nada diante de Deus, mas o anjo a conforta: 'Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus'".

Francisco afirma que a história da garota de Nazaré não é estranha aos cristãos, pois, do mesmo modo, Deus pousa o seu olhar sobre cada um e para todos tem um chamado de Amor. "Fomos escolhidos por Deus para viver uma vida santa, livre do pecado. É um projeto de amor que Deus renova cada vez que nos aproximamos Dele, especialmente nos sacramentos", declara o Papa.

"Nesta festa, contemplemos a nossa Mãe Imaculada, reconhecendo também o nosso destino mais verdadeiro, a nossa mais profunda vocação: sermos amados, sermos transformados pelo amor. Vamos olhar para ela e deixemos que ela nos olhe. Vamos aprender a humildade e a coragem para seguir a Palavra de Deus", concluiu o Pontífice.

Fonte: Canção Nova Notícias

Imaculada Conceição de Maria



O dogma da Imaculada Conceição de Maria é um dos dogmas mais queridos ao coração do povo cristão. Os dogmas da Igreja são as verdades que não mudam nunca, que fortalecem a fé que carregamos dentro nós e que não renunciamos nunca. 

A convicção da pureza completa da Mãe de Deus, Maria, ou seja, esse dogma foi definido em 1854 pelo Papa Pio IX, através da bula "Ineffabilis Deus", mas antes disso a devoção popular à Imaculada Conceição de Maria já era extensa. A festa já existia no oriente e na Itália meridional, então dominada pelos bizantinos, desde o século VII. 

A festa não existia oficialmente no calendário da Igreja. Os estudos e discussões teológicas avançaram através dos tempos sem um consenso positivo. Quem resolveu a questão foi um frade franciscano escocês e grande doutor em teologia, chamado Beato João Duns Scoto, que morreu em 1308. Na linha de pensamento de São Francisco de Assis, ele defendeu a Conceição Imaculada de Maria, como ínicio do projeto central de Deus: o nascimento do seu Filho feito homem para a redenção da humanidade. 

Transcorrido mais um longo tempo, a festa acabou sendo incluída no calendário romano em 1476. Em 1570 foi confirmada e formalizada pelo Papa Pio V, na publicação do novo ofício e, finalmente, no século XVIII, o Papa Clemente XI tornou-a obrigatória a toda a cristandade. 

Quatro anos mais tarde, as aparições de Lourdes foram as prodigiosas confirmações dessa verdade, do dogma. De fato, Maria proclamou-se explicitamente com a prova de incontáveis milagres: "Eu sou a Imaculada Conceição". 

Deus quis preparar ao seu Filho uma digna habitação. No seu projeto de redenção da humanidade, manteve a Mãe de Deus, cheia de graça, ainda no ventre materno. Assim, toda a obra veio da gratuidade de Deus miseriordioso. Foi Deus que concedeu à Ela o mérito de participar do seu projeto. Permitiu que nascesse de pais pecadores, mas, por preservação divina permanecesse incontaminada. 

Maria então foi concebida sem a mancha do orgulho e do desamor que é o pecado original. Em vista disso, a Imaculada Conceição foi a primeira a receber a plenitude da bênção de Deus, por mérito do seu Filho, e que se manifestou na morte e na Ressurreição de Cristo, para redenção da humanidade que crê e segue seus ensinamentos. 

Hoje não comemoramos a memória de um Santo, mas a solenidade mais elevada, maior e mais preciosa da Igreja: a Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, a Rainha de todos os Santos, a Mãe de Deus.