domingo, 24 de novembro de 2013

No encerramento do Ano da Fé, Papa destaca a centralidade de Jesus na vida do homem




Terminou neste domingo, 24, o Ano da Fé, proclamado pelo Papa emérito Bento XVI. Após pouco mais de um ano dedicado a reflexões e amadurecimento da fé católica, o encerramento do período foi marcado pela celebração eucarística presidida pelo Papa Francisco na praça São Pedro, no Vaticano.

O ponto chave da homilia do Santo Padre foi a centralidade de Jesus Cristo na criação, na vida do povo e na história. Assim sendo, a atitude que se espera daquele que crê é, segundo o Papa, esse reconhecimento e essa aceitação.

"Reconhecer e aceitar na vida esta centralidade de Jesus, nos pensamentos, nas palavras e nas obras. Assim, nossos pensamentos serão cristãos, pensamentos de Cristo. As nossas obras serão obras cristãs. As nossas palavras serão cristãs", disse.

Porém, quando se perde este centro, as consequências são danos ao homem e ao ambiente que o rodeia. O Pontífice recordou que Cristo é justamente o irmão a partir do qual se constituiu o povo e Aquele que cuidou do povo entregando sua própria vida. "Nele, nós somos um só povo. Unidos a Ele, partilhamos um só caminho, um só destino. Somente Nele, Nele como centro, temos a identidade como povo".

E tendo em vista esta centralidade de Jesus, o Papa disse que tudo pode ser referido a Ele, tanto as alegrias e esperanças como as tristezas e os momentos mais sombrios. Como exemplo, ele citou a atitude de Jesus com o ladrão no Evangelho de hoje.

"Jesus anuncia apenas a palavra do perdão, não a da condenação. Quando o homem tem coragem de pedir este perdão, o Senhor não deixa nunca de responder".

Logo no início da homilia, o Papa dirigiu seu pensamento carinhoso e repleto de reconhecimento a Bento XVI, que institui o Ano da Fé dando esse presente para a Igreja. Ele também saudou os patriarcas e arcebispos maiores das Igrejas católicas orientais presentes na celebração.

"O abraço da paz que trocarei com eles quer significar o reconhecimento do bispo de Roma por essas comunidades. (…) Com esse gesto, pretendo alcançar todos os cristãos que vivem na Terra Santa, na Síria e em todo o Oriente, a fim de obter para todos o dom da paz". A missa de encerramento do Ano da Fé aconteceu no dia em que a Igreja celebra a festa de Cristo Rei. Entre os momentos marcantes, estiveram a exposição, pela primeira vez, das relíquias de São Pedro e a coleta em prol dos atingidos pelo tufão nas Filipinas.

Ao final da missa de encerramento do Ano da Fé , o Papa Francisco fez a entrega simbólica da primeira Exortação Apostólica de seu pontificado. Intitulado "Evangelii Gaudium", o documento será apresentado nesta terça-feira, 26, em coletiva no Vaticano.

O texto foi entregue para 36 pessoas de 18 países: um bispo, um sacerdote e um diácono; além de religiosas, seminaristas, catequistas, uma família, uma senhora com deficiência visual (que recebeu uma versão em CD), jovens, confrarias e movimentos eclesiais. O grupo foi escolhido para evocar cada evento do Ano da Fé realizado no Vaticano.

A primeira Exortação Apostólica de Francisco, a "Evangelii Gaudium", fala sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual
VIA PORTAL ECCLESIA.

HOMILIA DO PAPA NA SOLENIDADE DE CRISTO REI


HOMILIA
Santa Missa de Encerramento do Ano da Fé
Praça São Pedro - Vaticano
Domingo, 24 de novembro de 2013

A solenidade de Cristo Rei do universo, que hoje celebramos como coroamento do ano litúrgico, marca também o encerramento do Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI, para quem neste momento se dirige o nosso pensamento cheio de carinho e gratidão. Com esta iniciativa providencial, ele ofereceu-nos a oportunidade de redescobrirmos a beleza daquele caminho de fé que teve início no dia do nosso Baptismo e nos tornou filhos de Deus e irmãos na Igreja; um caminho que tem como meta final o encontro pleno com Deus e durante o qual o Espírito Santo nos purifica, eleva, santifica para nos fazer entrar na felicidade por que anseia o nosso coração.

Desejo também dirigir uma cordial saudação aos Patriarcas e aos Arcebispos Maiores das Igrejas Orientais Católicas, aqui presentes. O abraço da paz, que trocarei com eles, quer significar antes de tudo o reconhecimento do Bispo de Roma por estas Comunidades que confessaram o nome de Cristo com uma fidelidade exemplar, paga muitas vezes por caro preço.Com este gesto pretendo igualmente, através deles, alcançar todos os cristãos que vivem na Terra Santa, na Síria e em todo o Oriente, a fim de obter para todos o dom da paz e da concórdia.

As Leituras bíblicas que foram proclamadas têm como fio condutor a centralidade de Cristo: Cristo, centro da criação, do povo e da história.

1. O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura tirada da Carta aos Colossenses, dá-nos uma visão muito profunda da centralidade de Jesus. Apresenta-O como o Primogénito de toda a criação: n’Ele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas. Ele é o centro de todas as coisas, é o princípio. Deus deu-Lhe a plenitude, a totalidade, para que n’Ele fossem reconciliadas todas as coisas (cf. 1, 12-20). Esta imagem faz-nos compreender que Jesus é o centro da criação; e, portanto, a atitude que se requer do crente – se o quer ser de verdade - é reconhecer e aceitar na vida esta centralidade de Jesus Cristo, nos pensamentos, nas palavras e nas obras. Quando se perde este centro, substituindo-o por outra coisa qualquer, disso só derivam danos para o meio ambiente que nos rodeia e para o próprio homem. 

2. Além de ser centro da criação, Cristo é centro do povo de Deus. Assim no-lo mostra a primeira Leitura, que narra o dia em que as tribos de Israel vieram procurar David e ungiram-no rei sobre Israel diante do Senhor (cf. 2 Sam 5, 1-3). Na busca da figura ideal do rei, aqueles homens procuravam o próprio Deus: um Deus que Se tornasse vizinho, que aceitasse caminhar com o homem, que Se fizesse seu irmão.

Cristo, descendente do rei David, é o «irmão» ao redor do qual se constitui o povo, que cuida do seu povo, de todos nós, a preço da sua vida. N’Ele, nós somos um só; unidos a Ele, partilhamos um só caminho, um único destino.

3. E, por último, Cristo é o centro da história da humanidade e de cada homem. A Ele podemos referir as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de que está tecida a nossa vida. Quando Jesus está no centro, até os momentos mais sombrios da nossa existência se iluminam: Ele dá-nos esperança, como fez com o bom ladrão no Evangelho de hoje.Enquanto todos os outros se dirigem a Jesus com desprezo – «Se és o Cristo, o Rei Messias, salva-Te a Ti mesmo, descendo do patíbulo!» –, aquele homem, que errou na vida mas arrepende-se, agarra-se a Jesus crucificado suplicando: «Lembra-Te de mim, quando entrares no teu Reino» (Lc 23, 42). E Jesus promete-lhe: «Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso» (23, 43). Jesus pronuncia apenas a palavra do perdão, não a da condenação; e quando o homem encontra a coragem de pedir este perdão, o Senhor nunca deixa sem resposta um tal pedido.

A promessa de Jesus ao bom ladrão dá-nos uma grande esperança: diz-nos que a graça de Deus é sempre mais abundante de quanto pedira a oração. O Senhor dá sempre mais do que se Lhe pede: pedes-Lhe que Se lembre de ti, e Ele leva-te para o seu Reino!Peçamos ao Senhor que Se lembre de nós, certos de que, pela sua misericórdia, poderemos partilhar a sua glória no Paraíso. Amem!

Da redação do Portal Ecclesia.

Os cidadãos europeus pedem a defesa da vida




O porta-voz do comitê italiano do projeto Um de Nós fala do grande sucesso da iniciativa popular

Roma,  (Zenit.orgMaria Grazia Colombo 

A larga superação de um milhão de assinaturas coletadas para o abaixo-assinado Um de Nós é um sinal tangível da grande atenção à questão da vida que existe na Itália e em toda a Europa. Em total, foram coletadas quase 1 milhão e novecentas mil assinaturas.
A Itália foi a força motriz da campanha, mas o aumento constante e incansável na quantidade de assinaturas em todos os países da União Europeia mostra que essa iniciativa não aconteceu por acidente, mas envolveu uma sensibilidade inata da população diante desses temas, sensibilidade que encontrou uma maneira de se tornar explícita em plenitude graças a essa mobilização.
Estamos acumulando uma riqueza de consciência e de receptividade das pessoas que não é casual, nem deverá dispersar-se depois desta conquista.
Por trás de cada assinatura há uma face, há uma pessoa que insiste em seu "sim" à vida, e, mais precisamente, no reconhecimento da dignidade humana do embrião.
Como associações, movimentos, pessoas leigas, nós, desta Europa, tão influente e representativa de uma grande história, bradamos pela beleza da vida, afirmamos a pessoa, feita de relações, reconhecida em um povo. Esta iniciativa dá voz a um povo. Nunca nos esqueçamos disso!
O comitê italiano do projeto Um de Nós lançou um desafio a todos. Não é uma defesa de valores abstratos, mas uma ocasião para a reflexão sobre a vida, a família, a sociedade que queremos construir para o futuro. A batalha pelo reconhecimento do embrião é uma questão laica, não ideológica nem restrita a certas partes. Interessa ao homem, à mulher, a todo o mundo. Desafia a todos, levando-nos a adotar uma posição de defesa da vida e da sua dignidade.
As pessoas respondem, expressam através da assinatura aquilo de que são feitas, saem daquela solidão de pensamento que é hoje tão preocupante. Defender a vida em todas as suas fases, da concepção até a morte natural, é construir um pouco da nossa história, não só italiana, mas europeia, dessa nossa Europa tão conturbada.
A campanha Um de Nós coloca no centro a pessoa humana, em sua totalidade e no seu direito a crescer, a viver, a ser um cidadão completo do mundo. É com essa crença, comum e compartilhada, que esta iniciativa foi apoiada pelo Movimento pela Vida e abraçada, ainda, por cerca de trinta associações e movimentos que formaram o comitê Um de Nós, a fim de montar um trabalho de estratégia muito vivaz e muito interessante. A Itália associativa, a Itália da sociedade civil, trabalhou duro num clima de encontro, de construção de relações, nunca de confronto. A vida é um bem precioso que deve nos enriquecer, criando mais oportunidades para a unidade na verdade.
A intuição de um grande movimento, como é o Movimento pela Vida, se tornou intuição e trabalho associativo de todos. Por quê? Para chegar à marca de um milhão de assinaturas, mas, ainda mais do que isso, para aprendermos a lidar uns com os outros, a estimar uns aos outros, trabalhando juntos pelo bem comum.
Após esta conquista fantástica, olhemos com muita atenção para a Europa, junto com todos os outros movimentos europeus, seguindo passo a passo os pontos estabelecidos por essa iniciativa popular europeia na segunda fase desse projeto maravilhoso.
Cada assinatura é preciosa e não deve se perder, testemunhando a generosidade de todos os italianos. Através das assinaturas, recebemos um mandamento, o de ser o povo do Um de Nós. Agradeço às famílias, às paróquias, que são famílias de famílias, às escolas e a cada lugar em que foi feita a coleta de uma assinatura. Uma assinatura que eu gosto de chamar de diálogo e de encontro.

O beijo do papa Francisco

Um reflexão sobre o Papa Francisco

Campinas,  (Zenit.orgFabiano Fachini | 

Ternura, carinho, dedicação, amor.
Doce. Jovem. Amigo. Carinhoso. Bom!
Já se passaram alguns dias… mas os beijos do Papa Francisco não foram esquecidos. As crianças foram “abençoadas”, como disseram os pais; os fiéis presentes na Jornada Mundial da Juventude Rio2013 foram tocados pelo exemplo do Papa; os telespectadores, ouvintes, internautas… todos “atingidos” pelo testemunho de Francisco.
Um beijo (do latim basium) pode dizer muito.
E disse!
Um beijo entre amigos. Namorados. Noivos. Pai e mãe. Pais e filhos… e o beijo do Papa.
Durante os trajetos de papamóvel, o pontífice beijava e abençoava os pequenos. Foram dez crianças beijadas apenas na primeira hora em que Francisco esteve no Brasil.
“Vinde a mim as criancinhas”!
Cada menino e menina abençoados pelo amor de pai; carinho de irmão; fé e oração de homem santo.
E a “afetividade”… palavra associada à figura do papa? Nem sempre. Mas desta vez foi diferente – e isso nos faz ter, após quatro meses do início da JMJ Rio, dia 23 de julho – as imagens de um papa simples, carinhoso, alegre e humano recentes na memória. Atuais como sua mensagem na Missa de Envio: “Ide, sem medo, para servir”.
E como não se lembrar de Nathan?
O jovem Nathan de Brito, de 9 anos, recebeu o carinho do Papa Francisco. O pontífice seguia de papamóvel da Quinta da Boa Vista para o Palácio São Joaquim, sede da Arquidiocese do Rio, quando o jovem morador de Cabo Frio, na Região dos Lagos, se aproximou da grade que separava os fiéis da pista.
O pai Aguinor Brito pegou o filho e o entregou a um segurança, que o levou até o Santo Padre. “Santidade, quero ser sacerdote de Cristo, um representante de Cristo”, disse o jovem em lágrimas.
O Papa se emocionou com as palavras de Nathan e respondeu. “Vou rezar por você, mas peço que também reze por mim. A partir de hoje sua vocação está concretizada”, falou o pontífice que recebeu um beijo e um abraço do menino.
Muitas histórias… muitas lembranças de uma jornada que marcou o coração dos jovens e de todos os fieis católicos que participaram da Jornada Mundial da Juventude.
No entanto, fica a pergunta no ar:
O beijo do Papa tem diferença para o beijo de uma pessoa comum?

Jesus Cristo, Rei do Universo



Somos filhos da luz. Filhos do dia. O pecado traz as trevas e invalida aquela preciosa ordem do Criador: faça-se a luz! Tudo em nós se tornou tenebroso. Deus enviou seu Filho. Entrou em nossas trevas. Com seu sangue nos remiu, iluminou nossa vida, acabou com a escuridão que nos impedia de ver, crescer, viver.

Somos seres transladados a um novo reino, o reino da luz. Aqui há um ser que tudo ilumina e centraliza: é o Filho querido. A própria imagem do Deus invisível, a primeira criatura desenhada e gerada, o modelo de toda a criação. Tudo foi criado por ele e para ele. Deus Pai disse: “Faça-se a luz”. E seu Filho começou já então a ser a luz do mundo. E tudo se encheu com as centelhas de sua luz. Sem luz, não teria havido criação. Sem Jesus, luz do mundo, nada existiria. Tudo existe graças a ele. Seu reino é cósmico. Nada se livra da sua luminosidade e de seu calor. Ele é a luz do mundo.

Mas, também, é a cabeça do corpo, da Igreja. Em sua comunidade, Jesus é a cabeça, nele reside a plenitude do poder, nele se estreou a vida da ressurreição. Ele, cabeça da Igreja, é o princípio de reconciliação de todos os seres: os do céu e os da terra. Tudo nele se pacifica.

É bom confessar a liderança de Jesus, a centralidade de nosso Senhor, para que ninguém o suplante em nosso coração e em nossa vida. Celebrar Jesus, rei do universo é uma ótima oportunidade para reafirmar a única liderança de Jesus.

É preciso tornar-se simples como as crianças para entrar no reino do Filho de Deus, Jesus de Nazaré.

Desde os tempos de Jesus, sempre houve aqueles que ridicularizam a salvação que Jesus traz. Eles tinham querido uma salvação espetacular. Teriam se envolvido em um movimento com características imperiais.

Só uma pessoa entendeu o Mistério. Sofreu junto de Jesus. Quis solidarizar-se com sua morte. Quis morrer como Jesus: o bom ladrão. Disse palavras preciosas: ”Este não cometeu falta nenhuma”. Declarou a inocência de Jesus. Além disso, dirigiu-se a ele com palavras vindas do íntimo, palavras de amigo do coração: não o chamou de Senhor, nem de Messias. Dirigiu-se a ele com familiaridade: “Jesus, Jesus”. E acrescentou: “Recorda-te de mim quando estiveres em teu reino”. O malfeitor compreendeu que, através desse acontecimento tão terrível da crucificação, se abriam as portas do Reino. O bom ladrão quer que Jesus não o esqueça, porque o ama. Ele morreu olhando para Jesus, sofrendo com Jesus, sentindo pesar por Jesus, compartilhando a esperança de Jesus.

E a resposta de Jesus é: “Eu te asseguro: hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. No dia da máxima dor, abrem-se as portas do paraíso e ali chega Jesus com seu companheiro de cruz.

É Reino de Deus tudo aquilo que se adapta ao mistério da Cruz. O Crucificado é o critério que nos indica como vem o Reino, o que é o Reino. Não nos diz que o Reino de Jesus é o sistema do Templo de Jerusalém, não nos mostra o sistema imperial que Pilatos representava. Quem nos mostra o Reino é o bom ladrão, que o ouviu de Jesus. E este. O Rei do universo veio para nos assegurar de que podemos participar do seu Reino de amor. Ao encerrar o ano da fé, rezemos pelo Papa Bento XVI, que o convocou e agora, como eu na emeritude continua a rezar pela Igreja; e pelo Papa Francisco que insiste na misericórdia contra a mentalidade principesca, para vivenciarmos o Evangelho da Vida!

Dom Eurico dos Santos Veloso
Colunista do Portal Ecclesia.
Arcebispo emérito de Juiz de Fora (MG). Cursou filosofia e teologia no Seminário Maior São José em Mariana (MG). Governou a arquidiocese de Juiz de Fora entre 2001 e 2009.

Da redação do Portal Ecclesia.